| Informação:
AESP - Associação
de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 25/04/2005
O
Estado de S.Paulo Link - Rádio
Renascimento
do meio de comunicação recebe toda a atenção
na NAB 2005, principal evento de rádio e televisão
dos EUA
Ricardo
Anderáos
Com
mais de um século de idade, o rádio, vovô
dos meios de comunicação eletrônica, foi
destaque da NAB 2005 em Las Vegas. Promovida pela National Association
of Broadcasters, a associação das emissoras norte-americanas,
a NAB é o principal evento mundial na área de
televisão e rádio. Nos últimos anos, o
impacto da internet e da TV de alta definição
vinha monopolizando as atenções por aqui. Mas
esta edição foi diferente. A NAB 2005 será
lembrada como um marco do renascimento do rádio.
Pouco
antes da abertura do evento, o comitê técnico que
regulamenta os serviços radiofônicos nos EUA anunciou
a definição do padrão norte-americano de
rádio digital. Graças a ele, as rádios
do país poderão transmitir até três
programas simultaneamente, na mesma freqüência em
que operam hoje. E cada um deles levará, além
do som de melhor qualidade, textos e imagens sobre as músicas
ou notícias exibidas. Assim, o rádio se transforma
num veículo de comunicação multimídia.
Paralelamente,
a Motorola lançou em seu estande um serviço que
combina rádio, celular, internet e rede sem fio Bluetooth.
Batizado de iRadio, a novidade faz do celular um misto de walkman
e media center. E pode sepultar de vez o namoro entre Motorola
e Apple para a produção de telefones compatíveis
com o tocador de música digital iPod. Tudo isso mostra
que a invenção de Guglielmo Marconi tem boas chances
de continuar sendo o meio de comunicação com maior
penetração junto ao público, mesmo no século
21.
A
transição do rádio analógico para
o digital foi destaque desde a abertura do evento. Eddie Fritts,
presidente da NAB, afirmou que essa mudança "vai
trazer som com qualidade de CD para as estações
FM. As estações AM terão qualidade equivalente
às FMs de hoje. E ainda vai sobrar espaço para
oferecer novos e excitantes serviços para nossos ouvintes".
Fritts jogou algumas farpas para jornalistas que vêm chamando
o rádio tradicional de ultrapassado, diante do crescimento
das emissoras via satélite. Hoje, nos EUA, já
há 4,5 milhões de assinantes de rádio via
satélite.
O
sistema digital adotado nos EUA chama-se Iboc (sigla de in-band
on-channel). Ele permite que os atuais aparelhos de rádio
analógicos continuem recebendo os sinais normalmente,
mesmo depois que as emissoras passarem a transmitir sinais digitais.
Eles não vão se beneficiar da melhoria na qualidade
do som ou dos serviços de texto e imagem. Mas poderão
continuar ouvindo a programação normal.
Hoje
há cerca de 14 mil estações de rádio
nos EUA. Mais de 300 já vêm transmitindo os sinais
digitais, mesmo antes de sua homologação. Outras
2 mil já fecharam acordos para a compra dos novos equipamentos.
SP
pode ganhar emissora digital experimental
Executivos
das principais emissoras de rádio paulistas, presentes
à NAB 2005, tiveram reuniões em Las Vegas com
representantes do governo norte-americano, fabricantes de equipamentos
e a empresa que detém os direitos do sistema de rádio
digital adotado nos EUA. Sua intenção é
conseguir apoio para a montagem de uma emissora digital experimental
em São Paulo. Essa estação experimental
não serviria apenas para colocar técnicos e profissionais
de rádio brasileiros em contato com a nova tecnologia,
mas também para acelerar as discussões sobre a
adoção do padrão brasileiro de rádio
digital dentro da Anatel, a agência brasileira de telecomunicações.
A
definição do padrão de TV digital no Brasil
se arrasta há anos, e está enveredando pela criação
de um sistema próprio, diferente dos existentes nos EUA,
Europa e Japão. O mercado espera que, no caso do rádio,
o processo tenha maior velocidade e menor "criatividade",
já que a criação de um padrão diferenciado
atrasa a adoção da nova tecnologia e encarece
os equipamentos que devem ser adquiridos pelas emissoras e pelos
consumidores.
Os
encontros contaram com a mediação de John Harris,
conselheiro do Departamento do Comércio do governo dos
EUA. Neles os executivos das emissoras paulistas buscaram apoio
da iBiquity Digital Corporation, que detém os royalties
do sistema. Fabricantes desses equipamentos, instalados no Brasil,
já concordaram em cedê-los. Tudo agora depende
da iBiquity.
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