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TELA VIVA
News - 18/11/2004
É
curioso notar que há, entre os comentários feitos
ao projeto de criação da Ancinav, mais contribuições
de empresas de telecomunicações do que de empresas
de radiodifusão. Foram ao todo sete teles e dois fornecedores
de equipamentos a manifestarem suas posições à
consulta do Ministério da Cultura. As manifestações,
obviamente, versaram sobre a possibilidade de a Ancinav estabelecer
regras para a exploração de atividade audiovisual
pelas teles. A Telefônica, por exemplo, se preocupa com
o fato de a Ancinav poder apreciar denúncias sobre comportamentos
abusivos em relação à exploração
audiovisual pelas empresas de telecomunicações.
A empresa considera que o importante é que as regras
sejam cumpridas, não havendo a necessidade de especificar
o tipo de empresas que podem ser afetadas.
Na
mesma linha, em diversos outros momentos, empresas como a Claro,
a Vivo, a Telemar e a CTBC Telecom falam sobre a interferência
da Ancinav no setor de telecom. Mas não há oposição
à agência. As teles querem apenas clareza de que
serão reguladas pela Ancinav no que diz respeito ao audiovisual
exclusivamente, não querem mecanismos que possam dar
margem a controle de capital nas empresas de telecomunicações
(por exemplo, limitação de capital estrangeiro
para teles exploradoras de conteúdo audiovisual) e manifestam
preocupação com relação à
convergência de meios, o que dificulta a caracterização
de conteúdo nacional, impossibilita a regionalização
e a gestão do conteúdo por brasileiros.
Interessante,
por fim, notar um dos comentários feitos pela Telemar
à consulta da Ancinav. A tele pede para que se inclua
um inciso ao artigo 18 garantindo a "retransmissão
dos conteúdos das concessionárias de TV aberta,
em condições econômicas isonômicas,
às diversas novas formas de distribuição
possibilitadas pela convergência". Na prática,
o que a Telemar parece querer é a liberdade para colocar,
remuneradamente, os sinais das TVs abertas em suas plataformas
de distribuição.
Política
audiovisual
Abert ataca "inteiro teor" da proposta da Ancinav
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
A grande novidade do seminário promovido pelo Ministério
da Cultura e pelo Conselho Superior de Cinema sobre a Ancinav,
nesta quinta, 18, na Câmara dos Deputados, talvez tenha
sido a oportunidade de se conhecer detalhes de alguns comentários
públicos encaminhados ao MinC sobre a proposta do projeto.
Foram cerca de 500 comentários, dos quais 80 vindos de
empresas e entidades representativas, algumas delas representando
dezenas de associações.
Algumas
posições merecem ser destacadas. Por exemplo,
a posição da Abert (associação de
radiodifusores), manifestando sua "total discordância
quanto ao inteiro teor do projeto de lei". A associação
preferiu por não comentar o projeto ponto a ponto, pois
entende que existe um extenso aparato regulatório para
tratar de todas as questões colocadas. Segundo a Abert,
o setor precisa de fomento, e não de "punições"
ou "obrigações inconcebíveis".
A ABTA (representando o setor de TV por assinatura) fala em
um debate necessário e anterior, que é o da Lei
Geral de Comunicação Social. Mas há, também,
manifestações de apoio ao projeto do governo,
vindas fundamentalmente de entidades representativas da sociedade
civil e de setores do audiovisual que se consideram marginalizados
pela indústria.
Fantazzini diz que TVs censuram vozes independentes.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
O deputado federal Orlando Fantazzini (PT/SP), em apresentação
no seminário sobre a Ancinav realizado em Brasília
nesta quinta, 18, fez duras críticas às emissoras
de televisão no que diz respeito à qualidade de
programação da maioria das emissoras brasileiras.
Em vários momentos, Fantazzini manifestou que o bloqueio
que supostamente as emissoras de TV fazem à pluralidade
de opiniões no Brasil seria uma espécie de censura
e que esse cenário precisa ser mudado com a criação
da Ancinav. "Setores da sociedade são censurados
pelos canais abertos de televisão. No Brasil, não
existe nenhuma forma de controle sobre as outorgas de concessões
de TV, que são renovadas a cada 15 anos e não
há como isso ser impedido, a não ser com votação
nominal de dois quintos do Congresso ou com decisão Judicial.
É o único serviço público que vive
essa situação".
