| Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Juliana
Andrade
Repórter da Agência Brasil
O
coordenador de Políticas Digitais do Ministério
da Cultura, Cláudio Prado, integrante do grupo interministerial
criado para discutir ações relacionadas a rádios
comunitárias, afirma que faz parte da política
do governo federal estimular a existência dessas emissoras.
“Politicamente, estamos trabalhando no sentido de que
rádios comunitárias existam e que é bom
que exista uma quantidade enorme de rádios comunitárias,
que cada pequena comunidade seja uma rádio. É
desejável do ponto de vista do governo Lula que existam
rádios em profusão, na maior quantidade possível,
que se deve estimular isso, que se deva ajudar e fortalecer
para que as rádios comunitárias locais e também
as TVs existam. Dentro dessa nova linguagem digital isso efetivamente
pode existir”, destaca.
Segundo
Prado, a mudança tecnológica para o sistema digital
poderá trazer novas possibilidades para as rádios
comunitárias, entre as quais a rádio digital,
com mais possibilidades de canais, e o formato de rádio
web, disponível na internet. “É responsabilidade
nossa, de governo, de mostrar ao povo que a possibilidade digital
expande, e muito, a democratização dos acessos
e a possibilidade de novos rumos de oxigenação
do conhecimento, de troca de informações entre
as comunidades e de amadurecimento de um processo de autonomia
de conhecimento que é justamente o que chamamos de cultura
digital”, observa.
Segundo
o coordenador, o projeto do governo federal de inclusão
digital será um dos meios para a democratização
da comunicação. “A inclusão digital
significa acesso à internet pública por meio de
banda larga gratuita para a população. As pessoas
terão acesso, em tempo real, às informações.
E esse é um dos caminhos em que é possível
trafegar programas de rádio comunitária”,
explica Prado. Ele destaca que a inclusão digital é
muito mais do que ensinar a população a usar o
computador. “É fazer a inclusão digital
dentro dessa dimensão de cultura digital”, completa.
Agressões
durante fechamento de rádios comunitárias geram
protestos.
Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Juliana
Andrade
Repórter da Agência Brasil
Reclamações
a respeito da ação violenta de policiais federais
durante ações de fiscalização em
rádios comandadas pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) são confirmadas por um grupo interministerial
criado há cerca de um mês pelo governo federal.
Segundo o coordenador de Políticas Digitais do Ministério
da Cultura, Cláudio Prado, integrante do grupo: "Quando
a polícia é chamada para atender o que a Anatel
tem de fazer por lei, que é fiscalizar as rádios,
a polícia já chega lá de porrada, de cassetete
na mão, e muitas vezes desce o cassetete porque ficou
esse ranço cultural trazido pela ditadura", critica.
A PF alega que apenas cumpre decisões judiciais.
Segundo
Prado, o objetivo do grupo governamental é “trabalhar
o verdadeiro entulho autoritário que sobrou no governo”
em relação a essas emissoras. “As rádios
comunitárias foram vistas, durante muitos anos, durante
a ditadura, como uma ameaça, porque seriam dificilmente
controláveis pelo poder central. E isso acabou ficando
desse jeito”, explica. De acordo com Prado, o grupo foi
criado a pedido da própria Presidência da República,
para atender às reclamações encaminhadas
ao órgão por pessoas ligadas às rádios.
Para
o coordenador, um dos aspectos dessa herança da ditadura
militar diz respeito à atuação de alguns
policiais durante as ações de fiscalização
comandadas pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel). “Ficou essa pecha em cima de rádios comunitárias,
como uma coisa que não podia cair nas mãos das
comunidades, sob o risco de isso ser uma ameaça ao centralismo,
ao autoritarismo, que era o sistema da ditadura. E isso permaneceu,
de alguma maneira, até hoje, na relação
da própria polícia. ”, criticou.
A
Polícia Federal se pronunciou sobre as denúncias
por meio da assessoria de imprensa. Segundo o órgão,
como polícia judiciária da União, a PF
deve seguir o ordenamento jurídico vigente no Brasil
e, como tal, cumprir as decisões judiciais. A assessoria
afirmou que, se houver constatação de algum abuso,
o caso será apurado.
O
presidente da Associação de Rádios e Televisões
Comunitárias do Território Sisaleiro, Cleber de
Jesus Silva, diz que, por causa da atuação nessas
fiscalizações, já registrou ocorrência
contra policiais federais na delegacia de Valente (BA), município
localizado a 249 quilômetros de Salvador. A organização
reúne 16 rádios comunitárias, das quais
12 estão em funcionamento. Dessas, apenas duas possuem
autorização do Ministério das Comunicações,
sendo que uma delas é a Rádio Comunitária
Valete FM, que recebeu a outorga recentemente.
