Informação:
TELA VIVA News - 07/07/2004
O
documento com sugestões de "valorização
da produção cultural brasileira" entregue
pela Rede Globo e pela PUC-SP ao presidente Lula e aos ministros
José Dirceu (Casa Civil), Eunício de Oliveira
(Comunicações), Juca Ferreira (interinamente ministro
da Cultura) e diversas outras autoridades na terça, 6,
é um marco na briga territorial entre televisão
e empresas de telecomunicações, que tende a se
acirrar daqui para frente. Fica clara no documento a maneira
com que o maior grupo de mídia do país pretende
marcar posição junto ao governo em relação
ao avanço das empresas de telecomunicações
nos serviços de oferta de conteúdo que podem ser
caracterizados como comunicação social.
O
documento entregue pela Globo diz que "com o avanço
tecnológico as barreiras entre esses dois tipos de empresa
(de telecomunicações e de comunicação
social) deixaram de existir, sem que a legislação
acompanhasse essa nova realidade". Diz ainda que "as
empresas de telecomunicação fazem conteúdo
à margem do aparato regulatório aplicável
às empresas tradicionais de comunicação
social". Segundo o documento, as teles veiculam conteúdos
produzidos sem qualquer vinculação com a "cultura,
a diversidade e as necessidades nacionais e regionais e apenas
comprometidas com os hábitos e padrões de consumo
dos seus países de origem e a estratégia de negócio
de seus controladores". O texto entregue ao presidente
cita a evolução da Internet, da banda larga e
da telefonia celular e explicitamente diz que "as empresas
de telefonia estão usando os seus meios de distribuição
para também fazer comunicação social".
Tudo poderá ser carregado por uma única infra-estrutura,
diz o documento, mas "o problema é que, no Brasil,
essa infra-estrutura foi quase completamente desnacionalizada",
ressalta o texto.
Problemas
na lei
A Globo lembra de vários vácuos legais que há
anos são apontados pelos estudiosos de políticas
de comunicação. No documento entregue ao governo,
o grupo diz que "os marcos legais para a comunicação
social, no Brasil, derivam da Constituição de
1988, quando não havia telefones celulares, Internet
e fluxo de dados transfronteiras na diversidade e intensidade
atuais". Em função disso, diz a Globo, a
Constituição de 1988 trata basicamente de dois
temas: "a cultura como ativo a ser protegido e fomentado
pelo Estado e a regulação das empresas jornalísticas
e de radiodifusão, que eram os únicos meios existentes
na época para veiculação dos conteúdos
de jornais impressos, rádios e TVs".
Vale
lembrar, contudo, que foi o lobby das empresas de mídia
no Congresso que impediu, na Constituição de 1988,
um texto mais abrangente para a comunicação social.
Naquela
ocasião, o relatório final da Subcomissão
da Ciência e Tecnologia e da Comunicação,
sob a relatoria da deputada Cristina Tavares (já falecida),
que daria origem ao que é hoje o capítulo da Comunicação
Social, trazia uma importante inovação regulatória
com respeito a quais deveriam ser as políticas de comunicação:
"o vídeo-texto, a tevê-por-cabo, o vídeo-cassete
e outras modernas tecnologias eletrônicas digitais de
comunicação apontaram para a possibilidade de
o acesso aos meios ser facilitado e barateado, logo, democratizado.
Entretanto, tais tecnologias tanto servem à comunicação
ampla quanto restrita, tanto atendem à comunicação
social quanto a outras necessidades de comunicação
próprias de uma sociedade moderna e informatizada. Por
isso, são alvos também do interesse de instituições
e empresas que, por sua própria natureza, poderiam tratar
a comunicação social conforme outros critérios
que não os de estrito serviço", diz documento
da época a que este noticiário teve acesso. Com
o lobby das empresas de mídia, o relatório da
deputada não foi aprovado e o capítulo da Comunicação
Social não tratou de outros meios que não rádio
e TV.
Sugestões
No documento entregue ao governo esta semana, a Globo ressalta
a falta no ambiente regulatório em vigor de "uma
visão ampla e integrada das comunicações,
que podem ser mais bem entendidas se separarmos as quatro camadas
que as compõem: infra-estrutura, serviços, aplicações
e conteúdo".
Nas
conclusões do documento, pede-se que se estenda o disposto
na Constituição, especificamente o capítulo
V, "a todas as atividades de comunicação
social voltadas para brasileiros, independentemente dos meios
de transmissão". Pede ainda que se trate a produção,
distribuição e comercialização de
bens culturais nacionais como prioridade estratégica,
defina-se novos mecanismos de taxação de conteúdos
estrangeiros; formas de estímulo à exportação
de bens culturais brasileiros; o desenvolvimento de uma campanha
de valorização da língua portuguesa e da
cultura nacional, criação de um selo "Feito
no Brasil", como símbolo da qualidade do que é
produzido no país. Mas o documento também pede
que o Estado não crie ou modifique legislação
"sem amplo debate com a sociedade"; a não-gestão
estatal sobre a produção cultural nacional. "O
papel do Estado é o de incentivar, nunca o de impor",
diz o documento, que é fruto de um seminário promovido
pela emissora e pela PUC de São Paulo no início
do ano e conta com a assinatura de dezenas de artistas e profissionais
ligados a setores culturais brasileiros.
