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Informação:
Carta
Capital - 03/11/2004
Maurício
Stycer
Quem
recorda da programação da televisão dos
anos 50, início dos 60, não cansa de se espantar
com o nível de violência e apelação
que impera hoje. O mau gosto não deixa de ser representativo
de uma sociedade que, com freqüência, descamba para
a baixaria. Mas há quem resista.
Uma
medida provisória, a MP 195, recém-aprovada pela
Câmara dos Deputados, se confirmada pelo Senado, vai alterar
de forma significativa a forma como os programas de tevê
são hoje classificados, permitindo que entidades da sociedade
civil passem a ter influência na decisão sobre
o horário de exibição e a faixa etária
recomendada para cada atração.
A
decisão da Câmara ocorre a menos de um mês
da comemoração dos dois anos do lançamento
da campanha Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania.
Instalada dentro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara,
a campanha tornou-se uma pedra no sapato de emissoras e anunciantes.
A
cada quatro meses, ela divulga um “ranking da baixaria”,
listando os programas que mais sofrem denúncias dos espectadores.
Ao tornar público o sétimo ranking, há
duas semanas, a campanha informou que passará, a partir
de agora, a divulgar também o nome de cada anunciante
e patrocinador dos campeões do mau gosto.
A
campanha tem sido uma importante ferramenta para o Ministério
Público Federal, que nos últimos dois anos intensificou
a sua atuação nessa área, propondo acordos
ou entrando com ações contra emissoras ou programas
acusados de atentar contra preceitos constitucionais. O processo,
ainda em curso, contra Gugu Liberato, por ter forjado em seu
programa a entrevista com supostos integrantes de uma organização
criminosa, é a mais vistosa ação do MP
em São Paulo, mas está longe de ser a única.
Um
grupo de trabalho, instalado em Brasília, vem estudando
como uniformizar a ação do MP em todo o Brasil.
Em julho, em uma iniciativa pouquíssimo divulgada, três
emissoras de Pernambuco (TV Jornal do Commercio, TV Guararapes
e TV Tribuna, repetidoras, respectivamente, de SBT, Band e Record)
assinaram um acordo com o MP concordando em não exibir
baixaria nos programas policiais do horário vespertino.
O
chamado “termo de ajustamento de conduta”, firmado
pelas três emissoras, estabelece multa de R$ 50 mil em
cada ocasião que os programas policiais da hora do almoço
voltarem a expor pessoas “ao escárnio, menosprezo
ou outras formas de aviltamento ou rebaixamento da dignidade”.
As emissoras também se comprometeram a não mais
mostrar imagens, em close, “de cadáveres ou corpos
dilacerados”, a tomar cuidado na divulgação
de imagens de crianças envolvidas em atos ilícitos
e a respeitar o direito de imagem de pessoas detidas sob acusação
de crimes, mas não condenadas.
O
termo assinado em julho em Pernambuco é inédito,
em sua amplitude, no Brasil. Um termo parecido foi proposto
às principais redes do País, no dia 3 de agosto,
em Brasília. Elas aceitaram o convite para se reunir
com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, mas
se recusaram a discutir uma única linha do texto proposto.
Irmanadas
e articuladas na reação conjunta à MP 195,
à campanha contra a baixaria e à ação
do Ministério Público, as emissoras de tevê
acabam de tornar oficial um traumático racha, ensaiado
já há dois anos, entre elas. Na quinta-feira 14,
foi assinado o estatuto que cria a Abra (Associação
Brasileira de Radiodifusores), tendo como sócios principais
as redes SBT, Record, Bandeirantes e RedeTV!. Com isso, resta
isolada, de uma forma até então nova, a Rede Globo,
que se mantém na Abert (Associação Brasileira
de Emissora de Rádio e Televisão), desde sempre
a principal entidade a defender os interesses dos proprietários
de emissoras de tevê.
A
votação da MP 195 no Senado, possivelmente em
novembro, vai mostrar as emissoras bem unidas. Elas foram pegas
de surpresa pela aprovação, na terça-feira
19 de outubro, da medida na Câmara, com uma série
de modificações em relação ao texto
editado pelo presidente Lula em 29 de junho.
A
MP 195 trata da obrigatoriedade de os novos aparelhos de tevê
conterem um dispositivo, chamado V-chip, para bloqueio temporário
da recepção dos programas que os usuários
julguem inadequados. A determinação de incluir
o V-chip nos aparelhos está prevista em lei, desde 2001,
mas o seu cumprimento vem sendo adiado desde então, a
pedido dos fabricantes e das emissoras. A MP estabelece como
nova data-limite o dia 31 de outubro de 2006.