Antes
disso, de acordo com Silva, a emissora foi alvo de ação
de fiscalização da Anatel, com a participação
de agentes da Polícia Federal (PF). “Eles chegaram
no local onde ficava a rádio, não se identificaram,
estavam à paisana. O locutor não abriu a porta,
com medo de que fosse alguém querendo roubar a rádio.
Então, eles pularam o muro, quebraram a porta e começaram
a bater no locutor. Isso causou um rebuliço imenso na
comunidade”.
A
secretária-executiva da Federação das Associações
de Rádios Comunitárias do Estado do Rio de Janeiro,
Graça Rocha, afirma que a entidade da qual faz parte
reuniu, num dossiê, reclamações de mais
de cem emissoras “que sofreram violência por parte
de agentes da Polícia Federal”. “Os agentes
da PF vão sempre com muita truculência, arrancando
até mesmo os panfletos, cartazes e fotos da comunidade,
quebrando CDs e equipamentos comprados com dificuldades pela
própria comunidade. Amedrontam e arrancam maquinas fotográficas
ou qualquer equipamento que possa registrar a ação.
As armas usadas por eles geralmente são pesadas, como
fuzis e metralhadoras”, conta.
A
federação inclui 396 emissoras, sendo 70% delas
comunitárias, segundo Graça. Apenas 9 são
legalizadas. A radialista destaca que, em todo o estado do Rio,
só há 43 outorgas definitivas concedidas para
rádios comunitárias, sendo 13 delas ligadas a
grupos religiosos, segundo ela (o que, pela legislação
vigente, impediria que elas fossem classificadas como comunitárias).
Para se associar à federação, a rádio
tem de ter programação pluralista, gestão
pública e transparente, além de prestar auxílio
comunitário.
Graça
diz que, até agora, a federação não
registrou nenhum caso de agressão. “Mas, durante
a investida, os agentes utilizam palavras ofensivas e de intimidação,
dizendo que os comunicadores comunitários são
iguais a contrabandistas”, critica.
Fechada
pela Anatel em 2002, a Rádio Bicuda FM é uma das
emissoras que funcionavam sem autorização no município
do Rio de Janeiro. A rádio era um dos ramos da organização
não-governamental Bicuda Ecológica, entidade de
defesa da preservação ambiental. Segundo um dos
responsáveis pela emissora, Celso Brites, a Bicuda FM
foi fechada em operação da qual participaram oito
agentes da Polícia Federal e três funcionários
da Anatel.
Brites
diz que foi uma das três pessoas presas durante a ação.
“O locutor também foi preso e foi levado, algemado,
para a delegacia, onde permaneceu assim durante cerca de três
horas. Os agentes fingiram que esqueceram onde estava a chave
da algema”, conta. De acordo com ele, o Ministério
Público entrou no caso, o que possibilitou que a emissora
recuperasse os equipamentos que haviam sido apreendidos na operação.
Associações
de rádios e especialistas defendem mudanças na
legislação para emissoras comunitárias.
Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Daniel
Dutra e Juliana Andrade
Repórteres da Agência Brasil
Para melhorar a situação das rádios comunitárias
no Brasil, entidades representativas de rádios comunitárias
e especialistas na área defendem mudanças na Lei
de Radiodifusão Comunitária (Lei nº 9.612/98).
“Essa é uma lei para calar as rádios. É
necessário que se construa uma lei para potencializar
os movimentos sociais que fazem radiodifusão comunitária”,
propõe o coordenador de Comunicação e Cultura
da Associação Brasileira de Radiodifusão
Comunitária (Abraço), José Guilherme Castro.
Ao
destacar que as rádios comunitárias são
o ponto mais próximo entre a comunicação
e a sociedade, a jornalista e professora do Centro Universitário
de Brasília Mara Régia critica o dispositivo da
lei que fixa o alcance dessas rádios em, no máximo,
um quilômetro. “Um país da dimensão
do nosso não pode fazer com que a comunidade inteira
se mobilize com transmissores de 25 watts, como prevê
a lei”.
Já
o especialista em mídia Dioclécio Luz diz que
é preciso revogar o artigo 70 da Lei nº 4.117/62,
que, no seu entendimento, dá margem a arbitrariedades.
“Essa lei pune com cadeia quem operar emissora clandestina.