Clique
aqui e veja a íntegra do documento em PDF.
Abaixo
está o texto em HTML
Participaram
do evento as seguintes personalidades representantes da cultura
brasileira nas áreas de arquitetura e design, cinema,
educação, publicidade, entretenimento, música,
TV, teatro, literatura, imprensa e internet:
Ali
Kamel
Ana Cristina Zahar
Antonio Carlos Gomes da Costa
Antonio Fagundes
Antonio Grassi
Armando Strozemberg
Arnaldo Jabor
Carlos Ary Sundfeld
Carlos Diegues
Carlos Eduardo Rodrigues
Carlos Fayet
Claudio Manoel
Cora Ronai
Dalton Pastore
Eugênio Bucci
Fernando Barbosa Lima
Fernando Bittencourt
Frederico Monteiro
Gil Torquato
Gilberto Beleza
Gilberto Dimenstein
Gilberto Leifert
Gloria Perez
Guel Arraes
Haroldo Pinheiro
Hector Babenco
Hermano Vianna
Jayme Monjardim
João Falcão
Jorge Cunha Lima
José Alvarenga Jr.
José Luiz Madeira
Ladislau Dowbor
Leonardo Monteiro de Barros
Luciana Villas-Boas
Luis Claudio Latgé
Luis Erlanger
Luís Lara
Luiz Carlos Barreto
Luiz Carlos Dutra
Marcos Caruso
Marcos Didonet
Marcos Nanini
Maria Adelaide Amaral
Marieta Severo
Marina Colassanti
Miriam Leitão
Monica Bergamo
Nelson Motta
Otaviano De Fiori
Paula Lavigne
Paulo Rocco
Paulo Tiago
Petroneo Correa
Regina Casé
Regina Duarte
Renato Machado
Roberto Duailibi
Roberto Farias
Silvia Borelli
Stepan Nercessian
Tony Ramos
Walter Negrão
William Bonner
William Waak
Wilma Lustosa
Wilson Cunha
Zuenir Ventura
Mediadores
Gabriel Priolli
Luiz Carlos Prestes Filho
Manoel Rangel
Silvio Meira
Zelito Vianna
As
conclusões do grupos foram apresentadas e aprovadas em
plenário e o documento final, aqui consolidado, foi redigido
em conjunto pelos mediadores dos grupos e pela coordenação
do seminário.
Introdução
Quando
decidimos fazer um seminário para discutir o futuro da
cultura brasileira, com representantes de todas as tendências,
alguns companheiros temeram, com razão, que uma reunião
assim se transformasse numa babel improdutiva. Apesar dessas
ponderações, decidimos que não havia outro
jeito: se nenhum consenso houvesse, esta já seria uma
valiosa informação.
Foi
assim que a PUC -SP e a TV Globo convidaram mais de setenta
personalidades para que discutissem a defesa e a valorização
da nossa cultura frente aos desafios do nosso tempo: a globalização,
a revolução tecnológica e a convergência
de mídias impõem riscos numa escala jamais enfrentada.
Atores, cineastas, escritores, produtores, publicitários,
jornalistas, diretores de TV, editores de livros, arquitetos,
cientistas e educadores dedicaram todo um dia à tarefa.
Ao
fim, os moderadores apresentaram as conclusões do grupo,
e o que se passou foi um momento raro no Brasil. Em vez de uma
babel, um pensamento convergente: a certeza de que é
preciso agir logo para rechaçar um perigo real, concreto
e iminente. O perigo de que o Brasil se transforme em Brazil.
Porque tudo na letra de Aldir Blanc e Maurício Tapajós
está atual, menos o verso inicial. Porque o Brasil não
somente conhece bem o Brasil, como deseja que ele seja o seu
espelho.
Aqui,
um resumo do que aqueles profissionais pediram:
1)
Uma ação rápida do Congresso e do Executivo
para estender o disposto na Constituição a todas
as atividades de Comunicação Social para brasileiros;
2)
Uma ação que preserve a produção
de cultura brasileira nas mãos de brasileiros, mas que
não interdite o diálogo com outras culturas;
3)
Uma ação que reconheça que a produção
de cultura é um setor estratégico para o desenvolvimento
do país e para o aumento da riqueza nacional e que, por
isto, exige políticas públicas e investimentos
à altura desse papel;
4)
Uma ação que divulgue a qualidade do conteúdo
brasileiro, para o Brasil e para o mundo;
5)
Uma ação efetiva em favor da educação
como forma de aumentar a demanda e o consumo de bens culturais
de qualidade;
6)
Enfim, uma ação firme e imediata do Estado brasileiro
em defesa da cultura nacional, sem, no entanto, jamais cair
em tentações autoritárias que firam a liberdade
de expressão artística e intelectual e de informação
e comunicação.
