| Informação:
Associação
Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais
- ABEPEC - 28/04/2005
Seminário
Nacional sobre Controle Social da Programação
Televisiva terminou ontem na Câmara Federal discutindo
a qualidade da programação das TVs Brasileiras
e a responsabilidade das emissoras públicas de formar
cidadãos. O primeiro a falar foi Eugênio Bucci,
presidente da Radiobrás. Ele destacou a necessidade de
mudança da natureza jurídica das instituições
de comunicação pública, para viabilizar
seus projetos.
Já
a antropóloga Heloísa Buarque de Almeida (Unicamp)
comentou que, quando as empresas, apoiadas no Ibope, falam de
tv, estão falando de consumo, não de expectadores
e sim do potencial de consumo destes. Ela disse também
que “as pessoas das classes populares se vêem representadas
nos programas populares, na baixaria, porque esta mostra o feio,
o sujo, o desdentado como padrões de beleza”. Então
ela pergunta se a programação televisiva não
estaria promovendo uma cisão social, em termos de formação
cultural da população Brasileira? Ainda segundo
a antropóloga, a tv digital poderá propiciar uma
oferta maior e variada de programas de qualidade na TV pública.
Para
o professor Murilo Ramos da Universidade de Brasília,
“o problema da programação televisiva é
de regulamentação, não de conteúdo.
Ele lembrou que o conceito de direito à comunicação
refere-se ao direito de ser informado e de informar também;
deve ser uma mão de duas vias”.
O
jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito
Santo, Edgar Rebouças, apresentou um estudo sobre a “regulamentação
da publicidade na tv para crianças e adolescentes”
no mundo, onde evidenciou não há legislação
suficiente no Brasil para regular a programação
televisiva.
Em
seguida falou o deputado federal Fantazzini, afirmando que “a
mídia desencoraja o cidadão a buscar o cumprimento
dos seus direitos, quando, na verdade, é preciso informar
o cidadão sobre esses direitos”. Perguntado sobre
a melhor saída seria a auto-regulamentação
um projeto de lei, ele considerou que a auto-regulamentação
não daria resultados e o PL menos ainda, já que
33% dos parlamentares são proprietários de concessões
de radiodifusão. Por isso, ele defende uma proposta mais
bem fundamentada para o que se deseja ver na programação,
mobilizando a sociedade civil. Segundo ele, “é
preciso ocupar os meios de comunicação fazendo
um lobby preventivo, de modo que, quando a proposta chegar,
a sociedade possa debatê-la.
No
encerramento, foram tiradas algumas diretrizes:
- lutar pela aprovação do PL 1600/2003, do Código
de Ética da programação televisiva, elaborado
pelo deputado Fantazzini;
- montar um grupo de trabalho de entidades afins para discutir
o PL e outras propostas de lei;
- articular com outras entidades, agregar multiplicadores como
Ministério da Saúde e MEC para normatizar a publicidade
e estimular a leitura crítica dos meios de comunicação
nas escolas;
- provocar a sociedade a se manifestar.
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