O
monopólio do IBOPE.
Informação:
RA RADIO AGÊNCIA
- 03/08/2004
Gilberto
Souza
Folha
de SP, 14 de julho de 2004; “Sem SBT, Datanexus deve fechar
as portas”. A situação é idêntica
a que vivenciei há quase 10 anos. Sem a Transamérica,
última remanescente de uma até então promissora
lista de clientes, o DataFolha jogava a toalha, deixando as
pesquisas de audiência de rádio aos cuidados exclusivos
do IBOPE. Sim, o IBOPE detém o monopólio na Grande
São Paulo. E daí? Isso é bom ou ruim?
Nem
é bom, nem ruim: é necessário que seja
assim. Por muitos anos acreditei que a entrada de um outro instituto
pudesse aprimorar as pesquisas para o rádio. Hoje, entendo
que o mercado não suportaria duas fontes de informação.
Como as agências programariam uma emissora que estivesse
em primeiro lugar por um instituto e em terceiro por outro?
Qual deles seria o parâmetro?
Esta
situação nos remete às pesquisas eleitorais.
Vários institutos fornecem diferentes resultados. Ocorre
que, numa pesquisa eleitoral, existirá um fato concreto:
as eleições. Neste dia, o desempenho dos institutos,
ao longo da campanha, poderá ser comparado. A partir
daí, os que acertaram mantêm a credibilidade para
o próximo pleito. E neste processo de seleção
natural, DataFolha, Vox Populi e o próprio IBOPE sobreviveram
com louvor. Mesmo assim, é recomendável que os
resultados de cada instituto sejam avaliados separadamente,
pois cada um segue metodologia própria.
A
pesquisa de mídia não tem reta de chegada. Não
temos, como na pesquisa eleitoral, um fato concreto que permita
o comparativo de resultados. Quando uma emissora de rádio
produz um programa, realiza uma promoção ou um
show, espera ver o resultado deste suor refletido já
na pesquisa do IBOPE do mês seguinte. E quando este resultado
não vem? Duas são as hipóteses: ou o resultado
ainda virá (posto que a pesquisa detecta o hábito
de consumo de rádio, que se altera de forma gradativa),
ou as ações foram feitas de forma equivocada.
Contudo,
é preciso que se encontrem razões que vão
além da desqualificação do IBOPE. O árbitro,
às vezes, erra e interfere no resultado do jogo, mas
é impossível se conceber uma partida de futebol
sem que haja confiança em seu trabalho. Da mesma forma
é a pesquisa de rádio. Não podemos acreditar
no IBOPE apenas quando a rádio que defendemos aparece
bem colocada.
A
verdade inescapável é que o IBOPE é o único
instituto que se propôs, e continua se propondo, a elaborar
ferramentas para que possamos estudar e vender o rádio.
Nosso inconfessável desejo de ver outro instituto, entrando
na concorrência e arranhando o monopólio do IBOPE
, tem muito a ver com a postura olímpica de alguns de
seus profissionais. Empatia é a palavra-chave do bom
atendimento e há quem se esqueça disso lá
dentro.
Porém,
lançar campanhas do tipo “você já
foi entrevistado pelo IBOPE ?”, é assassinar a
própria história da emissora que a veicula. Pior:
é obnubilar os seus próprios medos e fraquezas.
E
já que o IBOPE é um monopólio, então,
que fazer?
1.
Ao receber os resultados, verifique se a pesquisa de rádio
está dentro de um padrão de normalidade. Às
vezes, os bancos vêm com erros que podem ocasionar reprocessamentos;
2.
Explore toda a potencialidade da ferramenta adquirida. Se bem
utilizado, o EasyMedia2 trará informações
preciosas para o aprimoramento do conteúdo artístico
e promocional de sua emissora. O RadioPlanning, por sua vez,
poderá apresentar simulações em que sua
emissora apareça em situações comerciais
bastante vantajosas;
3.
Respeite a liderança da concorrência. Afinal, temos
um campeonato a cada mês (ou de tempos em tempos, como
nas praças especiais) e muitas emissoras podem ganhá-lo.
O mercado convencionou considerar líder geral a emissora
que estiver à frente na faixa todos os dias, entre 5
hs e meia-noite, entretanto, existem outros segmentos em disputa;
4.
Não recalcule os resultados de audiência para apresentá-los
ao mercado. Não isole sua audiência mensal, a menos
que para controle interno. Seja ético. Afinal, muito
mais importante que sua emissora, é o seu negócio:
o rádio.
5.
Os itens 1 e 2 exigem estudo, dedicação e tempo.
Sem isto, joga-se dinheiro fora. E como são caras as
pesquisas do IBOPE !
Opiniões
sinceras e isentas de intenções políticas
nem sempre conquistam a unanimidade, mas são as únicas
capazes de formar conceitos e construir um debate sério
a respeito do rádio.
Até
a próxima
Gilberto
Souza é advogado e diretor da AB 25+ Pesquisas e Estratégias
de Mídia, empresa especializada na área de consultoria
para emissoras de rádio e empresas de comunicação.
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