| Informação:
Observatório
da Imprensa - 26/04/2005
Walter
Lima (*)
O
Grupo de Trabalho da História da Mídia Digital
reuniu 20 pesquisadores de cinco estados brasileiros (São
Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Tocantins),
representando nove universidades, no III Encontro da Rede Alfredo
de Carvalho, realizado em Novo Hamburgo (Feevale/RS), entre
os dias 14 e 16 de abril de 2005.
O
GT teve a inscrição de 13 trabalhos, aumento de
160% no número de papers apresentados em relação
ao evento do ano passado, sediado em Florianópolis (UFSC/SC).
A diversidade dos objetos e temas pesquisados revelou que o
grupo está se consolidando por meio de um perfil multidisciplinar,
pois realiza cruzamentos dos conhecimentos adquiridos em outras
áreas da ciência, como a de Exatas e Biológicas,
além de fortalecer o principal objetivo do GT: criar
uma consciência conservacionista, ou seja, escrever a
história do cotidiano digital. "O GT deve preservar
a memória para ir construindo a história",
afirma o coordenador nacional e idealizador da Rede Alcar, o
professor José Marques de Melo (USP/Umesp).
Papers
A
mestranda em Comunicação e Informação
pelo PPGCOM Fabico/UFRGS, Ana Maria Brambilla, apresentou a
"Reconfiguração do tempo e do espaço
midiáticos pela digitalização da sociedade"
que reconstitui, em um esboço, os últimos 20 anos
do cenário histórico-social onde ocorreram mudanças
comportamentais estimuladas pelos avanços tecnológicos,
a partir do redimensionamento das grandezas de tempo e espaço
nos processos de comunicação digital.
Já
um resgate bastante importante foi realizado por Celso Galli
Coimbra (advogado e fundador do grupo Biodireito-Medicina online)
e Cláudia Viviane Viegas (doutoranda em Engenharia e
Gestão do Conhecimento (UFSC) e professora do Centro
Universitário Feevale). Com o paper "De e-groups
a website: a trajetória de Biodireito-Medicina, trabalho
de comunicação alternativa que desafia o agenda
setting e é referência entre tratadistas do Biodireito",
a dupla de pesquisadores descreveu a trajetória de um
processo de comunicação via Internet, em Biodireito
e Medicina, que teve seu início valendo-se da ferramenta
de grupos de e-mails (e-groups), em janeiro de 2000. O espaço
digital discute os critérios declaratórios de
morte encefálica para efeito de transplante de órgãos
humanos.
"A
TV na Internet: Convergência e a Fusão de Mídias"
foi o trabalho apresentado por Domingo Glenir Santarnecchi ,
assessor de imprensa da Faenac/SP e apresentador da It´s
TV. Ele revela que a primeira televisão criada exclusivamente
para a enternet na região do Grande ABC foi a It’s
TV, com sede na cidade de São Caetano do Sul e que surge
da reunião de todas as mídias em uma só
e tira proveito da sinergia e interatividade da tecnologia digital
disponível, "conceitos já utilizados no Japão,
Estados Unidos e Alemanha, entre outros países, para
criar uma mídia diferente", afirma.
Preocupada
com as notícias em tempo real, a coordenadora de Atividades
Interdisciplinares dos cursos de Comunicação Social
da PUC Minas Arcos, a profa. dra. Filomena Bomfim apresentou
o paper "As seções de tempo real abrem espaço
para um novo conceito de jornalismo?" que versa sobre necessidade
da reflexão critica a respeito das práticas midiáticas
vigentes no ciberespaço - mais precisamente no campo
do jornalismo on-line – as quais tendem a fazer circular,
em âmbito universal, um volume avassalador de informações.
Nesse trabalho, fruto de uma pesquisa de doutoramento, nomeia-se
esse fenômeno de "abundância informacional".
A
docente também apresentou o trabalho "Um estudo
comparativo das notícias do MST nas versões online
dos jornais Estado de Minas e Estado de S.Paulo, realizado em
conjunto com a acadêmica Mariângela Albuquerque
de Oliveira Guimarães, que analisou as notícias
do MST nas versões on-line dos dois veículos,
no que se refere aos links e análise do discurso.
A
intenção foi verificar se os links realmente ampliam
e contextualizam a notícia, envolvendo-a numa teia de
relações ou se provocam apenas uma abundância
de informações desconectadas, impedindo a reflexão
e a crítica do leitor.
Já
a contribuição da pesquisadora, oriunda da área
de Exatas e mestranda em Comunicação, Ivone Matiko
Ivassaki (Unimar/SP), foi sobre os avanços tecnológicos
e a velocidade do transporte da informação como
o paper denominado "As características de um jornal
on-line".
Realidade
virtual
O
pesquisador Juciano de Sousa Lacerda (IELUSC) contribuiu com
o paper "A processualidade dos dispositivos tecnomediáticos
na abordagem do fenômeno da tecnointeração".
O professor do Curso de Comunicação e pesquisador
do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom),
no IELUSC, em Joinville (SC), discute os dispositivos tecnomidiáticos
retomando a noção de interface na pesquisa e apontando
a midiatização e a mediação como
processualidade. Por fim, o trabalho faz uma tentativa de localizar
o conceito de processos midiáticos como lugar de compreensão
dos fenômenos tecnointeracionais ao discutir as tecnologias
informacionais enquanto dispositivos que produzem e reproduzem
o social e possibilitam a interação social.
A
estudante de jornalismo da Universidade Católica de Pelotas,
Maria Clara Aquino, apresentou um estudo denominado "Um
mapeamento histórico do hipertexto", que mostrou
um histórico do surgimento e do desenvolvimento do hipertexto,
comparando a sua atual aplicação nas páginas
Web com a sua noção básica formada em séculos
passados. A universitária também confrontou os
projetos que utilizam como base a construção coletiva
do hipertexto, no intuito de resgatar os propósitos inicias
deste tipo de escrita.
Interessante
e pertinente, o paper "Realidade Virtual, do Sensorama
a Caverna Digital", exposto pelo mestrando em Comunicação
Social (PUCRS), Vagner de Carvalho Silva, fez questão
de deixar de lado o debate constante sobre o real e o virtual
e realizou um levantamento do caminho que vem sendo trilhado
pela utilização da Realidade Virtual. O estudo
aponta algumas utilizações, condições
para a mesma, e ainda, algumas pesquisas realizadas, além
de registrar os primeiros experimentos até os mecanismos
utilizados no Brasil atualmente.
O
IV Encontro da Rede Alcar será realizado em 2006, em
São Luis (MA) e já estendemos o convite a todos
os pesquisadores na área da História da Mídia
Digital.
(*)
Coordenador do GT da História da Mídia Digital
e doutor em Jornalismo Digital pela ECA/USP
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