| Informação:
Caros
Ouvintes - 10/04/2005
A
Rádio Catarinense de Joaçaba chega aos 60 anos
com três bandeiras difíceis de conquistar: é
líder em audiência, cobre o Vale do Rio do Peixe,
Meio Oeste Catarinense e Norte do Rio Grande do Sul e de seus
quadros saíram Walter e Adolfo Zigelli, dois dos mais
importantes nomes do radiojornalismo de Santa Catarina.
Por
Antunes Severo, de Florianópolis
Pois
esta nova sessentona, com a força dos seus 10.000 Watts
de potência, transmite para mais de 60 municípios
situados numa das mais ricas regiões do estado e norte
do Rio Grande do Sul onde atinge uma população
economicamente ativa com mais de um milhão habitantes.
Naquela região, o prefixo ZYJ-765 que se anuncia na freqüência
de 1270 kHz da onda média, faz parte do cotidiano de
agricultores, pecuaristas e habitantes das cidades pequenas
e grandes que abrigam desde um simples açougue até
gigantes como a Sadia.
A
ZYJ-765 nem sempre teve a potência nem a cobertura atuais,
mas mantém um dos seus valores históricos: é
uma das emissoras que mais se desenvolvem na radiofonia catarinense,
pelo menos do ponto de vista técnico, como se observa
no retrospecto publicado em seu site.
Em 13 de novembro de 1945, é autorizada a funcionar com
o prefixo ZYC-7, potência de 100 Watts e freqüência
de 1.510 Khz.
Em
20 de junho de 1950, o Ministério das Comunicações
autoriza o aumento de potência para 250 Watts e a mudança
de freqüência para 1.460 Khz.
Em
24 de março de 1976, passa a operar com o prefixo ZYJ
765, nova freqüência de 1.270 Khz e a potência
de 1.000 Watts.
Em
três de setembro de 1980 a emissora dá mais um
passo em busca de maior área de cobertura. Consegue autorização
para operar com 5.000 Watts de potência.
No
ano de 1.984, a Rádio Catarinense é adquirida
pela Rede Barriga Verde de Comunicações, hoje
Rede Catarinense de Rádio e Televisão das famílias
Bonato-Brandalise.
No
final de 1.999, depois de quase cinco anos de luta, a ANATEL
autorizou a Rádio Catarinense a operar com 10.000 Watts
de potência, mantendo o prefixo ZYJ 765 e a freqüência
1.270 KHz. Dois anos depois, em 2001, entrou em operação
o transmissor da Nautel Canadense que ainda hoje está
em operação.
No
livro a História do Rádio Catarinense, Ricardo
Medeiros e Lúcia Helena Vieira, lembram que as primeiras
equipes da emissora, no período que vai de 1945 a 1950,
contaram com a participação de nomes que se tornaram
referência na vida social, política e econômica
da cidade: Alfredo Teixeira, José Luiz Leduque, Olímpio
Schumacher, Maura Regina Andrade, Dircema Brunoni, Nestor Teixeira,
Dirceu Pereira Gomes, Enir Seconi, Hélio Teixeira da
Rosa, Aquiles Garcia, José Esteves, Walter e Adolfo Zigelli.
Desses
nomes destacam-se de maneira especial os irmãos Walter
e Adolfo Zigelli. Walter que aos 16 anos começou escrevendo
no até hoje existente jornal Cruzeiro do Sul e Adolfo,
que aos 14 anos começa a vida de locutor na Rádio
Sociedade Catarinense. Eram os dois principais meios de comunicação
de Joaçaba. Ambos pertencentes a famílias políticas
que controlavam a União Democrática nacional,
a UDN e a defendiam do Partido Social Democrático, o
PSD.
Tanto
Walter como Adolfo, em pouco mais de um ano, ultrapassavam a
condição de jornalista e radialista e assumiam
a gerência de seus veículos de comunicação.
No
depoimento que fez para o livro A História do Rádio
em Santa Catarina, em 1992, Walter Zigelli destaca: “O
rádio era uma coisa que fascinava todo mundo”.