Por
iniciativa do deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), a MP foi
apresentada à Câmara na forma de um “projeto
de lei de conversão”. Ou seja, ele aproveitou o
tema geral da medida provisória – que diz respeito
à programação de tevê considerada
inadequada – para propor uma série de outras mudanças
correlatas na legislação.
A
principal alteração foi obrigar o Ministério
da Justiça – responsável pela classificação
indicativa dos programas de tevê – a ouvir o Conselho
de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana antes de decidir a qual
horário e qual faixa etária cada atração
se destina. Hoje, diz a lei, o Ministério faz essa classificação
com base nas informações fornecidas pelas próprias
emissoras e no monitoramento da programação realizado
por uma equipe de 20 pessoas.
No
caso dos programas regionais, que não são exibidos
nacionalmente, o deputado Fantazzini incluiu na MP a possibilidade
de o Ministério da Justiça firmar convênios
que o ajudem a realizar a classificação dos programas.
A MP também obriga as emissoras a manter por 180 dias
em seus arquivos os programas exibidos – ante os 30 dias
exigidos pela lei hoje em dia.
“Demos
uma avançada”, comemora Fantazzini. Militante da
área dos direitos humanos e comunidades eclesiais de
base, com reduto eleitoral em Guarulhos, periferia de São
Paulo, ele é hoje o principal protagonista, na Câmara,
da campanha contra a baixaria na tevê.
O deputado justifica a mudança no texto da MP 195 por
acreditar que a obrigatoriedade do V-chip ajuda cada usuário
de televisão a decidir o que quer ou não assistir.
Mas o dispositivo está longe de resolver um problema
maior, que é a qualidade da programação
como um todo.
CartaCapital
ouviu executivos de quatro das cinco principais emissoras de
tevê no País (só o SBT não respondeu
ao pedido de entrevista), além da Abert. A julgar pelo
tom das respostas, a MP 195 vai ser bombardeada com chumbo pesado
antes de chegar ao Senado. Eles consideram uma forma de censura
obrigar o Ministério da Justiça a chamar a sociedade
civil para opinar a respeito de classificação
da programação.
Amilcare
Dallevo Jr., presidente da RedeTV!: “Temos visto inúmeras
tentativas de se voltar à censura no País. Quando
você coloca isso na mão de uma ONG, no final da
linha você estará colocando o arbítrio de
vetar ou não alguma coisa na mão de um grupo restrito
de pessoas. Não podemos criar donas Solanges do século
XXI! (referência a Solange Hernandes, diretora do departamento
de censura nos anos 80). Quando você cria um grupo de
poucas pessoas, que tem o poder, a caneta na mão, de
ditar o que é bom ou não para quem assiste, na
realidade está se acabando com a liberdade de expressão”.
Dennis
Munhoz, presidente da Rede Record: “Essa idéia
foi enxertada na MP. O projeto inicial dizia respeito só
ao chip, que é uma forma de os pais fazerem uma seleção
da programação. A priori, essa censura feita pelos
pais, não cabe a nós analisar. O que nós
criticamos é que, mais uma vez, foi enxertada uma nova
tentativa de controle da programação. Acho inconstitucional
a União delegar a terceiros a tarefa de classificar a
programação. Cabe à União isso.
Não pode pedir para municípios, entidades privadas,
ONGs fazer a classificação indicativa da programação”.
Marcelo
Parada, vice-presidente da Bandeirantes: “A liberdade
de expressão é algo absolutamente inegociável.
Qualquer tentativa, ainda que movida pela onda do politicamente
correto que toma conta do Brasil, deve ser rechaçada
in limine. Não deve haver qualquer tipo de condescendência
com quem quer, de alguma forma, contrariar a Constituição
brasileira. Toda vez que você dá poderes a alguma
pessoa específica dizer o que alguém pode ou não
assistir, você está delegando a alguém algo
indelegável. As pessoas têm de ter liberdade para
escolher o que querem assistir ou não. No tempo da ditadura
era a Solange. Estão querendo substituir a Solange, mas
é a mesma coisa”.
Por
considerar que a MP 195 ainda depende de aprovação
no Senado, Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação,
é cauteloso: “O projeto ainda está em avaliação
pelo Congresso e não opinamos sobre projetos em curso”.
Em nome da Abert, o consultor jurídico da entidade, Alexandre
Jobim, é categórico: “Essa MP é inconstitucional”.
O
Ministério da Justiça também prefere não
se manifestar, por ora. “O Congresso é o espaço
para se discutir isso”, diz Claudia Chagas, secretária
Nacional de Justiça. “Mas reconheço que
há muitos abusos.”
