| Informação:
Extraído de www.espacovital.com.br
- 25/01/2005
Uma rixa entre jornalistas acabou em pancadaria em Belém
do Pará. Na última sexta-feira (21), o jornalista
Lúcio Flávio Pinto foi agredido num restaurante
por Ronaldo Maiorana, diretor-corporativo das Organizações
Maiorana - que edita o jornal O Liberal e retransmite a programação
da Rede Globo de Televisão no Estado.
O
motivo da agressão foi um artigo ("O rei da quitanda")
publicado por Lúcio Flávio, em seu Jornal Pessoal,
com críticas à atuação política
do grupo de imprensa. As informações são
da revista Consultor Jurídico.
Maiorana teria se levantado da mesa onde estava e desferido
socos e pontapés no jornalista, pelas costas. “Como
uma pessoa pode se sentir estimulada a entrar num restaurante
lotado, onde está a sede da secretaria de Cultura, para
agredir um crítico seu? Ele estava querendo mostrar seu
poder diante de todos”, opina Lúcio Flávio.
O diretor de O Liberal, que é coordenador da Comissão
de Defesa a Liberdade de Imprensa da seccional paraense da Ordem
dos Advogados do Brasil, afirmou ao portal IG que "deu
apenas um tapa no pescoço do jornalista". Maiorana
também confirmou que ameaçou o jornalista de morte,
mas atribuiu o fato ao calor do momento: “Foi um erro
meu. Uma pessoa indignada fala uma série de besteiras”.
Veja abaixo, o artigo que causou a celeuma:
www.amazonia.org.br
- Amazônia
O
rei da quitanda
Por Lúcio Flávio Pinto em 18/01/2005
Fonte:
Jornal Pessoal
O
poder de Romulo Maiorana Júnior, o principal executivo
do maior grupo de comunicação do Norte do país,
contrasta com a situação de um Estado destituído
de informação, de opinião e de posição.
O grupo Liberal é mais poderoso do que o Estado no qual
atua. Mais do que um título, esse é um epitáfio:
o que lhe dá força é o que enfraquece o
Pará.
Aos
45 anos, Romulo Maiorana Júnior é um dos homens
mais poderosos do Pará. Exibe esse poder de várias
maneiras. Em duas semanas seguidas, entre o final do ano passado
e o início deste mês, ocupou páginas e páginas
de seu jornal, O Liberal, com fotos e mais fotos suas, registrou
seu repentino segundo casamento, o recebimento do título
de um dos líderes setoriais nacionais no setor de comunicações
(outorgado mais uma vez pelo jornal Gazeta Mercantil no "Fórum
de Líderes Empresariais") e uma visita exclusiva
ao Mangal das Garças, antes da inauguração
da obra pelo governo do Estado, como que para sacramentá-la.
Rominho
é jornalista, mas nenhum dos editoriais bissextos publicados
em O Liberal com sua assinatura foi escrito por ele. Falta-lhe
a mais remota das intimidades com as artes e ofícios
do jornalismo. Já viajou por meio mundo, mas não
fala uma língua além da que traça com alguma
dificuldade desde o nascimento. Não se conhece nenhuma
contribuição original do seu intelecto, na forma
de livro, palestra ou mesmo conversa informal.
Quando
se permite sair do seu círculo íntimo, contempla
os circunstantes com um ar blasé de enfado que nada tem
a ver com a iconoclastia do déjà-vu. É
desinteresse mesmo, ou alheamento. Conta-se que na jornada da
campanha Andando pelo Pará, em Santarém, depois
de subidas e descidas, vais-e-vens, fez sua primeira - e talvez
primal - observação com a pergunta: este rio é
o Tapajós? Ninguém fez pim-plim, mas bem que podiam
chamar os nossos comerciais. Ou fazer baixar o pano.