E como a finalidade da emissora era promover e divulgar a UDN,
os irmãos Zigelli montaram um programa político
para fazer apologia do partido. Chama-se UDN em Foco e depois
UDN em Marcha. Lembra Walter que o programa tinha marchas vibrantes.
“Um de nós anunciava: Rádio Sociedade Catarinense
nesse momento apresenta... Aí o outro continuava: UDN
em Marcha... E entrava aquela marcha vibrante”, relata.
“A
primeira parte do programa era constituída de notícias
exageradamente favoráveis à União Democrática
Nacional. A outra era de notícias desmoralizando o outro
lado. Além disso, nessa época, o PSD ainda não
possuía estação de rádio, mas nos
períodos eleitorais os pessedistas compravam o espaço
na emissora da UDN e faziam um programa semelhante, intitulado
PSD em Foco ou PSD em Marcha”.
O
programa era tão sectário que “Numa ocasião
estava no estúdio o candidato do PSD a prefeito e o Adolfo
terminou o programa mais ou menos assim: ‘Senhoras e senhores,
vocês acabaram de ouvir UDN em Marcha. Aqui nós
estamos absolutamente interessados na verdade etc... Logo mais
vocês ouvirão a palavra daqueles eternos enganadores
do povo...’ Assim era naquela época”, rememora
Walter.
Mais
tarde, o Partido Social Democrático obteve também
a concessão de um canal – a Rádio Herval
do Oeste. Nessa estação o procedimento era o mesmo
com relação aos adversários. Em épocas
de eleição, além de terem os seus programas
nas respectivas emissoras, cada partido comprava o seu horário
na rádio do adversário. Walter Zigelli, entretanto,
ressalva que o período era de franca democracia, pois
não havia qualquer tipo de censura. “Isso fazia
com que a comunidade estivesse sempre muito integrada na política.
Todo mundo participava, não havia neutros, quer dizer,
o sujeito era contra ou a favor; muitas vezes até fanaticamente”
explica.
Havia
na Rádio Sociedade Catarinense um auditório no
qual sempre estavam os maiores fãs dos irmãos
Zigelli e da UDN no horário do seu programa. Além
dos admiradores, lá estavam sempre candidatos aos mais
diversos cargos públicos. Por duas vezes Jorge Lacerda
esteve lá. Primeiro como candidato a deputado federal
e mais tarde, como candidato ao governo do estado. Zigelli diz
que: “Nós fazíamos o programa com tanto
entusiasmo, hoje eu digo que nós exagerávamos,
mas naquela época a gente acreditava no próprio
exagero, na própria mentira – nós estávamos
plenamente convencidos de que o nosso partido, aquele nosso
movimento era para salvar o mundo e que nós éramos
os santos e os outros os diabos”.
Numa
das vezes, Jorge Lacerda ficou tão entusiasmado, diz
Walter, que ao terminar o programa ele nos disse: ‘Olha,
o dia em que eu for governador, vou levar vocês dois para
Florianópolis comigo’. Evidentemente, conta Walter,
“achamos que aquilo era demagogia, promessa de candidato.
Não acreditamos também porque Florianópolis
era para nós uma cidade distante. Ainda não conhecíamos.
Naquela época Joaçaba era ligada ao Rio Grande
do Sul, nós havíamos estudado em Porto Alegre,
não havia asfalto para a Capital, enfim, não havia
qualquer ligação. Mas acontece que o homem acabou
se elegendo e cumpriu a dita promessa e nós acabamos
vindo mesmo para Florianópolis”.
Jorge
Lacerda trouxe os irmãos Zigelli e lhes encomendou um
programa com a mesma estrutura que eles faziam no Oeste. Lacerda
queria um programa que noticiasse os fatos do governo, dentro
do estilo do programa apresentado em Joaçaba.
Referência
bibliográfica
História
do Rádio em Santa Catarina. Ricardo Medeiros e Lúcia
Helena Vieira. Editora Insular, Florianópolis, 1999.
Site
relacionado
>>
http://www.radiocatarinense.com.br/
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