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Informação:
Folha de São
Paulo - Dinheiro - 06/03/2005
Mídia
Elvira Lobato
Da sucursal do Rio
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reabrir o debate,
iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso, sobre a legislação
dos meios de comunicação. Segundo informação
da Casa Civil, já está com o presidente a minuta
do decreto que cria o grupo interministerial para redigir o
anteprojeto da lei de comunicação eletrônica
de massa. A legislação de radiodifusão
é de 1962.
Caberá
à Casa Civil coordenar o grupo de trabalho, segundo informou
à Folha o assessor especial para políticas públicas
de comunicação do ministro José Dirceu,
André Barbosa Filho.
Para
evitar que o projeto tenha destino semelhante ao de criação
de Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual),
que pretendia regulamentar a produção do setor
e naufragou sob um bombardeio de críticas, o grupo terá
um conselho consultivo com representantes de todos os segmentos
afetados.
""O
objetivo é construir o texto o com a sociedade. Aprendemos
com os erros cometidos pelo governo anterior e pelo atual. O
projeto da Ancinav foi uma experiência riquíssima,
e o presidente pediu que aproveitássemos toda a quilometragem
acumulada", disse o assessor.
O
governo avalia que o principal desafio da nova lei é
regulamentar as chamadas novas mídias, nascidas da convergência
entre a telefonia e a radiodifusão. O tema é considerado
árduo porque a tecnologia está em evolução
e vem despertando grandes conflitos de interesses.
Há
resistência das emissoras de televisão em aceitar
que as redes de infra-estrutura de telecomunicações
-que foram privatizadas sem limitação à
participação do capital estrangeiro- ocupem espaço
na produção de conteúdo de informação
e entretenimento.
Uma
evidência desse conflito é o projeto de emenda
constitucional apresentado em novembro do ano passado pelo senador
Maguito Vilela (PMDB-GO) para nova mudança no artigo
222 da Constituição Federal, que limita em 30%
a participação de capital estrangeiro nas emissoras
de rádio e televisão.
O
projeto do senador goiano estende a exigência de controle
nacional aos provedores de acesso à internet e a todas
as empresas de produção e de programação
de conteúdo, por qualquer meio de distribuição,
como fibras óticas, satélite, sistemas de cabos
e de microondas.
Segundo
o assessor da Casa Civil, o governo não tem proposta
preconcebida nesse campo, mas avalia que será preciso
discutir pontos historicamente polêmicos, como a propriedade
cruzada de meios de comunicação e a concentração
de mercado.
Um
dos pontos em pauta será o estabelecimento de limites
de concentração no mercado de TV paga com transmissão
via satélite. Com a fusão da Sky e da DirecTV,
iniciada no exterior, haverá monopólio do serviço
no Brasil, uma vez que a empresa que resultar da fusão
terá 95% do mercado de TV por satélite no país,
segundo o governo. A Casa Civil tem sido procurada por empresários
pedindo limite para a concentração nesse setor
das TVs por assinatura, que engloba ainda as TVs a cabo.
Vespeiro
Durante o governo FHC, houve três tentativas de criação
da lei de comunicação eletrônica de massa,
que morreram no nascedouro.
Em
1998, o então ministro das Comunicações,
Sérgio Motta, desenhou um anteprojeto de lei que transferia
à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
a competência sobre a radiodifusão. O projeto criava
limites para a propriedade cruzada: um mesmo grupo não
poderia ter, na mesma localidade, concessão de TV aberta,
TV paga e telefonia local. Com a morte de Motta, o projeto parou.
Em
2001, o ex-ministro Pimenta da Veiga propôs outro projeto,
que mantinha a radiodifusão sob alçada do Ministério
das Comunicações e derrubava os limites para a
propriedade de emissoras de televisão.
O
projeto foi bombardeado pelos ex-aliados de Sérgio Motta,
que qualificaram a texto de ""mesquinho""
e ""eleitoreiro".
A
terceira tentativa ocorreu no final de 2002.
O
então ministro das Comunicações, Juarez
Quadros do Nascimento, escreveu duas versões de anteprojeto
de lei, que também ficaram engavetadas.
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