Está
aí, justamente, uma das fontes principais do poder de
Romulo Júnior: a TV Liberal é uma das afiliadas
da Rede Globo de Televisão. Essa conquista multiplicou
a força que a corporação tinha quando o
pai dispunha apenas de um jornal, já em carreira ascendente
contra dois concorrentes, a Folha do Norte pré-moribunda
e A Província do Pará claudicante. A retransmissão
das imagens da Globo era feita pela TV Guajará, de Lopo
e Conceição de Castro. Mesmo com todo trabalho
de aproximação que empreendeu junto a Roberto
Marinho, Romulo Maiorana pai não teria conquistado o
trunfo se não contasse com a imperícia do antigo
afiliado.
Na
época, RM não pôde proclamar a vitória.
Havia um veto não assumido dos militares dominantes ao
seu nome. Associavam-no a uma das expressões dos maus
hábitos políticos locais, de mãos dadas
com negócios escusos, que atraía o furor moralista
do regime estabelecido em 1964: o contrabando. Romulo tinha
ligações com esse mundo por suas duas vertentes:
o próprio contrabando e o pessedismo, centrado num homem
pessoalmente honesto, Magalhães Barata, o maior líder
político do Estado, cercado de corruptos por todos os
lados. Dea, viúva de Romulo, é sobrinha de Barata.
Por
isso, o novo afiliado da Globo teve que colocar sua TV Liberal
formalmente sob o controle de outras quatro pessoas. Três
lhe devolveram imediatamente a outorga de confiança quando
o veto dos militares (que nem queriam sair em fotografias ao
lado do cap das comunicações) foi extinto. Com
um, Romulo precisou negociar pacientemente, usando como intermediário
o principal dos seus advogados e um dos seus maiores amigos.
Limpo o caminho, ele foi se distanciando dos concorrentes, perdendo-os
de vista graças ao seu modo muito peculiar - e muito
eficaz - de administrar seus negócios, sempre neles reinvestindo,
ainda que pelo primado da imobilização em ativo
fixo, com poucas sobras para a qualificação de
pessoal.
Quando
morreu, quase 18 anos atrás, deixou aos herdeiros uma
empresa que liderava em todos os segmentos do mercado, com vantagem
sem igual na história das comunicações
no Pará, azeitada e com muitas reservas em caixa, além
de planos de expansão em pleno andamento, como era sua
característica: o crescimento em moto contínuo,
sem descanso. A doença fatal, embora cruel, deu-lhe tempo
para encaminhar a sucessão.
Ela
estava posta quase naturalmente: o mais velho dos dois filhos
homens, entre cinco mulheres, levava seu nome (mais uma garantia
da marca RM, que começou a imprimir no comércio
varejista de Belém) e já principiava, a enorme
distância dos irmãos, a secundá-lo quando
em vida. Romulo Junior parecia ter herdado o instinto do negócio,
uma das qualidades do pai, e um certo feeling pelo jogo político.
Mas parecia faltar-lhe experiência, assessoria e uma dose
de bom senso, de olhar autocrítico.
Houve
alguns momentos muito difíceis para o grupo Liberal depois
da morte de Romulo. Do ponto de vista operacional, a compra
de uma impressora sofisticada, mas superdimensionada para as
necessidades e características da empresa. Além
disso, com um inconveniente não detectado por ocasião
da compra: devido a sua dimensão, ela exigia que o jornal
se transferisse da sede, no centro velho da cidade, para novas
oficinas capazes de suportar a dimensão da máquina
e seu impacto quando em funcionamento.
O
novo prédio de O Liberal é uma das mais bem instaladas
sedes de jornal do país. Em particular, o gabinete do
principal executivo não tem paralelo com o de nenhum
outro publisher do país. É, de longe, o mais suntuoso,
do tamanho de um latifúndio - e com o mesmo significado
etimológico: muito espaço para pouco uso. O mesmo
qualificativo de suntuosidade Rominho espera ver aplicado à
mansão que está construindo no condomínio
fechado do Lago Azul, na saída da cidade, numa área
de cinco mil metros quadrados, mil deles construídos,
com requintes hollywoodianos.
Tudo
se tornou hiperbólico para Romulo Júnior. Ele
passou a exigir o máximo, a partir da constatação
de que seu poder aparenta ser ilimitado. Pode obrigar a justiça
a passar por cima das exigências do rito do casamento
civil e a Igreja a abrir mão de certas regras do preceito
religioso para não prejudicar a pompa e circunstância
de um matrimônio decidido a tempo e hora pelo rei, o noivo,
conforme regras que prescreve do trono.
