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Caros
Ouvintes - Boletim nº 51 - 27/04/2005
Por
Antunes Severo
Nesta
série colocamos em destaque as primeiras 20 emissoras
de rádio instaladas no estado e que ainda continuam em
funcionamento. O objetivo maior é retomar a pesquisa
realizada por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira,
atualizando dados e ampliando a discussão sobre o papel
do rádio nos dias de hoje.
Este
trabalho cobre o período de 1936, quando foi licenciada
e autorizada a funcionar a PRC-4, Rádio Cultura de Blumenau
até 1949, quando entrou no ar oficialmente a Rádio
Videira de Videira.
Nesse
espaço de tempo o rádio sofreu mudanças
muito profundas no seu relacionamento com a sociedade. Não
só o rádio, mas os meios de comunicação
de massa, como assinala o senador Pedro Simon em relatório
publicado pelo Senado Federal, em 1998. As transformações
tecnológicas são muitas e as necessidades de comunicação
crescem também em grande escala. Várias leis foram
editadas na tentativa de atender as necessidades dos diferentes
segmentos das comunidades, principalmente no que se refere ao
interesse social, bastante ameaçado pela supremacia dos
interesses comerciais vigentes. Entretanto, muito há
que se fazer para que o rádio cumpra de fato o papel
que lhe cabe como instrumento de comunicação a
serviço da cidadania.
Aqui
mesmo, em Santa Catarina, dentre outras iniciativas, há
o trabalho do Sindicato dos Jornalistas que no final de 2003
publicou matéria em que analisa a participação
de famílias tradicionais e políticos que “dominam
rádios e TVs em Santa Catarina”. O acesso a essa
matéria está indicado no final desta reportagem.
Não
se entenda, entretanto, que o tema seja uma alusão a
atual realidade da situação acionária da
Rádio Araguaia, porque essa realidade é assim
em todo o Brasil e vem de longo tempo.
Voltemos,
pois, a história da Sociedade Rádio Araguaia,
conforme relatada por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena
Vieira no livro a História do Rádio em Santa Catarina.
A
Sociedade Rádio Araguaia foi fundada em seis de setembro
de 1946. A estréia em transmissão ao vivo aconteceu
no dia seguinte, com a cobertura do desfile do Dia da Pátria.
Seus primeiros proprietários foram Raul Schaefer, que
era o maior acionista, Otto Reginaldo Renaux, Guilherme Renaux,
Adriano Schaefer, Nivert Debrassi, além de Luiz Otto
e Euvaldo Schaefer. No início, a rádio funcionava
das 8h às 14 horas e das 16h às 21 horas. Registrada
na Junta Comercial do Estado em agosto de 1947, a empresa somente
conseguiu a licença oficial para funcionamento definitivo
em 29 de julho de 1950.
Como
primeiro locutor a emissora contou com a voz de Nievert Debrassi,
conhecido como Salsicha. O segundo funcionário da Araguaia
foi Celso Teixeira, que mais tarde tornou-se cronista esportivo.
A sonoplastia ficou com João Luiz Schaefer, primo do
proprietário da Araguaia. Junto com ele trabalhava Waldemar
José Duarte, depois batizado de J. Duarte, mais tarde
transformado em noticiarista e figura ligada ao esporte. O departamento
técnico ficou sob a responsabilidade de Erondino Fagundes
de Moraes, exímio conhecedor dos aparelhos transmissores.
Também Ciro Gevaerd, ex-prefeito da cidade, colaborou
com a radiofonia nesta fase embrionária, dando idéias
para a criação de alguns programas. O destaque
da Araguaia ficou por conta de Maria Iracema, primeira mulher
a ocupar o microfone e cuja capacidade de improviso chamava
a atenção dos ouvintes.
Dois
programas musicais atingiram grande popularidade na época,
relembra J. Duarte, em depoimento em junho de 1999, Alma Gaúcha,
que apresentava tangos argentinos, no horário das 13h
às 14 horas, era patrocinado pelo expresso Rio Grande
– São Paulo. Igualmente o quadro Música
Alemã, alcançava larga audiência na região.
Às
18 horas, era levada ao ar a Oração da Ave Maria,
apresentada por Euvaldo Shaefer, e posteriormente por Érico
Contezine, Osni Pereira e João Alfredo Medeiros Vieira.
No ano de 1947, a emissora importou de Blumenau Wilson Erasmo
Quintino dos Santos, considerado como o primeiro profissional
do rádio brusquense. Com a chegada dele, começaram
os programas ao vivo, predominando as atrações
de auditório, com artistas conhecidos no estado e a presença
de calouros.
Também
cantores e instrumentistas populares como Manoel Pêra
- exímio violonista, Docinho - o mágico da gaita
de boca, e Vitório Fifa - com timbre vocal inigualável,
vinham da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau para participar
das programações de auditório, no Cine
Real e na sede do Carlos Renaux.
O
período de 1947 marcou a história do rádio
brusquense com passagens hilárias. Uma delas aconteceu
no aniversário da secretária da emissora, Dulcinéia
Gonzaga. Após o fechamento da emissora, ela ofereceu
uma festa em sua casa, para onde todos os radialistas se dirigiram.
Em determinado momento, por volta das duas da manhã,
a Araguaia entrou no ar inesperadamente. Era Erondino de Morais.
Depois de alguns tragos a mais, ele resolveu prestar uma homenagem
à aniversariante, declamando, empolgado, versos de amor.
Fontes
bibliográficas
Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. História
do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: editora
Insular, 1999.
Pedro Simon. Rádio e Televisão no Brasil –
Relatório da Comissão Especial de Análise
da Programação. Senado Federal, 1998.
Sites
relacionados
http://www.radioaraguaia970am.com.br/
http://www.acaert.com.br/
http://www.sjsc.org.br/pj_online/pj_34/central.htm
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