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Informação:
Direto
da Redação - 20/03/2005
Leila Cordeiro
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Não
entendo porque a maioria das emissoras de TV ainda investe pesado
nos chamados programas populares que, em nome da audiência,
vivem de explorar a desgraça humana.O que se observa
é que a notícia em si não têm muita
importância no contexto dos programas. O que importa é
a performance dos apresentadores. Eles gritam com voz estridente,
em tom agressivo e dizem o que lhes vem à cabeça,
sem nenhuma preocupação com a ética e/ou
com a concordância das palavras. Despejam na cara do telespectador
um palavrório denuncista, mas não a denúncia
séria que mereça a reflexão do telespectador.
É apenas uma estudada indignação, do tipo
"justiceiro" daqueles que se auto intitulam jornalistas
ou repórteres policiais.
É
um festival de cenas bizarras com apresentadores dando murros
na mesa, colocando o dedo em riste na lente da câmera
ao acusar e pedir providências ao governo ou dissertando
sobre assuntos sérios, como o avanço da criminalidade,
sem nenhum compromisso com a ética da informação
jornalística. A verdade é que esse tipo de apresentador
quando está comandando o programa sente-se o dono da
verdade e quer ser muito mais importante que a própria
notícia.
A
pergunta que se faz nessa hora é "onde está
o departamento de jornalismo dessas emissoras?". Pelo que
se sabe, todo programa caracterizado como jornalístico
deve passar pelo crivo dos profissionais especializadas no assunto
exatamente para coibir excessos ou atitudes irresponsáveis
que possam ocorrer .
O
que se sabe é que esses profissionais ganham salários
milionários e são disputados à tapa pelas
emissoras que, na busca incessante pela audiência, incentivam
esse tipo de jornalismo, chamado de popular, mas que, na verdade,
são escrachos populistas que não levam a nada.Nunca
se soube que alguma denúncia feita por esses programas
tenha sido levada a sério a ponto de ser apurada pela
polícia ou pela justiça.
Como
se não bastasse, os jornais informam que o telespectador
corre o risco de ver em breve mais um desserviço na programação
televisiva. A Rede TV ameaça contratar o casal barrado
no baile, Caroline Bittencourt e seu noivo, o empresário
Álvaro Garnero, para apresentarem um programa de variedades
de madrugada. As primeiras informações que circulam,
preconceituosas e elitistas, dão conta de um programa
com "dicas de consumo para as classes A e A+ e entrevistas
com gente muuuuito rica”. Por aí já dá
para perceber o nível da nova "atração",
não? Se a ameaça se consumar, nela com certeza
não haverá gritos e baixaria dos programas tipo
"mundo cão". Será um outro tipo de “trash”
, o do esnobismo de duas pessoas que não tem nenhuma
tradição ou credibilidade no assunto .
Ou
a Rede TV está de olho no dinheiro do empresário
ou pensa em aproveitar a momentânea fama dos dois que
estão no spotlight por terem sido personagens de um dos
maiores barracos do ano: o casamento de Ronaldinho com Daniella
Cicareli. O resto todo mundo está careca de saber porque
colunas e revistas de fofoca, e até os grandes jornalões
que deixaram um pouco de lado o noticiário sério,
abriram generosos espaços para repercutirem o "casamento
do ano". A coisa chegou ao nível de descobrirem
mais um dedo no pé da cinderela.
Pois
é. O telespectador continua sendo a grande vítima
da programação na TV aberta. De um lado, as novelas
com cenas de nudismo e sexo e histórias absolutamente
inverossímeis, mas que já têm um público
cativo difícil de mudar de canal. De outro, os demais
canais tentanto achar brechas na programação com
programas de baixo nível ou de gosto duvidoso. Felizmente,
as pesquisas indicam que a internet vem ganhando cada vez mais
espaço na preferência do consumidor, porque dá
a ele o direito de escolher o que quer ver e onde se informar
com segurança sobre o que está acontecendo. Graças
aos sites de informação e jornais on line.
Enquanto
isso, no país da TV...
Sobre
o autor: Começou
como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois
nas TVs Globo, Manchete, SBT e na CBS Telenotícias Brasil,
como repórter e âncora. É também
artista plástica e tem dois livros publicados.
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