O
que se verá nas páginas seguintes é uma
síntese de tudo o que foi discutido, cujo título
geral bem poderia ser os versos finais de “Querelas”:
“Do Brasil S.O.S. ao Brasil”.
Coordenação
do Seminário - PUC e TV GLOBO
Globalização
e Cultura Nacional
É
nossa convicção que a produção de
bens culturais brasileiros é fundamental para assegurar
a soberania e sustentar o desenvolvimento nacional. É
um direito e um desejo dos brasileiros. É importante
elemento de inclusão social.
A
globalização não está cumprindo
a promessa de abertura de mercados, livre comércio e
oportunidade de geração de riqueza para todos
os povos. Ela vem sendo feita pelo viés das economias
centrais. O que ocorre é a dominação de
mercados pela cultura dominante.
É
preciso evitar a perda de hegemonia econômica nacional
na cultura. O domínio econômico interfere, reorganiza
e dirige a produção e circulação
de bens culturais, com forte impacto sobre o modo de fazer,
criar e viver dos brasileiros.
O
que se vê é a Globalização tendendo
a uniformizar idéias e modos de vida, uma uniformização
feita, sobretudo, sob a influência americana. É
uma questão econômica.
Bens
e serviços culturais não são mais atividades
secundárias ou marginais em relação à
agricultura, indústria e serviços bancários.
A indústria do entretenimento mundial movimenta 430 bilhões
de dólares por ano, segundo a ONU, sendo que o grosso
desse setor é controlado pela indústria americana.
E o bem cultural se transforma em bem econômico: um tênis
estrangeiro de grife tem altos preços de venda do produto,
enquanto seu custo de produção é muito
baixo. Isso é justificado pela venda do conceito. Eles
vendem emoções, não produtos. A calça
jeans é usada no mundo inteiro, porque o cinema americano
a vendeu como um estilo de vida.
A
veiculação de conteúdos estrangeiros faz,
portanto, parte de uma estratégia de dominação
cultural dos mercados emergentes, em apoio à dominação
econômica e política. É uma ameaça
promovida pelas grandes produtoras mundiais de mídia
e os gigantes das telecomunicações, com o poder
que lhes conferem, nos seus países de origem, mercados
internos fortes, crédito farto e políticas governamentais
altamente favoráveis.
Reconhecemos
que a cultura nacional é robusta, tem uma força
e um potencial criador sem muitos similares no mundo. Mas, não
havendo uma política firme de proteção
e de incentivo à produção e distribuição
de conteúdos nacionais, a crescente veiculação
de conteúdos estrangeiros nos nossos meios de comunicação
social constitui uma ameaça real à identidade
e à sobrevivência da cultura nacional e à
capacidade criativa e produtiva do nosso país.
Trata-se
de uma luta desigual. Em números de 2001, divulgados
por revista especializada, é assim o faturamento dos
grandes grupos: AOL-Time Warner, US$ 36 bi; Walt Disney, US$
25 bi; Viacom, US$ 23 bi; Vivendi, US$ 24 bi; Bertelsmann, US$
19 bi; News Corporation, US$ 13,8 bi; Comcast, US$ 8 bi. No
Brasil, segundo dados publicados na imprensa, a TV Globo, o
maior grupo de mídia do país, teve no mesmo ano
um faturamento de US$ 1 bi; a Abril, US$ 494 milhões;
Estado de S. Paulo, US$ 210 milhões; Folha, US$ 196 milhões;
SBT, US$ 182 milhões. Mas esqueçamos os grandes
grupos estrangeiros. Analisemos o que é considerado um
pequeno grupo de mída, o alemão Axel Springer,
que edita, entre outros, o tablóide Bild e o Die Welt
(o Bild vende milhões). Seu faturamento em 2001 foi de
US$ 3 bi, três vezes maior do que o da maior empressa
de mídia nacional.
O
desenvolvimento e a expansão da indústria cultural
nesses países não é obra apenas de seus
grandes conglomerados, mas parte de uma estratégia de
Estado. Precisamos assim, urgentemente, formular e implementar
uma clara política cultural, com o objetivo de fomentar
e proteger os conteúdos nacionais, revendo as regras
que regem as atividades de produção, distribuição,
comercialização e consumo. Isso tanto para fortalecer
o nosso próprio mercado como para aumentar a nossa presença
no mercado mundial de bens e serviços culturais.
Somente
com o apoio de uma estratégia de Estado, o país
terá os meios para criar, difundir e consolid ar uma
cultura diversificada e vigorosa, capaz de atender plenamente
às múltiplas e complexas necessidades culturais
da nossa sociedade e fazê- la participar das trocas internacionais
de forma vantajosa e rentável.