Incriminar essas pessoas dessa forma tão grosseira, violenta,
como se fazia no regime militar, é um retrocesso político”,
avalia Luz, que, em novembro, publicará o seu segundo
livro, intitulado “A Arte de Pensar e Fazer Rádios
Comunitárias”.
A
professora Mara Régia cita um exemplo de repressão
à atuação de rádios comunitárias,
ocorrido no município de Altamira (PA). “Lá,
foi montado um posto da Polícia Federal para deter a
grilagem de terras, o alvo de caça acabou sendo a rádio
comunitária de Altamira. A PF entrou no local como se
estivesse em frente de assassinos”, conta Mara, ao ressaltar
que a rádio era um dos poucos canais de expressão
e de informação da comunidade.
Número
de rádios fechadas pela Anatel aumenta 37% no primeiro
ano do governo Lula.
Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Juliana
Andrade
Repórter da Agência Brasil
O
número de rádios auto-intituladas comunitárias,
mas consideradas ilegais pelo Ministério das Comunicações,
que foram fechadas pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) cresceu cerca de 37% entre 2002 e 2003. No ano passado,
4.412 rádios tiveram de sair do ar, contra 3,2 mil no
ano anterior. A quantidade de denúncias também
aumentou no mesmo período. Em 2003, foram 28.756 denúncias,
o que representa 82% a mais que em 2002, quando a Anatel recebeu
15, 8 mil.
O
superintendente de Radiofreqüência e Fiscalização
da Anatel, Edilson Ribeiro dos Santos, diz que essa elevação,
tanto do percentual de fechamento dessas rádios como
da quantidade de denúncias recebidas é natural
e cíclico, porque reflete o processo eleitoral de 2002.
“Toda vez que temos um ano eleitoral, há uma tendência
que haja um acréscimo na quantidade de estações
colocadas em funcionamento de forma clandestina. Isso requer
uma ação para coibir esse crescimento de entidades
funcionando de forma ilegal”, argumenta Santos. “Na
medida em que tenho uma quantidade de estações
funcionando irregularmente, é natural que, na mesma proporção,
cresça o número de denúncias. Uma coisa
leva à outra”.
Hoje,
2.199 comunitárias possuem licença do Ministério
das Comunicações para funcionar, de acordo com
a assessoria da Pasta. Dessas, 492 receberam autorização
no atual governo. No primeiro trimestre deste ano, foram fechadas
862 rádios. “A radiodifusão pega apenas
3% do esforço de fiscalização da agência.
E 60% estão na área de serviço de telefonia,
esse é o foco principal da agência, pois envolve
um contingente maior da sociedade”, informa.
Em
Sobradinho, rádio comunitária já fez até
salvamento em acidente pela cidade.
Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Daniel
Dutra
Repórter da Agência Brasil
Com o lema “A Rádio da Sua Cidade”, a rádio
comunitária Sobradinho FM está no ar desde 2001.
Localizada na quadra central de Sobradinho, cidade satélite
de Brasília, a estação é ouvida
por mais de 40 mil pessoas diariamente, segundo dados da emissora.
Por
meio da freqüência 104,9, a rádio tem como
objetivo prestar serviço público à população.
Segundo o diretor da emissora, Lisrael Ferreira Costa, a cada
duas horas, um informe de utilidade pública é
veiculado para auxiliar os cidadãos. “Temos uma
equipe que sai com uma Kombi e, via telefone, entramos ao vivo
na programação. Até mesmo autoridades,
como o administrador da cidade, nós entrevistamos”,
afirmou.
Lisrael
conta que, em fevereiro deste ano, um acidente com um enxame,
na Quadra 5, deixou algumas crianças feridas, e a Sobradinho
FM foi a primeira a dar a notícia. “Dois garotos
foram socorridos pela nossa equipe e levados para o pronto-socorro.
Um foi picado no olho e quase ficou cego”, lembra. Outra
ação da rádio foi no Dia das Crianças
deste ano, quando foram distribuídos 300 brinquedos para
crianças carentes da cidade.
A
emissora paga R$ 97 por mês à Administração
Regional para funcionar, num local que já foi um supermercado.
“Recebemos o galpão como doação.
Aos poucos estamos melhorando a estrutura. Em breve vamos comprar
um equipamento para montar um estúdio de gravação”,
afirma Lisrael.
Um
dos programas mais populares da emissora é o Via Brasil,
que vai ao ar das 12h às 16h. “A gente sempre recebe
telefonema de ouvintes e conversamos como se fôssemos
amigos. Busco todos os dias dar otimismo aos ouvintes”,
ressalta a locutora, Érica Fontinele.
