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Informação:
Observatório
da Imprensa - 08/02/2005
Laurindo
Lalo Leal Filho
Publicado
originalmente na revista Educação (www.revistaeducacao.com.br)
A
Globo possui uma versão muito particular da história
da televisão (e do país) que, muitas vezes, não
bate com a realidade. Assistida pela maioria da população
diante da falta de alternativas, a emissora nunca conseguiu
transformar audiência em simpatia. Os vínculos
com a ditadura, as distorções jornalísticas,
a aposta no consumismo exacerbado, o desrespeito com a infância
e o ufanismo ridículo no esporte são marcas difíceis
de serem apagadas.
Parece
haver agora uma política para mudar esse quadro e reescrever
a história. É ai que mora o perigo. São
várias ações no mesmo sentido: seminários,
manifestos, livros. Na PUC de São Paulo, uma universidade
de tradições democráticas, marcada pela
luta contra a ditadura, a Globo realizou um seminário
supostamente em defesa da cultura brasileira. O que se defendia
na verdade, com a repercussão do evento, era o controle
da veiculação de conteúdos audiovisuais
pelas empresas de telefonia, uma ameaça ao império
da Globo.
D.
Lily resume
Ação
semelhante ocorreu durante a 4ª Cúpula Mundial de
Mídia para Crianças e Adolescentes, realizada
no Rio de Janeiro em 2004. Não houve praticamente nenhuma
mesa importante em que um representante da empresa não
estivesse presente defendendo os compromissos da Globo com aquelas
faixas etárias. Alguns foram vaiados, outros apenas provocaram
risos.
Mas
o pior está nos livros. A pretexto dos 35 anos do Jornal
Nacional, a Globo lançou um de mais de 400 páginas
tentando limpar a barra do telejornal. Fez como o Chacrinha,
quando dizia não ter vindo para explicar e sim para confundir.
Só que, diferente do Velho Guerreiro, o livro tem pretensões
à seriedade. Nega, distorce e parcializa versões
de episódios conhecidos e comprometedores para a veracidade
do seu jornalismo. No caso mais célebre, onde é
impossível dizer que não favoreceu Collor na edição
do debate com Lula em 1989, junta depoimentos conflitantes e
aponta para alguns subalternos que seriam os responsáveis
pelo deslize. Entre tantos entrevistados o livro esqueceu de
um, Paulo Henrique Amorim, funcionário da Globo na época
que não reluta em dizer de quem foi a ordem de dar "tudo
o que fosse bom para o Collor, e tudo o que fosse mau para o
Lula": Roberto Marinho.
Bajulatório
e repleto de erros factuais chegou também às livrarias
a biografia do próprio Roberto Marinho, escrita por Pedro
Bial e o mais inofensivo da trilogia: "Roberto & Lily",
uma história de amor entre milionários, bem ao
sabor da revista Caras, escrita pela viúva do dono da
Globo. Muito mais importante que o livro foi a frase dita pela
autora na ocasião do lançamento: "O Roberto
colocou ele (Fernando Collor de Mello, na Presidência)
e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou". Em poucas
palavras a rica viúva pôs por terra a autodecantada
imparcialidade do jornalismo global. Vão ser necessários
muitos outros livros para explicar que não foi bem isso
o que ela quis dizer.
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