|
Informação:
Portal
Imprensa - 16/02/2005
Diego
Antonelli, estudante da UEPG/PR
França
- 1819 a 1829 - os jornais tornam-se palcos para fofocas, troca
de desaforos ou de gentilezas e críticas pessoais. Infelizmente,
após anos, as semelhanças com o jornalismo mais
remoto permanecem.
Desde
a origem da profissão, os meios de comunicação
realizam acordos, agindo, assim, de uma forma manipulada o que
vem caracterizar um formato corrupto no meio jornalístico.
Estas são alguns dos pontos que Ilusões Perdidas,
de Honoré de Balzac, retrata, "desiludindo"
qualquer um que tenha a pretensão de seguir a carreira
jornalística.
Há
muitos jovens que entram para a profissão iludidos, confiando
que existe, de fato, completa veracidade e neutralidade por
parte dos profissionais, como é o caso do protagonista
da obra, Lucien Chardon. Mas, ao se depararem com o cotidiano
das redações ouvem soar "é meu caro,
você ainda tem ilusões" (p. 129), vindo de
algum colega de trabalho mais experiente, mostrando que o tom
das reportagens é regido por um forte jogo de interesses.
Em muitos casos o jornalismo torna-se publicidade, mascarada
com toda a ética que o jornalismo deveria expressar.
O
foca por ser, na maioria das vezes, ingênuo e inexperiente,
é explorado da maneira que mais convier aos proprietários
do meio em comunicação no qual ele trabalha, utilizando-o
para realizar reportagens que mais cause interesse, repercussão
e retorno financeiro ao meio e, se depender dos acordos realizados,
estes proprietários podem ser favorecidos de outras forma,
como, por exemplo, vir ocupar um cargo público.
Ao
abusar de seu talento em suas primeiras matérias, o jovem
iniciante provoca um certo temor por parte de redatores e de
repórteres mais experientes que passam a tratá-lo
como um rival e usam de todas as armas para impedirem seu crescimento
e reconhecimento no meio. Eles podem ser falsos amigos que,
quando tiverem oportunidade o traem, demostrando toda a inveja
que ronda o mundo jornalístico.
Se
este iniciante, que foi enganado sobre a profissão, aceitar
ser medíocre, ele terá grandes chances de subir
de cargo e salário na empresa jornalística pela
qual presta seus serviços. Isto se explica pelo fato
de seus superiores, ao perceberem que o novato aceita toda e
qualquer forma de reportagem, sentem-se à vontade para
utilizá-lo da maneira que eles querem e que siga, restritamente,
a linha editorial possuída como base das matérias
publicadas pelo jornal.
O
jornalista pode ser comparado a um acrobata que, devido ao problema
mercadológico imposto desde a criação da
profissão até o presente momento, deve redigir
suas notícias de uma maneira bilateral: "No fundo,
somos uns grandes enroladores" (p. 175). Se determinada
pessoa sofreu uma forte crítica deve, após algum
tempo, receber algum elogio, para que não cause uma má
impressão do meio de uma forma definitiva, o que deixa
caracterizado a hipocrisia que existe na profissão. O
repórter pode, com papel e caneta em mãos, destruir
ou elogiar aquilo que repercutir do modo que caracterize o interesse
do jornal.
Há
casos, para que cause venda do jornal, em que são inventadas
determinadas notícias, causando sensacionalismo e repercussão,
afirmando que as artimanhas políticas e trapaças
estão inseridas na carreira jornalística. Da mesma
maneira que os acordos, já citados, que demonstram que
a corrupção também assola, não somente
a política, mas também o jornalismo, este fato
fica mais evidente nos meios de comunicação da
chamada "grande mídia", tanto na França
do século 19 como no Brasil do século 21.
Com
o tempo os jornalistas podem deslumbrar-se com o poder que a
mídia exerce em cada cidadão, o que pode causar
o fim de sua carreira, pois, quase sempre, perderão a
noção de bom senso e lucidez, agindo, ainda mais,
sob sua própria pretensão.
O
jornalismo dança conforme a música em muitos casos.
O meio de comunicação ou o próprio repórter
mudam de postura política ou social por acordos que possam
lhes favorecer mais, deixando evidente a sujeira que engloba
este campo de trabalho. Existem, sem dúvida, locais de
trabalho que respeitam um pouco mais a ética que a profissão
deveria seguir, pesquisando e evitando inventar ou, até
mesmo, deixando de apontar hipóteses, apenas certezas
ou "quase certezas"; porém estes meios são
escassos.
Os
jovens que desejam seguir esta profissão devem, ao menos,
amenizar esta prostituição que se tornou o jornalismo.
Diminuindo o interesse mercadológico que impera neste
meio, a fim de que se torne uma forma humanizada de apontar
o que interessa à população e não
a si próprio. E como escreve o próprio Balzac,
"sejamos éticos, não vamos nos vender por
alguns livros ou entradas de teatro. Vamos restaurar o jornalismo"
(p. 188).
|