Romulo
Júnior, porém, nos editoriais hebdomadários
que assina, atribui a fonte de seu poder ao próprio trabalho
(não exatamente matutino, muito pelo contrário),
à colaboração dos funcionários da
empresa (com os quais tem raros contatos) e à credibilidade
dos veículos de comunicação sob seu mando
principal (os seis irmãos são secundários;
um deles, a irmã mais velha, abriu mão de participar
da sociedade, vendendo sua cota de 7%, e a mãe antecipou
os direitos do primogênito masculino e do caçula,
Ronaldo).
Este
é o ponto que mais interessa, entre tantas histórias
paralelas. As pessoas acreditam no que publicam ou dizem os
veículos de comunicação do grupo Liberal?
Sem dúvida, acreditam (muitas também acreditam
no chupa-chupa, entidade extraterrestre ressuscitada na capa
da última edição dominical do jornal, com
direito a suíte no dia seguinte). Sem isso, os dois jornais
diários da casa (O Liberal e Amazônia Jornal) não
seriam lidos com exclusividade por 8 dentre 10 compradores de
impressos nem a emissora de televisão (em rádio
a situação não é a mesma, mas a
radiofonia é a mais delgada das fatias do bolo) teriam
as folgadas lideranças de que desfrutam.
Grande
parte dos consumidores que acreditam no produto dos veículos
Liberal acredita por falta de opção. O quase-monopólio
dos Maiorana cria um estado de inércia difícil
de romper: seus clientes não se sentem estimulados a
buscar sucedâneos, ou simplesmente essa alternativa não
existe para eles. No caso da TV, em função do
domínio arrasador da Globo. Em relação
à mídia impressa, porque nenhum competidor enfrentou-os
com o investimento requerido para derrubar uma situação
de décadas, nem o Diário do Pará, do deputado
federal Jader Barbalho, claudicante na profissionalização
e tímido no capital de risco.
O
fiel leitor e telespectador, que acredita no que lê e
ouve, está realmente sendo servido pela verdade? Tem
condições e capacidade de verificar a qualidade
do produto que lhe servem para não comprar gato por lebre?
Estas
perguntas precisam ser respondidas, principalmente em função
do domínio que o grupo Liberal exerce em Belém,
sem paralelo em qualquer outra capital brasileira. Em todas
elas a disputa é bem maior. Esse quase-monopólio
dá à empresa um poder sem medidas, do qual usa
e abusa, tanto sobre o público quanto sobre anunciantes
e os poderosos de ocasião, impondo-lhes suas condições
leoninas, interesses e caprichos.
Muitos
temem mais do que admiram o grupo Liberal. A empresa tem por
norma não publicar cartas consideradas inconvenientes,
nem que a justiça tente lhe obrigar a cumprir a lei (determinação
que raramente chega ao fim em eventuais processos). Além
disso, mata em vida aqueles que desafiam sua vontade. Uma vez
indexado, o desafeto jamais sairá nas páginas
de O Liberal ou na tela da TV Liberal. Para pessoas públicas,
isso pode equivaler mesmo à morte.
Por
isso, a controvérsia foi varrida dos veículos
da casa. Ela também não se interessa pela opinião
alheia. Exercita seu mando conforme as variações
de interesse. Nos momentos em que se negou a comparecer ao caixa
da corporação para atender a cobrança feita,
a Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa em atividade no
Estado, foi vítima de campanhas sistemáticas e
transformada no inimigo público número um do Pará.
Quando se curvou, recebeu os afagos devidos. Assim foi, sistematicamente,
até que a empresa, sob nova direção privada,
decidiu enfrentar o ultraje de ser levada às barras do
tribunal como má pagadora. O objeto da cobrança,
dessa vez, era uma duplicata, mas uma duplicata fria, ou seja,
sem endosso do emitente, não confirmada por ele. A CVRD
reagiu com uma ação de indenização
civil, além de contestar a cobrança indevida.