Governo
revela opiniões dos ministérios sobre Ancinav.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
Entre
os comentários feitos à proposta de criação
da Ancinav que foram divulgados pelo Ministério da Cultura,
chama a atenção a quantidade de manifestações
de outros ministérios. Em geral, são posições
bastante contundentes. O Ministério da Fazenda, por meio
da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), focou
suas sugestões nos artigos que se referiam a aspectos
concorrenciais, principalmente. Em linhas gerais, o que a SEAE
propõe é que as questões de concorrência
que venham a ser tratados pela Ancinav sejam feitas em combinação
com o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. Mas
a SEAE vai mais longe: em diversos momentos pondera que as propostas
de regulação da Ancinav são demasiadamente
amplas, como por exemplo no Artigo 2 da proposta, ou propõe
a supressão de incisos inteiros, como o do inciso XIV
do Artigo 18, onde imaginava-se a Ancinav regulando as relações
entre programadores e operadores de TV por assinatura. Outra
preocupação manifestada pela SEAE é com
relação a eventuais conflitos entre a proposta
da Ancinav e a redação do projeto das agências
reguladoras. Por fim, a SEAE faz ainda considerações
duras com relação a eventuais conflitos de competência
entre Ancinav e Anatel em relação à regulação
do setor de TV por assinatura.
O
Ministério das Relações Exteriores também
fez extensos comentários ao projeto da Ancinav. Basicamente,
o MRE apresenta dúvidas sobre a responsabilidade da Ancinav
em relação ao trato com organismos internacionais.
Por exemplo, algumas funções que hoje são
exercidas pela Ancine deixariam de ser responsabilidade da agência,
segundo a proposta da Ancinav. A dúvida do MRE é
se essas funções seriam assumidas pelo MinC.
O
Ministério das Comunicações também
deu contribuições. Questiona, por exemplo, o uso
de recursos do Fistel para fiscalização do setor
regulado pela Ancinav. Segundo o Minicom, o fundo só
se presta a fiscalização de serviços de
telecomunicações. Já o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC),
em seus comentários, ressalta que é complicado
que o Funcinav (Fundo para o desenvolvimento do Cinema e do
Audiovisual) seja gerido conjuntamente pelo BNDES e pela Finep.
Segundo o MDIC, essas instituições não
atuam como agentes financeiros e qualquer iniciativa nesse sentido
deve ser discutida com as próprias instituições.
O MDIC também faz considerações em relação
à constitucionalidade das definições de
"empresa brasileira" trazidas pela proposta da Ancinav.
Regionalização não é mais
defendida no projeto da Ancinav.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
O
comitê civil do Conselho Superior de Cinema decidiu retirar
do projeto da Ancinav o Artigo 90, que estabelecia que emissoras
de televisão e empresas de telecomunicações
deveriam celebrar, com o Ministério da Cultura e com
a agência, um compromisso anual sobre a oferta de conteúdo
regional e de produção independente. Essa era
a única referência que o texto da Ancinav fazia
a alguma possibilidade de política para a regionalização
do conteúdo das televisões. Segundo o assessor
especial do Ministério da Cultura, Manoel Rangel, a supressão
do artigo vai ainda ser discutida pelo pleno do Conselho Superior
de Cinema, assim como todas as alterações sugeridas
pelo comitê civil. Ele explica que em lugar do artigo
90 foram colocados itens de fomento à produção
audiovisual.
Fust para audiovisual não deve vingar.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
É
pouco provável que vá adiante a idéia aprovada
pelo comitê civil do Conselho Superior de Cinema para
que parte do Fundo de Universalização das Telecomunicações
(Fust) seja utilizado para fomento da atividade audiovisual.
A idéia foi decidida pelo comitê civil, mas deve
ser vetada no pleno do conselho, onde prevalece a posição
dos ministérios. É a mesma situação
que deve ser enfrentada pelas propostas de taxação
da venda de aparelhos de televisão. É certo que
haverá resistência do Ministério da Fazenda.
Abril não quer que teles se ocupem do conteúdo.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
Os
comentários do grupo Abril ao projeto que cria a Ancinav
são interessantes e reveladores da estratégia
do grupo para o setor audiovisual. A Abril é uma das
empresas de comunicação que mais fez contribuições
à consulta pública do Ministério da Cultura.
Na idéia mais polêmica, o grupo sugere que empresas
de telecomunicações, ao explorarem atividades
audiovisuais, ocupem-se, por um período transitório,
apenas dos meios de distribuição, delegando o
provimento de conteúdo audiovisuais a terceiros. A empresa
ressalta que isso deveria acontecer apenas por um período
transitório, para prevenir um eventual período
de concorrência desleal entre teles e empresas de comunicação.
Essa posição também é defendida
pela NeoTV. O grupo Abril também pede em seus comentários
que as redes das teles sejam abertas para a distribuição
de conteúdos audiovisuais de terceiros (uma espécie
de unbundling).
