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Informação:
Observatório
da Imprensa - 01/02/2005
Paulo Celso Maistro
Spolidório (*)
A televisão sempre foi
considerada o veículo mais rápido da informação.
Documentou com muita eficiência acontecimentos de grande
impacto no século 20, quando ganhou total potência.
Seu alcance foi tão intenso, o apelo visual foi tão
incisivo que ela logo ultrapassou o rádio, principal
eixo da mídia até então, na retratação
da natureza, das relações humanas, das guerras,
da confraternização olímpica, da veiculação
da cultura e do entretenimento, entre outros. Nos dias atuais,
no estágio embrionário do século 21, a
televisão atingiu um desenvolvimento extraordinário
e faz parte da vida e do cotidiano de milhões de pessoas
em todo o mundo. O conteúdo televisivo, porém,
vêm sofrendo drástica mudança, e um instrumento
tão importante na aproximação de fatos
e pessoas ganha um tom de banalidade e sensacionalismo, explorando
de forma selvagem a figura humana.
Quando surgiu, no início
da década de 40, a televisão era tida como um
luxo. Poucos possuíam aquele tão sonhado aparelho
que soltava imagens ordenadas em preto e branco. Não
era mais necessário imaginar. A imagem da história
desnudava-se aos olhos surpresos. A febre televisiva iniciara-se
para nunca mais perder seu posto. Seu desenvolvimento deu um
vultoso salto e anos mais tarde tornava-se popular, de acesso
cada vez maior. Com a mesma eficiência mostrava as últimas
notícias dos fronts de batalhas e o lançamento
de um novo aspirador de pó. O marketing, a economia e,
sem exagero, a forma de o ser humano enxergar o mundo foram
profundamente alterados por esse processo.
Hoje, a televisão está
em pleno vapor. Nunca tivemos tantos canais e tanta diversidade
de programas à disposição. No entanto,
o caráter informativo, documental, o entretenimento sadio
está dando lugar a um tipo de mídia sensacionalista,
pautada única e exclusivamente na luta pelo ibope. Explora-se
a fraqueza humana, o deboche, a sexualidade exacerbada, a violência
explícita e o sofrimento humano como formas de cativar
maior audiência. O Brasil é um exemplo claro. Pipocam
aos montes programas baseados na degradação de
outros indivíduos, por meio da comédia hipócrita
e desmedida, da infiltração na intimidade de casamentos
e relacionamentos, na informação inútil
e apelativa, na desestruturação familiar.
De que vale saber sobre a fidelidade
de alguém em rede nacional ou se este ou aquele artista
está disposto a atestar a favor de sua humildade? O que
importa saber é se o brasileiro passa fome, se o país
supera seus problemas, se a violência está crescendo.
Longe de uma posição anacrônica e viciosa,
na qual só assuntos com este teor são importantes.
A televisão surgiu também como forma de entretenimento,
com a comédia, os filmes, a retratação
da cultura. Não precisamos assistir apenas às
flutuações da economia mundial e às últimas
notícias do Congresso Nacional, temos direito a buscar
também um entretenimento saudável, longe do sensacionalismo
que beira a repugnância.
Mas, como explicar que tais
programas explorativos arrebanham mais e mais espectadores?
Reflito sobre a questão e algo me preocupa. A explosão
do sensacionalismo barato e da exploração humana
na mídia refletem tristemente o que se passa no próprio
âmbito individual. Aquilo que atrai e distrai mediocremente
as pessoas releva o que se passa com o próprio indivíduo.
O sistema ao qual nos inserimos produziu seres frios e vazios.
Vivemos a era da banalização não só
da televisão, mas da própria humanidade, num processo
vertiginoso. A humanidade tornou-se gradativamente mais materialista,
individualista e confusa em relação a valores
básicos, como a família.
Nesse universo distorcido, programas
que retratam a vacuidade humana e a exposição
individual a situações degradantes tornam-se algo
comum – um entretenimento barato. É o espectador
assistindo à própria matéria esfacelar-se
em pontos coloridos e luminosos. É algo em que se deve
pensar.
Cumpre, pois, não agir
apenas como espectador, que assiste passivo a mais um capítulo
da exploração da figura do homem, mas reivindicar
qualidade do que invade inexoravelmente nossos lares. Cumpre,
como cidadãos, lutar pela melhoria das situações
de vida que nos são expostas. Temos, sim, o poder de
controlar isso, baseados na união e no espírito
coletivo de mudança, na conscientização
do problema. Somos os agentes da mudança e, como tal,
é necessário lutar pelo verdadeiro e nobre papel
da televisão, fundamentado na informação,
na documentação e no entretenimento, distante
da banalização.
(*)
Estudante, Piracicaba, SP
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