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Informação:
Comunique-se
- 17/03/2005
Ana
Maria Bahiana
Estava eu pesquisando e anotando, me preparando para um seminário
do qual vou participar, na OAB, mês que vem (I Seminário
de Direito de Entretenimento, veja aqui)
quando leio, no Blue
Bus, uma pesquisa do Project for Excellence in
Journalism, da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia.
Em miúdos, a pesquisa afirma que os jornais americanos
ainda são a fonte de notícias "densas e equilibradas",
mas estão perdendo leitores em ritmo constante a cada
ano. Segundo o documento, intitulado “The State of the
American News Media, 2005”, a circulação
dos jornais diários nos EUA cai cerca de 1% ao ano desde
1990 e manteve essa taxa em 2004. E conclui: "Os jornais
precisam se ver no negócio de notícias e não
no negócio do papel e da tinta”.
Ora
se este não é o pano de fundo ideal para as minhas
reflexões! Mesmo com um título (e um ângulo,
calculo) voltado a advogados e estudantes de direito, o seminário
debaterá, em essência, que negócio resta
quando se retiram dos suportes da informação a
nobreza e a desejabilidade que um dia tiveram. Discutiremos
música e não disco, audiovisual e não película
cinematográfica. Tentaremos descobrir que novos caminhos
são possíveis até que se consume a - inevitável,
creio - transição para uma cultura onde a informação
será, enfim, plenamente desencarnada. Livre do meio,
o que restará da mensagem?
É
assunto que já foi discutido aqui, e que, apropriadamente,
se recusa a ir embora. Um eco dessa conversa está em
outra ponta - na discussão entre a Casa Branca e o Government
Accountability Office (GAO), espécie de auditor das contas
do executivo americano. A respeito dos famigerados vídeo-releases.
O GAO quer saber por que dinheiro público (e muito!)
foi gasto em propaganda disfarçada de informação.
A Casa Branca diz que o GAO não tem nada com isso, e
que os uso do video-release é mais antigo do que macaco
gostar de banana.
E
de fato - onipresente e quase onipotente, o vídeo-release
(ou o release, puro e simples) é a deidade das mídias
contemporâneas, de costura tão exata e bem-feita
que nós o engolimos diariamente sem nem perceber. Não
exatamente os de George e sua turma (embora eu suspeite o contrário…)
mas de quase todas as outras áreas, de entretenimento
à ciência, de esportes a negócios.
Eis
um dos efeitos colaterais desta inexorável degradação
dos suportes físicos da informação: o canal
distribuidor torna-se mais poderoso que o conteúdo, o
conteúdo se banaliza, o conteúdo passa a ser qualquer
coisa, porque o conteúdo é tudo, está em
toda parte, com cada vez menos controles de qualidade, comportas,
intermediários, mídias. Vemos propaganda achando
que é informação e publicidade pensando
que é divertimento. Tudo é conteúdo, tudo
é mensagem, pipocando de um pólo ao outro de um
universo sem fronteiras. Aparentemente livre, mas, com certeza,
controlado por quem tem a ganhar com ele.
Não
creio que isso seja nem permanente (mas o que é?) nem
inevitável - seria mais uma fase, um choque de adaptação,
uma etapa na dança das cadeiras em que as mídias
se tornaram. Não ouso pensar no que vem depois.
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