Parecia
que começaria uma guerra entre gigantes, mas tudo não
passou de mais uma batalha de Itararé, aquela que ficou
célebre por nunca ter havido. As ações
passam agora por um momento de inanição no fórum
de Belém. As partes fizeram libações noturnas
no Rio de Janeiro e apararam as arestas. As moedas da Vale voltaram
a tilintar no caixa do Liberal e a besta-fera de semanas antes
virou príncipe da responsabilidade social, etiqueta que
pode se transformar em gazua quando usada com responsabilidade
para inglês ver.
Foi
assim, antes, com a Rede Celpa e o Banco da Amazônia.
A Rede também tentou se livrar de patrocínio furado
ao grupo. Depois de saraivadas de matérias de denúncia,
seguiu o caminho de todos os anunciantes. O Basa foi ameaçado
com escândalos anunciados por ter veiculado apenas meia
página de balanço, que coube em três páginas
do concorrente. Mas quando publicou integralmente o balanço
seguinte, as operações nebulosas ficaram subitamente
solares e nunca mais se falou nisso. No recente escândalo
do Banco Santos, escândalo mesmo, o Basa se beneficiou
do silêncio obsequioso do grupo.
O
contraste é brutal e chocante para qualquer pessoa que
usa a memória como ferramenta de informação.
Num momento o acusado é fulminado com editorial de primeira
página, manchete de capa de jornal, como há muito
tempo não se pratica na imprensa em qualquer parte do
mundo. Parece que mereceu o ataque terrível por razões
substantivas. No entanto, uma vez cumprida a função
que lhe é atribuída, como anunciante, o tratamento
muda do vinagre para o vinho, sem qualquer explicação
ao distinto público, sem um mini-editorial (ou suelto)
que seja. O jornal pode mudar de opinião, mas precisa
explicar por que era contra antes e ficou a favor depois. Sem
essa salutar providência, a repentina transformação
pode ser creditada a interesses ocultos, escusos. Em linguagem
de rua, chantagem.
Foi
sempre assim numa publicação subterrânea,
o Jornal Popular, criado e recriado por Silas Assis. Mas esse
jornal era pouco mais do que um pé-de-cabra. Sua tiragem
costumava ser uma fração da anunciada, boa parte
dela distribuída gratuitamente, conforme o objetivo do
editor. Um mosquito diante do elefante. Os métodos, porém,
o aproximaram desse tipo de comportamento que o grupo Liberal
costuma ter quando seus interesses comerciais são contrariados.
A parte editorial passa a ser uma extensão a serviço
do comércio, sem a menor preocupação com
a coerência, a consistência e o direito de explicações
do público.
O
que sustenta o poder inquestionável de Romulo Maiorana
Júnior não é o porte do seu negócio.
Os Yamada, nesse ponto, são bem maiores. É a natureza
especial do seu produto, a informação. Para RM
Júnior, nos momentos de conflito, o que menos interessa
é se a informação é certa, mas se
é útil, se servirá aos seus propósitos.
O resto é vã filosofia, ainda que de filosofia
o personagem nada saiba.
Uma
empresa jornalística pode - e às vezes deve -
usar o caráter especial do seu produto contra adversários
que a agridem ou para alcançar objetivos legítimos.
O Wall Street Journal, segundo jornal em tiragem dos Estados
Unidos e de uma influência sem a menor possibilidade de
comparação com o segundo, o débil USA Today,
empreendeu, na década de 20, do século passado,
uma campanha contra a General Eletric, que era a maior empresa
americana e do mundo na época.
A
GE, contrariada por uma reportagem do WSJ, mas sem contestá-la
(por ser verdadeira), decidiu, em represália, cortar
a publicidade que fazia no jornal. A partir daí a poderosa
GE começou a conviver com um hábito indesejado:
ver todos os dias suas mazelas serem expostas no jornal, que
deslocou dois dos seus melhores repórteres para cobrir
a indústria em tempo integral. Mazelas reais, muitas
das quais desconhecidas pelo próprio board da GE, não
invenções ou chantagens, eram publicadas diariamente.
