| Informação:
AESP - Associação
de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 03/12/2004
Ministério
das Comunicações
PF prende 10 do TCU e de empresa do ministro Eunício
Oliveira
O
Estado de S.Paulo Nacional - Ministério das Comunicações
Além
de servidores do Tribunal de Contas, foram detidos funcionários
da Confederal, de propriedade do ministro das Comunicações
Vannildo
Mendes
BRASÍLIA
- A Polícia Federal desmantelou ontem, com a Operação
Sentinela, uma quadrilha integrada por empresários do
ramo de segurança e altos funcionários do Tribunal
de Contas da União (TCU), acusada de fraudes em licitações
públicas, corrupção, cartelização
e tráfico de influência. Foram presas dez pessoas,
incluindo diretores do TCU e de empresas privadas como a Confederal,
pertencente ao ministro das Comunicações, Eunício
Oliveira. A ação da PF provocou enorme constrangimento
político dentro do PMDB, especialmente pelo fato de Eunício
ser ativo integrante da ala do partido que trabalha para evitar
o rompimento com o governo federal. Os agentes não pouparam
nem o escritório de trabalho que o ministro eventualmente
usa quando vai à empresa, da qual é dono em sociedade
com a mulher, Mônica Paes de Andrade Lopes de Oliveira,
filha do embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade.
A
deflagração da operação envolvendo
a empresa e os funcionários do ministro provocou uma
troca frenética de telefonemas entre altas autoridades
da República. Por volta do meio dia, Eunício ligou
para se queixar com o ministro chefe da Casa Civil, José
Dirceu. Este telefonou em seguida para o ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, que cancelou os compromissos da
tarde para apaziguar os ânimos.
No
meio da tarde, Bastos foi dar explicações ao presidente
do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fiador da aliança
do PMDB com o governo Lula e um dos aliados de Eunício.
À saída do encontro, Bastos declarou que a atuação
da PF é impessoal e republicana, sem perseguir nem proteger
ninguém. "A PF tem prestado um serviço de
extrema relevância ao País, motivo de orgulho de
todos os brasileiros e para nós do governo", enfatizou.
Disse também que o fato de a Confederal pertencer a Eunício
em nada altera os rumos da investigação. "O
ministro Eunício merece todo o nosso apreço, respeito
e consideração", reforçou.
Em
seguida, Eunício divulgou nota, por meio da assessoria,
informando que está oficialmente afastado da gerência
da Confederal. Informa também que segue sua rotina normal
de trabalho, "confiante na transparência de todo
esse processo e certo de que eventuais irregularidades virão
à luz, caso tenham ocorrido".
Entre
os presos estão a presidente da Comissão Permanente
de Licitação do TCU, Vera Lúcia de Pinho
Borges, e o secretário-geral de Administração
do tribunal, Antônio José Ferreira da Trindade.
Ele administra um orçamento anual de R$ 600 milhões.
Foram também encarcerados o chefe de Segurança,
Fernando César Maseira Almeida, e a secretária
de Controle Interno do TCU, Leila Fonseca dos Santos Vasconcellos
Ferreira. Os demais presos são os empresários
Robério Bandeira de Negreiros e seu filho, Robério
Filho, da empresa Brasfort, Carlos Antônio de Souza Almeida,
da Montana, e Marcelo Oliveira Borges, dono da Roman e presidente
do Sindicato das Empresas de Segurança, além de
Miguel Novaes da Silva, dirigente da Sitran, e Ênio Brião
Bragança, braço direito de Eunício na Confederal.
Nenhum
deles reagiu à prisão, mas alguns funcionários
do TCU tentaram usar sem sucesso uma suposta influência
política. Vera Lúcia foi quem mais protestou e
chorou na maior parte do tempo.
Ministério
das Comunicações
Líder do governo critica e depois elogia PF.
Folha de São
Paulo Brasil - Ministério das Comunicações
Professor
Luizinho (PT) ataca operação em empresa do ministro
Eunício Oliveira, mas recua logo em seguida
RANIER
BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O
líder do governo na Câmara, deputado Professor
Luizinho (PT-SP), convocou ontem a imprensa para dizer que a
ação da Polícia Federal foi conduzida politicamente
por uma facção da corporação, à
revelia do comando, o que colocaria "em risco as instituições",
"o processo republicano" e "o crescimento do
país".
O
deputado participa da articulação para manter
o PMDB do ministro Eunício Oliveira (Comunicações),
dono da Confederal, na base de apoio do Palácio do Planalto.
No dia 12, a legenda faz uma convenção nacional
para definir se rompe ou não com o governo.
"À
revelia da coordenação e da direção
geral, algumas ações de marketing, de manchete,
são executadas", afirmou. "Parece que há
grupamentos que estão se achando no direito de, à
revelia do comando, produzir ações que desrespeitam
as instituições e põem em risco o processo
republicano." "É estranho que um ministro que
atua para a governabilidade do país, cujo partido está
pronto para se reunir para decidir se mantém a governabilidade
ou se vai para a oposição, colocando em risco
o crescimento e o desenvolvimento do país, ter a sua
pessoa envolvida numa ação como já ocorreu
com a Caixa Econômica Federal e com a rinha de galo",
disse Luizinho. "Há de convir: é estranho,
não é? O país deve pensar um pouco nisso."