A
TV tem papel fundamental na formação da identidade
e dos hábitos de consumo cultural brasileiros, por ser
o veículo de maior penetração na sociedade.
É importante a sinergia entre TV, cinema, teatro, literatura
e outras formas de expressão cultural. Os interesses
comuns entre esses meios são muito fortes e eles podem
e devem atuar integradamente no fortalecimento da cultura brasileira.
Mas
a situação é grave em todos os setores
da cultura nacional. Se no audiovisual os sinais do avanço
das mídias estrangeiras sobre a nossa cultura são
mais gritantes, eles estão, no entanto, presentes em
todos os setores. Na propaganda, o patrocinador, que é
o grande fomentador da economia livre, é cada vez mais
estrangeiro. A publicidade nacional se enfraquece não
só pela concentração de marcas sob o domínio
de grandes conglomerados internacionais, mas também pela
contratação de agências internacionais pelas
matrizes das empresas que estão fora do Brasil e que
são hoje os grandes anunciantes. Antes, os anúncios
publicitários só podiam ser produzidos por empres
as brasileiras. Agora, eles podem ser importados e apenas dublados.
Nas TVs por assinatura, alguns sequer são dublados.
Dentre
as várias formas de produção cultural a
arquitetura é a mais vulnerável aos interesses
do mercado internacional. O grave é que arquitetura é
um bem de consumo compulsório. Você obrigatoriamente
consome a paisagem urbana no lugar em que mora e trabalha. E
o que está acontecendo é que os grandes centros
produtores de bens e serviços estão impondo a
sua arquitetura. Os grandes fabricantes de equipamentos hospitalares,
por exemplo, oferecem gratuitamente projetos arquitetônicos
de hospitais e centros de saúde desde que os aparelhos
instalados sejam os de sua marca. Outro exemplo: as filiais
das grandes corporações estrangeiras se instalam
nas cidades brasileiras, trazendo seus projetos de sede dos
seus escritórios mundiais de arquitetura. Enfim, falta
legislação adequada para proteção
da arquitetura e do urbanismo nacionais.
Também
no mercado de livros a globalização surge como
ameaça. O modelo de editoras nacionais e regionais cede
lugar ao modelo de grandes editoras de alcance mundial, ameaçando
a competitividade das nossas editoras e a viabilidade econômica
da edição de livros de autores nacionais por editoras
brasileiras.
Na
música, o mercado brasileiro não está de
fato nas mãos do Brasil. Graças a uma política
de incentivos, agora também ameaçada, cerca de
75% do que se produz aqui é brasileiro, mas o domínio
econômico desse mercado está nas mãos das
gravadoras multinacionais. O fim dos incentivos pode significar
também o fim da hegemonia, até aqui, da música
popular brasileira.
E
o que é mais grave é que também o mundo
da educação está sofrendo a mesma invasão:
escolas estão sendo compradas rapidamente por grupos
estrangeiros. É a globalização da prestação
de serviços educacionais. A questão essencial
é a discussão sobre como estão sendo formadas
as novas gerações. Não estamos atribuindo
prioridade a essa questão nem estamos preparados para
enfrentá-la.
Será
apenas com uma política de Estado coerente e eficaz de
defesa de nossa cultura, aliada a empresas nacionais fortes
e saudáveis, que a nação brasileira poderá
enfrentar os desafios e as ameaças que vêm de fora.
Dessa forma, poderemos participar também do cenário
interna cional em condições de conquistar mercados.
A
globalização é, no entanto, um fato. Não
se trata, portanto, de tentar negá-la. Nem tampouco devemos
ter uma postura de xenofobia. Ao contrário, prezamos
profundamente as trocas culturais e a sua diversidade que nos
enriquecem e ampliam os nossos horizontes na produção
dos nossos próprios conteúdos, como sempre fizemos
ao longo da nossa história.
Exportar
bens culturais brasileiros é tão importante quanto
consumir bens de outras culturas. A troca cultural é
fundamental. Os mecanismos de defesa do consumidor brasileiro
não podem impedir a inserção do Brasil
num mundo globalizado. Mas precisamos dar à cultura nacional
meios de criar, viver e ser exportada.
Convergência Tecnológica
Com
a digitalização dos meios de comunicação
e a conseqüente convergência de mídias, abriu-se
em escala mundial um novo cenário de enormes possibilidades
técnicas e comerciais. Mas é preciso estar atento
à nova situação que a revolução
tecnológica originou. Antes, havia uma barreira intransponível
entre empresas de telecomunicações e empresas
de comunicação social.
Enquanto
a telecomunicação se define pela comunicação
à distância de duas pessoas, a comunicação
social se caracteriza pela comunicação de um para
com “n” indivíduos. É a diferença
entre o telefone, capaz de levar a mensagem de um indivíduo
a outro, e a televisão, capaz de levar a milhares uma
mesma mensagem. Com o avanço tecnológico, no entanto,
as barreiras entre esses dois tipos de empresa deixaram de existir,
sem que a legislação acompanhasse essa nova realidade.