Congresso
Audiência sobre Ancinav resvala na fusão Sky/DirecTV.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
Os debates realizados no seminário organizado pelo Ministério
da Cultura e pelo Congresso Brasileiro de Cinema na Câmara
dos Deputados esta quinta, 18, acabou servindo como uma pequena
prévia de como surgirão, daqui para frente, mais
e mais manifestações contra a fusão entre
Sky e DirecTV. Roberto Wagner, representante da Associação
Brasileira de Empresas de Televisão e Telecomunicações
(Abratel) aproveitou sua palestra no evento sobre a Ancinav
para ponderar sobre o que considera como uma "grave ameaça"
ao interesse nacional. Para Roberto Wagner, que em geral se
alinha com parlamentares ligados às emissoras evangélicas,
essa fusão e o fortalecimento de um grupo como a News
Corp. no Brasil deveria ser a principal preocupação
dos deputados. "A Ancinav traz pontos nebulosos, pontos
negativos e alguns pontos positivos, mas a principal ameaça
é a entrada de (Rupert) Murdoch no Brasil com essa fusão".
Roberto Wagner também fez críticas duras às
teles e ao suposto risco inerente à convergência
de tecnologias: "as teles têm poder de compra de
conteúdo, e isso é muito mais do que ter os meios".
A
associação NeoTV também aproveitou a oportunidade
que foi dada para falar no seminário sobre a Ancinav
para reiterar suas críticas à exclusividade de
programação no Brasil. Neusa Risette, diretora
da NeoTV, considera "inexplicável" o atraso
do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência em julgar
a quebra de exclusividade do canal SporTV e disse que essa tendência
de concentração do conteúdo só tende
a se agravar com a fusão das operadoras de DTH. "Se
não houver regras claras sobre a questão da distribuição
de programação, a fusão das operadoras
pode representar um grave risco para o cidadão comum,
já que serão os mesmos grupos que monopolizarão
a produção e a distribuição de conteúdo
no Brasil". Risette disse que NeoTV espera que a Ancinav
sirva justamente para estabelecer essas regras. Aliás,
a associação, em suas manifestações
à consulta pública da Ancinav, apoiou os artigos
que tratam de regras para a concentração de conteúdos
por grupos que atuem na produção e distribuição
de conteúdo. Os comentários da NeoTV em geral
se alinham com os do grupo Abril, segundo a documentação
divulgada pelo Ministério da Cultura.
Defesa
da Ancinav no Congresso será feita por outros, diz Gil.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
O
Ministro da Cultura, Gilberto Gil, declarou nesta quinta que
o projeto da Ancinav está caminhando bem no sentido de
encontrar o consenso necessário para que seja enviado
ao Congresso e que, depois disso, considera seu trabalho cumprido.
Ao ser questionado se não temia que o texto fosse duramente
atacado no Congresso, Gil disse que não é experiente
nesses assuntos, "e nem pretendo me meter nesse processo.
O trabalho do MinC é esse que será levado ao Conselho
Superior de Cinema". Mas Gilberto Gil disse esperar que
o governo aja favoravelmente ao projeto no Congresso. "O
governo tem instâncias que tratam dessas questões
e realmente espero que essas instâncias competentes ajam
junto aos parlamentares em defesa da proposta. O Congresso é
o reflexo do jogo de forças da sociedade, é lá
que a discussão sobre a Ancinav vai se dar".
Governo elenca maiores desafios à Ancinav.
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TELA VIVA
News - 18/11/2004
Documento assinado pelo Ministério da Cultura e pela
Casa Civil e distribuído durante o debate sobre a criação
da Ancinav, realizado nesta quinta, 18, em Brasília,
traz uma constatação interessante sobre os pontos
que o governo aparentemente entende como mais polêmicos
daqui em diante e que restaram, mesmo após os debates
que foram travados no âmbito do comitê da sociedade
social do Conselho Superior de Cinema. Não quer dizer
que sejam estes os únicos pontos que ainda careçam
de debate, mas é interessante notar que os dois ministérios
colocaram esses pontos por escrito: "Ganharam destaque
no processo (de discussão) a necessidade de demarcação
de fronteiras de atuação da Ancinav e Anatel,
de regulação da relação entre distribuidora
e programadora de conteúdo na TV por assinatura, de redução
das condecines à atividade como um todo, da observância
ao caráter segmentado da TV por assinatura e à
especificidade de outros serviços, da dificuldade de
controle de fluxo de conteúdo pelos provedores/servidores
de Internet, da equiparação das oportunidades
de negócios entre empresas de telefonia e os demais setores,
da complexidade do tema dos direitos autorais, do estímulo
às atividades de formação, da formulação
de uma Lei Geral de Comunicação de Massa, entre
muitas outras questões relevantes abordadas pela sociedade".
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