Ao
mencionar a rinha, o líder do governo se referia à
prisão pela PF do publicitário Duda Mendonça,
em outubro, quando assistia a uma briga de galos (que é
crime ambiental). A ação ocorreu dias antes do
segundo turno das eleições. Duda fazia parte do
comando da campanha da prefeita Marta Suplicy (PT), em São
Paulo.
"O
que me estranha é a PF se preocupar com uma rinha de
galo no período pré-eleitoral. Isso me parece
uma ação dirigida, que não é do
comando, é de agrupamentos internos. Ir atrás
de rinha de galo em vez de ir atrás do narcotráfico
e do contrabando de armas, em período pré-eleitoral?"
A ação na Caixa Econômica se refere à
apreensão de computadores e documentos durante a investigação
do contrato do banco com a multinacional GTech, que foi uma
ramificação do escândalo Waldomiro Diniz.
Na época, Luizinho criticou a ação da PF,
que entrou em atrito com a direção petista do
banco. Num discurso contraditório, o deputado ressalvava:
"Todas as ações da Polícia Federal
são por nós respaldadas. É determinante
neste governo o combate à corrupção, não
há por que ter alívio, ter proteção".
Recuo
Cerca de meia hora depois da entrevista coletiva, Luizinho foi
ao plenário da Câmara e desdisse tudo. Passou a
parabenizar a PF. "Essas ações [da PF] têm
atingido governadores e prefeitos do PT, o que demonstra não
haver um direcionamento político ou uma ação
coordenada e dirigida em relação aos atos empreendidos",
afirmou. "Tais ações de forma alguma podem
ser entendidas como um fator político de busca de desagregação
da unidade necessária da base aliada, da governabilidade
e da integridade das nossas ações."
As
declarações do líder do governo espantaram
deputados aliados e foram mote para os ataques da oposição.
"Acho completamente inexplicável e estranho que
o líder do governo faça pré-julgamentos
audaciosos e ofensivos a operações de uma instituição
sob o comando de pessoas nomeadas pelo presidente da República",
afirmou Custódio Mattos (MG), líder do PSDB.
Eunício
nega ligação com empresa.
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA
O
ministro Eunício Oliveira (Comunicações)
disse ontem, em Fortaleza, que a investigação
da PF sobre a Confederal "demonstra que vivemos num governo
extremamente transparente. Independentemente de quem quer que
seja e do cargo que ocupe, as investigações, as
diligências que são necessárias devem ser
feitas e é dessa maneira que eu quero que aconteça.
Se tiver algo, se tiver algum funcionário que tenha feito
algum tipo de desvio, que a opinião pública venha
a saber".
Eunício
foi a Fortaleza para a abertura do 10º Congresso Cearense
de Radiodifusão. Disse que "o importante é
que a verdade venha à tona, sem nenhum tipo de constrangimento
nem especulação", acrescentando: "Estou
muito tranqüilo em relação à denúncia,
porque não tenho mais nenhuma ligação com
a empresa".
Esse
também é o teor da nota divulgada pelo Ministério
das Comunicações, segundo a qual o ministro "está
afastado da direção e da gerência da Confederal
desde 30 de novembro de 1998, quando passou a se dedicar integralmente
às atividades políticas", e que, desde então,
a empresa adotou "uma linha de profissionalização
gerencial e administrativa". A nota diz que o ministro
"não sabia, nem deveria saber, da evolução
de quaisquer ações relativas à Operação
Sentinela" e que "ela transcorre na esfera da Polícia
Federal".
O
secretário-executivo do ministério, Paulo Lustosa,
disse que "a posição do ministro é
que tudo seja investigado com profundidade": "Ele
coloca todos os dados da empresa à disposição
da Polícia Federal e da Justiça para que haja
efetiva punição dos responsáveis. O ministro
tem todo o empenho em ver isso totalmente esclarecido".
Os advogados da Confederal e da Brasfort não quiseram
se manifestar por não terem tido acesso ao inquérito.
O gerente da Confederal Ênio Brião Bragança
não tinha advogado até a conclusão desta
edição e não quis falar. Robério
Bandeira de Negreiros Filho não respondeu aos recados.
Ministro
reclama de uso político da Polícia Federal.
DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
DO PAINEL, EM BRASÍLIA
O
ministro Eunício Oliveira (Comunicações)
reclamou com Márcio Thomaz Bastos (Justiça), José
Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação
Política) da operação da PF em sua empresa.
Bastos o orientou a soltar uma nota. Eunício reclamou
de perseguição política por parte de setores
da PF ligados ao PSDB, que gostariam de enfraquecê-lo
agora, quando os governistas do PMDB tentam adiar a convenção
do partido. O peemedebista Eunício disse aos ministros
que a operação atrapalha sua articulação
a favor do governo.
Dirceu
e Aldo falaram com Bastos, que disse a Eunício que fora
feito um "trabalho técnico". Criticado por
Dirceu, que vê setores da PF fora de controle, Bastos
reagiu com firmeza em conversa com o chefe da Casa Civil e com
o próprio Lula. Já Dirceu, que incentivou Professor
Luizinho (PT-SP), a atacar a PF, não teve perante Bastos
a reação dura que demonstrou a interlocutores.
Depois pediu que Luizinho recuasse. A Folha apurou que Bastos
fez o seguinte desabafo a amigos: "O problema do Zé
Dirceu é que, se ele não está aparelhando
a PF para atuar a favor dele, acha que alguém está
aparelhando contra ele". (KENNEDY ALENCAR E RAYMUNDO
COSTA)
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