Hoje,
as empresas de telecomunicação fazem conteúdo
à margem do aparato regulatório aplicável
às empresas tradicionais de comunicação
social. Em todo o país, essas empresas veiculam conteúdos
produzidos sem qualquer vinculação com a cultura,
a diversidade e as necessidades nacionais e regionais e apenas
comprometidas com os hábitos e padrões de consumo
dos seus países de origem e a estratégia de negócio
de seus controladores. Com a evolução da internet,
da banda larga e da telefonia celular, as empresas de telefonia
estão usando os seus meios de distribuição
para também fazer comunicação social.
Em
resumo, todos os meios vão convergir para uma só
plataforma, pela qual passarão todas as mensagens. Tudo
poderá ser carregado por uma única infra-estrutura.
O problema é que, no Brasil, essa infra-estrutura foi
quase completamente desnacionalizada.
Os
marcos legais para a comunicação social, no Brasil,
derivam da Constituição de 1988, quando não
havia telefones celulares, internet e fluxo de dados transfronteiras
na diversidade e intensidade atuais. Em função
disso, a Constituição de 1988 trata basicamente
de dois temas: a cultura como ativo a ser protegido e fomentado
pelo Estado e a regulação das empresas jornalísticas
e de radiodifusão, que eram os únicos meios existentes
na época para veiculação dos conteúdos
de jornais impressos, rádios e TVs.
Em
1997, surgiu a Lei Geral das Telecomunicações,
que trata as empresas de telecomunicações como
meio de comunicação de voz entre duas pessoas,
deixando claro, inclusive, que outros usos de sua infra-estrutura
são serviços de valor adicionado que não
podem ser confundidos com o serviço de telecomunicação
autorizado.
Falta,
portanto, no ambiente regulatório em vigor, uma visão
ampla e integrada das comunicações, que podem
ser mais bem entendidas se separarmos as quatro camadas que
as compõem: infra-estrutura, serviços, aplicações
e conteúdo. Para nossa discussão, vamos nos limitar
à infra-estrutura e ao conteúdo.
A
camada da infra-estrutura é, no caso da televisão
tradicional, o espectro eletromagnético.
Por ser um bem escasso, ele foi regulado pelo Estado. Já
a infra-estrutura para a internet, como não é
escassa, não teve regulação.
A
camada do conteúdo está regulamentada apenas para
as mídias que usam as infraestruturas tradicionais: rádio,
televisão convencional, jornal e revista. Mas quem “transmite”
uma estação de televisão ou um jornal pela
internet não é obrigado a seguir nenhuma regulamentação.
Isso é uma assimetria, que deve ser estudada e que pode
levar à criação de um novo marco regulatório.
Há
consenso quanto à necessidade urgente de se aplicar os
princípios constitucionais a todas as formas de comunicação
social que, hoje, face à evolução tecnológica,
não é mais uma atividade exercida apenas por empresas
jornalísticas e de radiodifusão.
Hoje,
somos ótimos produtores de conteúdo, mas é
preciso que tenhamos acesso aos canais de distribuição
em qualquer meio. Disso depende o nosso futuro. Por isso, é
urgente a regulamentação dos novos canais de veiculação
de conteúdo: a internet, a TV digital e a telefonia fixa
e móvel.
Existe
por parte da comunidade artística e intelectual plena
consciência da complexidade conceitual, técnica
e política desta tarefa. Não se considera viável,
hoje, a nacionalização da propriedade das empresas
de telecomunicações. Mas deve haver uma regulamentação
para que o conteúdo divulgado por elas seja produzido
por grupos controlados por brasileiros. É preciso que
haja uma distinção clara: uma coisa é a
propriedade das empresas de telecomunicações;
outra é controle das empresas que produzem conteúdo,
que deve estar em poder de brasileiros. É uma questão
de isonomia de tratamento e de respeito à Constituição.
Em
2005, contratos do setor de telecomunicações serão
renovados. Agora é a hora de mobilizarmos a nação
para que voltemos ao rumo que os constituintes vislumbraram
para o país. Podemos deixar claro, dentro dos marcos
da lei, que quem controla a infra-estrutura de telefonia está
impedido de produzir conteúdo.
Será
também a ocasião de impedir a concorrência
desleal e predatória dos provedores de acesso à
internet estrangeiros contra os nacionais. É preciso
acabar com a propaganda enganosa de que a internet pode ser
gratuita, que não há custos a serem cobertos.
São as empresas telefônicas que fazem essa falsa
oferta, porque se remuneram com a tarifação do
pulso telefônico. Quem não é telefônica
não pode fazer isso. Não é à toa
que os provedores de acesso nacionais, desvinculados de empresas
telefônicas, ou já morreram ou estão morrendo.