Uma
ouvinte é a garota Yasmin Silva, 4 anos. Segundo Érica,
a garota liga para pedir músicas e conversar com os locutores.
“Ligo todos os dias para a rádio, porque gosto
de pedir as músicas do grupo Rouge”, afirma a menina,
usando uma camiseta da rádio, que ganhou no Dia das Crianças.
Além de tocar variados tipos de música e dar informações
de utilidade pública, o programa veicula vários
anúncios de classificados de compra e venda, além
de empregos.
A
emissora recebeu autorização do Ministério
das Comunicações para funcionar no dia 15 de dezembro
de 2002. Hoje, ela é presidida por Jonas Bezerra Coelho,
que assumiu o posto em agosto deste ano. A cada dois anos, é
realizada uma eleição para a escolha do presidente.
Ministério
diz que tem resolvido pendências e propõe ''sistema
de Boa Viagem'' para comunitárias.
Informação:
Agência
Brasil - 22/10/2004
Juliana
Andrade e Marcos Chagas
Repórteres da Agência Brasil
O
secretário-executivo do Ministério das Comunicações,
Paulo Lustosa, classifica as rádios comunitárias
como um instrumento fundamental de democratização
do acesso à informação e de geração
de cultura nos lugares mais remotos do país. Segundo
o secretário, uma força-tarefa do ministério
conseguiu limpar a pauta de cerca de 35 mil processos, que estavam
acumulados quando o atual governo assumiu, relativos à
concessão e à renovação de outorgas,
entre outros serviços, relacionados ou não à
rádio e à televisão. De acordo com Lustosa,
a maior parte das pendências já foi resolvida.
No
caso de processos relacionados a rádios comunitárias,
por exemplo, ele diz que a prioridade tem sido para os mais
antigos. Nos casos de comunidades mais afastadas, situadas,
por exemplo, no interior do Amazonas, que aguardam há
anos a definição sobre suas rádios comunitárias,
o secretário se dispôs a receber eventuais demandas.
“Qualquer comunidade que tiver situações
dessa natureza, entre em contato conosco, ou pelo site do ministério
(www.mc.gov.br) ou diretamente com uma correspondência
para mim ou para o meu e-mail, paulo.lustosa@mc.gov.br".
O
endereço para correspondência é:
"Ministério das Comunicações - Secretário
Executivo
Paulo de Tarso Lustosa da Costa
Esplanada dos Ministérios, bloco R, 8. andar, sala 812
Brasília-DF CEP 70044-900"
Paulo
Lustosa também destaca que a universalização
do acesso à comunicação é um dos
pilares da política do governo Lula e que o objetivo
é promover a maior competição entre os
vários atores, para que o cidadão seja o grande
beneficiado desse processo. Segundo ele, a idéia é
fazer um censo sobre a radiodifusão brasileira, para
chegar a números mais corretos. “Hoje, ninguém
sabe quantas emissoras existem, entre legalizadas, não-legalizadas,
operando, não operando, a gente não tem uma idéia
precisa”, diz o secretário, ao destacar que o censo
também possibilitará a avaliação
de como a sociedade está sendo atendida por esses meios
de comunicação.
Outra
proposta em discussão, conforme Lustosa, é a adoção
de um controle social das rádios comunitárias.
O secretário diz que a idéia foi inspirada no
sistema de escolha de donos de barracas que foi posto em prática
na Praia de Boa Viagem, em Recife. “Fizeram uma concessão
de barraquinhas, então tinha lugar para 63 barracas e
aprovaram 80. Os 63 primeiros assumiram, e os outros ficaram
esperando, se alguns bobearem, os outros denunciam, se todo
mundo assina embaixo, o cara vai para a rua”, explica.
Para
ele, esse sistema não fragiliza o controle sobre as rádios
comunitárias, mas sim melhora a fiscalização.
“O cara que ficou em segundo e o que ficou em terceiro,
os dois vão fiscalizar se (o que ganhou) está
cumprindo o papel, se não está vendendo propaganda,
porque, se tiver, eles denunciam, e a gente vai checar só
em cima daquilo, e, verificado aquilo, é lacrado e entregue
a concessão para outro”.
No
que se refere a mudanças na legislação,
o secretário-executivo informa que apresentará
ao ministro a idéia de promover uma grande discussão
sobre a Lei Geral de Telecomunicações. “Novas
tecnologias estão surgindo sem marco regulatório
definido. Nem queremos regular de tal maneira que prejudique
as coisas nem também deixar tão solto que possa
prejudicar os interesses do país e do cidadão
em particular”, destaca Paulo Lustosa.
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