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Informação:
Folha de São Paulo - 06/01/2005.
Ruy
Altenfelder (*)
Nos
regimes democráticos e na economia globalizada, a comunicação
é área estratégica e fundamental para o
sucesso das organizações públicas e privadas.
Comunicação é ciência. Tem princípios
e contornos próprios. Quem não diz claramente
o que é permite que pensem o que não é.
A comunicação não pode ficar à jusante
do processo de decisão. As empresas e os órgãos
públicos e privados recorrem à comunicação
para se mostrarem à comunidade, às vezes com um
certo folclore, para cativarem o seu público externo,
ganharem simpatia interna.
Infelizmente, não são muitos os gestores que têm
exato conhecimento de que a comunicação deve ser
tratada a montante do processo de decisão e manejada
como uma ferramenta estratégica de gestão. Também
ainda são poucos os que a encaram como um investimento,
e não como um custo. É por meio da comunicação
que, no âmbito de cada comunidade, estabelece-se o conjunto
de valores -políticos, religiosos, econômicos e
comportamentais- que constitui o universo cultural, os usos
e costumes de cada tribo, nação e civilização.
Durante milhares de anos a comunicação limitou-se,
nas sociedades primitivas, à linguagem oral. A escrita,
forma mais sofisticada de comunicação, surgiu
por volta de 4.000 a. C., na Mesopotâmia, Egito, China,
Palestina e Índia. Os povos que habitavam essas regiões
constituíram as primeiras civilizações
do planeta e tinham em comum a prática da agricultura,
a criação de animais, a metalurgia, a escultura,
sistemas religiosos e políticos organizados e, claro,
a escrita. Esta última virtude permitia-lhes deixar para
as sucessivas gerações todo o conhecimento adquirido.
A comunicação deve ser manejada como uma ferramenta
estratégica de gestão. Todas as grandes transformações
que se seguiram na história apoiaram-se na capacidade
da comunicação. A exemplo do que ocorria nas sociedades
primitivas, a comunicação é o sistema que
oferece coesão e referências culturais harmônicas
à civilização globalizada deste início
de milênio, a cada país, Estado, cidade, bairro,
empresa, família etc. É por isso que, cada vez
mais, essa atividade apresenta-se, no universo empresarial,
como ferramenta imprescindível à conquista de
resultados.
A comunicação empresarial deste século
se caracterizará por três grandes vertentes: a
crescente expansão do suporte eletrônico. A comunicação
vai deixando de ser escrita e passa a utilizar modernos instrumentos,
como vídeos, sítios na internet e nas intranets,
boletins eletrônicos e multimídias. A internet
revolucionará a publicidade.
A segunda vertente diz respeito à redução
das fronteiras entre comunicação interna e externa,
com ênfase na qualidade.
A terceira refere-se ao predomínio da emotividade sobre
a racionalidade. A comunicação tende a se tornar
menos cinzenta e mais colorida. Será preciso seduzir,
cativar, apelar aos sentidos e despertar as emoções
e os afetos.
Uma análise puramente científica demonstra não
haver comunicação sem retórica. Essa consideração
é fundamental para que se discuta o verdadeiro papel
e a dimensão ética do chamado jornalismo institucional,
conceito atual que define, de forma genérica, as atividades
de assessoria de imprensa e a edição de jornais,
revistas e vídeos institucionais, destinados ao público
interno ou externo das organizações. Em ambas
as vertentes, que representam um importante nicho para o mercado
de trabalho dos jornalistas, a retórica é uma
característica presente. Estabelecer os seus limites,
contudo, é fundamental para não esbarrar na ética.
Outro ponto que deve ser destacado é o papel da comunicação
empresarial no campo social. A participação dos
empresários nessa área tem crescido de forma significativa,
convencidos que estão de que o governo, sozinho, não
conseguirá resolver os graves problemas sociais que afligem
o país. Afinal, o sucesso de uma empresa irá depender
do vigor de seu mercado consumidor. O conceito de cidadania
empresarial vem sendo cada vez mais discutido e praticado, pois
o exercício da responsabilidade social acaba acarretando
maior produtividade e qualidade dos produtos e serviços
oferecidos pelas empresas. A empresa moderna não pode
ser simplesmente uma unidade de produção e consumo,
voltada apenas para o lucro financeiro.
A comunicação da era moderna não pode deixar
de ser humilde e procurar fazer tudo com presteza, eficiência
e, acima de tudo, com a humildade que o notável Albert
Sabin, no final de sua vida, referindo-se à sua preciosa
e salvadora descoberta -a vacina contra a poliomielite-, professou:
"Tudo o que fiz foi um esforço concentrado para
aliviar um pouquinho a miséria humana".
(*)
Ruy Martins Altenfelder Silva, 65, advogado, é
presidente do Centro de Estudos Avançados e Estratégicos
do Ciesp. Foi secretário da Ciência, Tecnologia,
Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São
Paulo (2001-2002).
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