Somos
contra qualquer dirigismo estatal nos meios de comunicação,
inclusive internet, mas isso não pode servir de pretexto
para deixar empresas telefônicas atuando na produção
de conteúdo ou adotando políticas de destruição
dos produtores de conteúdo ou provedores de acesso nacionais.
Por
último é preciso fazer um alerta: precisamos de
um padrão e de regras para a televisão digital
brasileira (diferentes ou não das do mercado internacional).
A televisão é fundamental para a promoção
da identidade nacional e o processo de desenvolvimento da televisão
digital no Brasil, que é essencial para a capacidade
de competição da televisão aberta, no mundo,
está atrasado, muito atrasado. Se isto demorar muito
mais a acontecer, a capacidade brasileira de competir no mercado
internacional de televisão digital pode ser seriamente
comprometida.
Enfim,
é preciso entender que a tecnologia e seus produtos são
um bem cultural e fonte de riqueza. Somente na futura passagem
dos aparelhos de televisão analógicos para os
digitais, cerca de R$ 30 bilhões serão movimentados
em 10 anos. Essa indústria – entre várias
outras que estão associadas à evolução
da comunicação, computação e controle
digital – não pode deixar de ter uma significativa
participação do Brasil como fabricante e como
detentor de propriedade intelectual.
Temos
de criar competitividade tecnológica e propriedade intelectual
nessa cultura digital e convergente para termos voz nesse novo
cenário. Temos de criar oportunidade para muito mais
gente participar da construção de um futuro inevitavelmente
digital, para que possamos ter uma cultura digital popular e
um país íntegro também do ponto de vista
digital.
Cultura como Indústria
Com
o advento da sociedade de consumo e a gradativa incorporação
das massas a ela, a produção cultural ganhou porte
e características de uma verdadeira indústria
e assim deve ser tratada, protegida e estimulada. No mundo,
ela já ocupa o quinto lugar em termos de importância
econômica. Nos Estados Unidos o segmento de entretenimento
já é a segunda indústria.
A
cultura é, portanto, fator de desenvolvimento nacional.
É preciso conhecer a dimensão econômica
da cultura e entender que todos os produtos e atividades culturais
fazem parte de uma mesma cadeia produtiva. Essa indústria
é sustentada, na maioria dos países desenvolvidos,
não só pelos mecanismos de oferta e procura, mas
também por marcos regulatórios sofisticados, que
incluem instrumentos poderosos de proteção e incentivo.
No
Brasil, falta uma discussão estruturada sobre uma política
industrial. Nesse cenário, inexiste a discussão
de uma política para a indústria cultural como
fator de desenvolvimento econômico e social.
A
legislação vigente não promove a competitividade
da indústria cultural brasileira face aos grandes produtores
mundiais. Ao contrário, os grandes produtores estrangeiros,
além de terem o apoio de seus países de origem
e acesso a mercados mundiais para a diluição dos
seus custos de produção, recebem no Brasil incentivos
fiscais que são negados aos produtores culturais nacionais.
É
preciso priorizar a produção de cultura nacional,
com crédito, subsídios e legislação
adequada, para que ela tenha condições de competitividade
com o similar estrangeiro.
Com
as políticas e condições hoje existentes
não há como ter a qualidade dos produtos estrangeiros,
a custos competitivos: os produtos de fora já chegam
com os seus custos amortizados. O Estado brasileiro deve apoiar
a consolidação de empresas fortes de produção,
distribuição e comercialização de
conteúdo nacional.
Deve-se,
portanto, tratar a indústria cultural brasileira como
indústria. É necessário que se olhe a cultura
não apenas sob o prisma ideológico, mas também
pela sua dimensão econômica (divisas, empregos
etc.) O capital estrangeiro é bem-vindo, mas devem ser
priorizadas ações que garantam o controle do emprego
e da renda para o Brasil. Não basta haver o domínio
simbólico da produção cultural brasileira.
O importante é que o Brasil e os brasileiros tenham o
domínio econômico desses bens. É essencial
que os lucros e divisas gerados fiquem no Brasil e realimentem
o sistema nacional de produção cultural. Em todo
o mundo desenvolvido, propriedade intelectual é fator
de geração de riqueza para o país e seus
criadores.
É
preciso definir novos mecanismos de incentivo ao produto nacional
e taxação ao produto importado que impulsionem
o desenvolvimento da produção cultural brasileira,
ampliando a participação do produto nacional no
mercado interno (formando o hábito de consumo de produto
de qualidade) e no mercado internacional (promovendo o reconhecimento
de seu conteúdo singular e alto padrão técnico).
Embora alguns tenham defendido que “a cultura não
fecha a conta em país nenhum do mundo, cabendo ao Estado
subsidiá-la permanentemente”, a maioria acredita
que é possível e preciso desenvolver uma indústria
cultural forte e dinâmica que persiga obstinadamente a
auto-sustentação. Ela certamente será alcançada,
se o ambiente regulatório e a economia nacional favorecerem
o fortalecimento do mercado brasileiro de produção
e consumo cultural. Contribuir para tudo isso é dever
doEstado,
mas a premissa essencial é a de que a cultura
tem de ser livre.
