| Informação:
Direto
da Redação - 22/12/2004
Eduardo Graça
O
ano chega ao fim com uma série de notícias ruins
para os que apostavam na diminuição da importância
da internet como um meio estratégico no milionário
mundo da informação. Em sua pesquisa bianual,
o Instituto Gallup acaba de anunciar que a única fonte
de notícia que aumentou seu público leitor nos
dois últimos anos aqui nos Estados Unidos foi a Internet.
O Gallup mostra que as maiores baixas de audiência, neste
ano que passou, foram registradas nos canais de televisão
regionais e nos jornais locais. É a força das
corporações, cada vez mais presentes em um negócio
sufocante e comandando pelos mesmos grupos. A mídia eletrônica
não escapou do fenômeno. No mesmo momento em que
o Gallup informava que 20% da população norte-americana
se mantém informada preferencialmente através
dos noticiários que inundam a internet (contra 5% em
1995), o tradicional The Washington Post anunciava a compra
da revista Slate (www.slate.com), da Microsoft, pioneira no
universo on-line, por alguns milhões de dólares.
A
família Graham, que também controla a revista
semanal Newsweek, está de olho nesta audiência
de cerca de 58 milhões de pessoas que diariamente acompanha
do computador o que acontece de mais interessante mundo afora.
A Slate é uma espécie de prima pop da Salon, sem
pretensões intelectualóides, e conta com um interessante
grupo de colaboradores, como Franklin Foer, editor da The New
Republic e autor do recente "How Soccer Explains The World".
Em entrevista para o NoMínimo, Foer, que lançou
seu livro pela Harper Collins, braço editorial do grupo
de empresas do magnata Rupert Murdoch, regente do império
conservador da Fox, me disse em agosto que, cada vez mais, "é
profissionalmente impossível evitar as grandes corporações.
Mais dia, menos dia, todos nós, inclusive você,
estaremos trabalhando para elas".
De
acordo com o memorando anunciado pelos manda-chuvas do The Washington
Post, Foer pode dormir tranqüilo. Nenhuma mudança
editorial será feita na Slate, que acabara de comemorar
oito outonos em sua sede em Seattle. A edição
segue sob a batuta de Jacob Eisberg e não haverá
redução, ao menos inicialmente, no corpo de 30
jornalistas fixos da revista. Desde julho o jornalão
da capital tentava abocanhar a Slate, e teve entre seus concorrentes
diretos o The New York Times, que chegou a fazer sua proposta
- também não-divulgada oficialmente, como a do
Post, mas também na casa dos milhões de dólares
- para anexar a revista de Bill Gates. Mas os sinais de que
o Post viria a abocanhar a revista ficaram claros já
em setembro, quando Melinda Gates, a senhora Bill, sentou cadeira
no corpo de conselheiros do jornal dos Graham.
A
Slate tem uma visitação diária média
que varia entre 4,8 e 6 milhões. O site do The Washington
Post conta com uma média de 4,5 a 7 milhões de
leitores todos os dias. A incorporação da Slate
ao catálogo do jornalão pretende incrementar este
número nos dois lados do negócio. Detalhe final
que o dá que pensar: a Slate nunca deu lucro algum à
Microsoft. Pelo contrário, trata-se de negócio
deficitário. Seu valor, o tal estimado em milhões
de dólares, é medido em prestígio. Não
por acaso as ações do Post, negociadas a US$ 26,95
até segunda-feira, hoje valem algo em torno de US$ 960.
Um Feliz Natal e bom Ano Novo para todos vocês que, como
o colunista, não possui ações do Post.
Quem as têm, certamente, já reservou seu pacote
de comemorações de fim de ano em algum resort
exclusivo no Caribe. Até 2005.
Sobre
o Autor: Foi repórter do Jornal do Brasil. O
Dia, Estado de São Paulo e Valor Econômico. Em
TV, foi editor, roteirista e repórter dos canais Brasil
e Multishow. Vive atualmente em New York onde colabora para
jornais e revistas brasileiros.
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