Incapaz de contraditar as acusações, a GE restabeleceu
a programação publicitária e o jornal voltou
a dar a cobertura rotineira à empresa.
Não
é esse o procedimento do grupo Liberal. Com seu jus império,
a empresa se tornou árbitro único do próprio
poder, independentemente do poder legalmente constituído
e até das boas regras de convivência. Sua relação
com Jader Barbalho, outro pólo de mando no Pará,
com origens semelhantes e desdobramentos que divergiram até
o antagonismo radical, é revelador desse modus operandi.
O
grupo Liberal participou, como nunca, sob os Maiorana, da eleição
de 1990. Apoiou Sahid Xerfan, candidato do governador Hélio
Gueiros, e pintou Jader como a quintessência de tudo que
não presta. Como de regra, perdeu a eleição
(essa tem sido a única forma de reação
aos Maiorana da opinião pública, protegida pelo
amálgama da vontade coletiva anônima). O nome de
Jader sumiu do noticiário da corporação.
Mesmo ao tomar posse do maior cargo público do Estado,
não recuperou seu nome: foi referido, em página
interna, como "o governador". Com os primeiros anúncios
legais (os editais), recuperou o nome próprio. Com os
anúncios institucionais, foi conquistando, sucessivamente,
foto, primeira página e a anistia incondicional. O ladrão
da véspera virara, ao som das caixas registradoras em
fúria, o estadista do dia. Mas até o dia de uma
nova cobrança sem retorno, quando raios voltaram a ser
disparados dos fundos do Bosque.
O
procedimento contra o pai se repete com o filho. Empossado prefeito
do segundo maior município paraense, Helder Barbalho
não existiu para O Liberal e TV Liberal nas festas do
dia 1º. Se não existiu para os Maiorana, não
existiu para o mundo paraense, que, sabendo das coisas pelos
veículos do grupo, sabe quase nada sobre si - e o dobro
sobre o mundo. É, de fato, um poder superlativo. Tanto
que, dizem os confidentes, o filho Barbalho pediu ao pai que
diminuísse a troca de tiros com os Maiorana para que
sua nascente carreira de prefeito não enfrente um caminho
cheio de espinhos, que os adversários - comerciais e
políticos - já lhe apresentaram. Dizem que Jader
atendeu o pedido e mandou desarmar um front, que fora municiado
como jamais havia acontecido desde que o império Maiorana
se consolidou, na década de 70, à base da unanimidade
compulsória.
Houve
alguma situação parecida na história anterior
do Pará? Em matéria de imprensa, só com
a Folha do Norte. Mas Paulo Maranhão, o dono do jornal
(sem uma arma formidável como a afiliação
à Rede Globo), precisava matar um leão por dia.
Não só na caixa registradora, administrada pelo
filho, João, mas, sobretudo, na redação.
Paulo Maranhão raramente assinava seus editoriais, artigos
e notas, mas todos eles saíam de sua fervente cabeça
e, pelo estilo, eram logo identificados por quem sabia ler.
Era o que dava legitimidade e grandeza ao seu papel. Pois se
o que distingue a mercadoria jornalística é sua
natureza subjetiva e especial, de informação,
saber o que constitui uma informação é
o que o autoriza a exercer o seu poder, para o bem ou para o
mal, mas com seu valor intrínseco. Paulo Maranhão
jamais iria a Santarém para perguntar se aquele rio lindo
que a banha é o Tapajós. Já sairia de casa
com a informação no bolso do colete.
Quando
o negócio da informação se reduz a uma
quitanda, o poder jornalístico se torna uma fonte de
poder pessoal, imenso para quem o exercita e absolutamente vazio
para todos os demais, e a informação, uma banana.
É o que, em boa medida, explica o estado de prostração
no qual o Pará se encontra, incapaz de entender seu drama,
por falta de informações, e submisso à
vontade do soba, que o manipula conforme seus caprichos.
O
poder enorme de Romulo Maiorana Júnior, solitário
e caprichoso, é a contrafação da impotência
do Estado no qual esse poder se nutre.
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