Qualidade e Liberdade
Não
só no Brasil, mas no mundo inteiro, existe uma preocupação
crescente com a qualidade dos conteúdos audiovisuais
veiculados para o público, sobretudo pela televisão.
A pergunta que devemos fazer é se a qualidade da TV brasileira
melhorou ou piorou nos últimos anos.
A
percepção é de que a TV hoje é melhor.
Antes, na faixa nobre do horário noturno, havia uma quantidade
enorme de enlatados estrangeiros; hoje, temos mais produtos
nacionais e de melhor qualidade. Enfim, quando se fala em qualidade,
a TV brasileira é referência em todo o mundo.
É
preciso, no entanto, haver clareza sobre o que é qualidade,
o que não é tarefa fácil ou desprovida
de riscos. Mesmo assim, concluiu-se que qualidade é a
soma de várias dimensões propostas por Arlindo
Machado, professor da PUC-SP, no livro “A televisão
levada a sério ”. A qualidade é a reunião
simultânea dos seguintes conceitos:
1
- Conceito Técnico: qualidade como apuro técnico,
fazer bem feito, bom artesanato;
2
- Conceito Mercadológico: qualidade como capacidade de
identificar os interesses do público;
3
- Conceito de Inventividade: qualidade como inovação,
capacidade de explorar novos recursos de imagem, nova formas
expressivas;
4
- Conceito Pedagógico: qualidade como aquilo que contém
aspectos pedagógicos, valores morais, modelos edificantes,
qualidade como virtude;
5
- Conceito Político: qualidade é o que mobiliza,
o que impele à ação e à participação
– qualidade é mobilização;
6
- Conceito das Minorias: qualidade é o que valoriza as
diferenças, as minorias, os excluídos;
7
- Conceito da Diversidade: qualidade é atender à
diversidade de necessidades e aspirações do público.
Mesmo
tendo bem definido o conceito de qualidade, resta saber, de
um lado, como avaliar o que tem ou não qualidade, ou
de outro, o que fazer para promovê- la.
Como
promover a qualidade? Ela pode ser promovida e estimulada de
muitas formas. A primeira delas é, sem dúvida,
o diálogo entre os produtores culturais e o público.
Esse diálogo já existe, mas pode e deve ser ampliado,
seja através do contato direto com os consumidores, seja
através de organizações da sociedade civil.
A crítica, exercida pela imprensa escrita, é uma
das formas concretas desse diálogo, sempre produtivo.
A
educação também cumpre papel fundamental
na promoção da qualidade. A educação,
através da família, da escola ou de campanhas
promovidas pelos próprios meios de comunicação
e entidades voltadas para o assunto, levará gradativamente
a um aumento do nível de exigência e, por conseqüência,
a uma melhoria de qualidade.
A
qualidade não é definida apenas pela demanda da
população, mas também pela oferta de bons
produtos culturais. Também é parte da fórmula
para elevar o nível dos programas, portanto, aumentar
os estímulos para a produção de bons conteúdos
para todos os públicos, gostos e interesses, através
de mecanismos de incentivo à produção e
distribuição de conteúdo nacional, para
que da quantidade e da regularidade da produção
brasileira a
qualidade possa se ampliar e fortalecer.
A
discussão sobre qualidade não se restringe apenas
à grade de programação das emissoras de
televisão. É consenso que as várias dimensões
da qualidade propostas se aplicam a todas as formas de expressão
cultural, do cinema à publicidade, do livro ao teatro.
Na
publicidade, por exemplo, é impossível separar
todas aquelas dimensões, que passam necessariamente pelo
respeito ao consumidor e à formação da
cidadania. Quanto mais o consumidor se sentir cidadão,
melhor será a publicidade brasileira. Também na
publicidade, a qualidade exige liberdade de expressão
e, por isso, tem uma dimensão fundamental que é
a ética. Neste sentido, um código de ética
e postura foi redigido pelas agências e anunciantes, que
espontaneamente assumiram o compromisso de cumpri- lo.
Tudo
o que se disse em relação à qualidade leva
em conta que o modelo de TV no Brasil, tradicionalmente, é
a TV comercial aberta feita para o grande público. Falamos
de qualidade em cultura de massa. Qualidade como o que se sustenta
no tempo e é legitimado e legado pela sociedade para
as gerações futuras. Seria um erro acreditar que
o que é popular não tem qualidade.
Mas
também podemos pensar em qualidade como aquilo que rompe
padrões. Que não exige um repertório amplo,
o consumo de massa. Neste sentido, as televisões públicas
podem cumprir importante papel.
Definidos
conceitos, mecanis mo e possíveis modelos de promoção
de qualidade, cabe a pergunta: quem deve avaliar o que tem ou
não qualidade? Não existe outra resposta: o público,
a sociedade civil organizada.
Cabe
à própria audiência, à sociedade,
sinalizar o que consideram de boa qualidade, estabelecendo mecanismos
de classificação e valoração de
produtos culturais para indicar o que é aceitável,
condenável ou recomendável.
A
classificação indicativa, seja ela oficial, das
próprias emissoras ou de entidades da comunidade, é
considerada uma ferramenta de grande valor e de eficiência
comprovada em uma série de países. Ela pode ser
divulgada por todas as instituições ou entidades
que, em função de seus valores, crenças
e princípios religiosos ou políticos, queiram
orientar o público na escolha de conteúdos, refletindo
assim a pluralidade das formas de pensar das pessoas e comunidades
nas sociedades contemporâneas. Mas ela não pode
ser jamais impositiva.
Uma
coisa é certa: o anseio pela qualidade não deve
dar margem a formas de controle que firam a liberdade de expressão
artística, de comunicação e de informação.
Não há dúvida de que os meios de comunicação
social devem estar sempre a serviço do interesse público,
mas temos de estar sempre vigilantes para que essa verdade não
seja usada como pretexto para a criação de controles
que sejam barreiras às liberdades asseguradas pela Constituição.
Recomendações
A
Cultura e a Constituição:
·
Estender o disposto na Constituição (capítulo
V) a todas as atividades de comunicação social
voltadas para brasileiros, independentemente dos meios de transmissão.
A Cultura e a Proteção do Estado
·
Tratar a produção, distribuição
e comercialização de bens culturais nacionais
como prioridade estratégica, estruturando e implantando
uma política de fomento público, com atenção
especial à política tributária, para:
a)
Promover a criação de novos mecanismos de subsídios
e empréstimos para a produção de conteúdos
nacionais;
b)
Rever as leis de subsídios já existentes, de modo
a assegurar aos produtores culturais nacionais, no mínimo,
os mesmos incentivos fiscais hoje concedidos às empresas
estrangeiras;
c)
Definir novos mecanismos de taxação de conteúdos
estrangeiros;
d)
Criar estímulo à exportação de bens
culturais brasileiros;
e)
Criar condições para ampliar investimentos em
canais de distribuição de bens culturais, como,
por exemplo, sala de cinemas, teatros, livrarias e bibliotecas;
A Cultura e a Diplomacia
·
Aperfeiçoar o modelo de posicionamento do Brasil nas
discussões e fóruns internacionais sobre educação,
cultura e comércio;
·
Formalizar, através de discussões com os vários
segmentos da indústria cultural, as posições
do Brasil para defesa da propriedade intelectual e da cultura
nacional no Mercosul, Alca, OMC e outros organismos.
A Cultura e o Marketing
·
Desenvolver uma campanha de valorização da língua
portuguesa e da cultura nacional.
A
iniciativa privada deve se articular para a divulgação
do valor da produção cultural brasileira. Artistas,
intelectuais, produtores cultur ais, grandes empresas nacionais,
veículos de comunicação devem se unir com
esse objetivo;
·
Criar um selo “Feito no Brasil”, como símbolo
da qualidade do que é produzido em nosso país.
O selo deve associar a produção cultural brasileira
a conceitos como modernidade, criatividade e universalidade.
A Cultura e a Criação de Riqueza
·
Incluir as atividades da cultura no catálogo nacional
de atividades econômicas do IBGE;
·
Desenvolver projeto de coleta e sistematização
de informações socioeconômicas sobre a produção
e o consumo de bens culturais no Brasil.
A Cultura e a Educação
·
Investir na Educação para formar cidadãos
que demandem bens culturais de qualidade;
·
Incluir nos currículos escolares mecanismos que promovam
os valores culturais brasileiros e o desenvolvimento do senso
crítico do cidadão;
·
Fomentar a leitura nas escolas, desde a infância;
·
Promover fóruns de debates e novos seminários
para a defesa e valorização da cultura brasileira
como meio de gerar subsídio para o Legislativo, o Executivo
e os agentes da educação e da produção
cultural brasileiras.
A Cultura e a Liberdade
·
Garantir a liberdade de criação, produção
e expressão, como princípio fundamental à
sobrevivência da cultura e comunicação social
brasileiras. Para tanto:
a)
O Estado não deve criar ou modificar legislação
sem amplo debate com a sociedade;
b)
O Estado tem o papel de regulamentar e fomentar a produção
cultural brasileira, mas não de geri- la.
c)
No exercício do seu papel regulador cabe ao Estado garantir,
sempre, a liberdade de criação, produção
e expressão;
d)
Ao Estado não cabe definir o que é qualidade.
A sociedade deve estabelecer os mais variados mecanismos de
classificação e valoração dos produtos
culturais para indicar o que é aceitável, condenável
ou recomendável;
e)
O papel do Estado é o de incentivar, nunca o de impor.
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