O
argumento da censura também é invocado pelas emissoras
quandos pressionadas a alterar o conteúdo de programas
em função de denúncias. Especialmente sensível,
é o nervo exposto dos chamados programas policiais populares.
Classificados como jornalísticos, eles não podem
ser submetidos à classificação prévia
pelo Ministério da Justiça, mas têm sido
alvo de inúmeras ações do Ministério
Público, além de freqüentarem o ranking da
baixaria.
Eugenia
Augusta Gonzaga Favero, procuradora regional dos Direitos do
Cidadão, que liderou a ação contra Gugu
Liberato por causa da falsa entrevista com integrantes do PCC,
questiona o argumento das emissoras: “O que é censura?
Censura é um ato arbitrário, que te afeta sem
dar oportunidade de defesa. É o que acontecia no tempo
da ditadura. Hoje, quando recorremos ao Judiciário, exercemos
um direito legítimo. Vivemos uma ditadura ao contrário:
a mídia lesa e nós não podemos dizer nada”.
A
pressão feita pela campanha Quem Financia a Baixaria
É Contra a Cidadania também é alvo de críticas
que a identificam como uma forma de censura. Criada pelo deputado
Fantazzini, a campanha recebe denúncias por e-mail, telefone
e correio. Não dispõe, evidentemente, de espaço
para divulgação em nenhuma emissora aberta, com
exceção da rede educativa.
Em
dois anos, recebeu 15.839 denúncias. Dessas, depois de
avaliadas e filtradas por integrantes da campanha, considera
que 5.608 são fundamentadas. O conceito de baixaria,
diz Fantazzini, não é nada subjetivo. Explica:
–
O que é baixaria? É a programação
que sistematicamente afronte dispositivos da Constituição,
da lei ordinária e das convenções internacionais.
Fazer apologia ao crime é afrontar o Código Penal.
Estimular ou instigar preconceito racial fere a Constituição.
O artigo 1º da Constituição diz que a República
tem por princípio e fundamento a dignidade da pessoa
humana. Então, você degradar a imagem do ser humano
é uma afronta. Usar a mulher como mero objeto sexual
desrespeita a Convenção Internacional dos Direitos
da Mulher. E assim por diante. Todos os nossos critérios
são objetivos. Não entramos em critérios
subjetivos: o que pode ser baixaria para você, não
é baixaria para mim. Não saímos disso.
Até para não incorrer o risco de cair no fundamentalismo
religioso, no moralismo.
A
partir das denúncias, a campanha liderada por Fantazzini
vem tomando diferentes atitudes. Além de publicar um
ranking periodicamente, encaminha as reclamações
às emissoras e também informa aos anunciantes
dos programas, numa tentativa de pressioná-los.
Embora
nenhuma emissora admita publicamente, a ação da
campanha e as incursões do Ministério Público
já levaram a diversas alterações nos programas
de campeões de participação no ranking
da baixaria, como João Kleber, os policiais, Márcia
Goldschmidt, Ratinho, Gugu e Faustão.
Pergunte,
por exemplo, a Amilcare Dallevo, da RedeTV!, se ele considera
o programa de João Kleber bom:
–
Não é que eu considere bom ou ruim. Na segunda-feira,
há meses, temos ficado uma hora na frente da Globo. Se
você pegar a nossa programação há
dois anos e hoje, você vai ver que melhorou muito. Antes,
a produção extrapolava, deixava cenas mais fortes.
Nós temos um comitê de programação,
dirigido pela Mônica Pimentel, que está fazendo
um trabalho excelente na qualificação da programação.
Acontece um deslize no programa do João Kleber, ela automaticamente
vai lá e faz uma reunião para que isso não
aconteça de novo. Esse programa é uma coisa engraçada,
o cara assiste para ver se o sujeito vai ficar com a mulher
do outro... É um besteirol, uma coisa para relaxar.
Ou
pergunte a Dennis Munhoz o que ele pensa de outro campeão
do ranking da baixaria, o Cidade Alerta, na Record:
–
O Cidade mudou muito. Se você comparar com o Cidade de
três anos atrás e de agora, ele realmente é
um outro programa. É um programa de jornalismo policial.
Não podemos imaginar que naquele horário vai ter
notícias brandas, sobre moda, culinária, estilo
de vida. Infelizmente, a violência está aqui, nas
ruas das grandes cidades. Hoje o Cidade não mostra mais
o sangue, não mostra mais o corpo no chão, mas
infelizmente a notícia que a gente dá está
nas ruas. A gente não inventa.
A
mudança foi ainda mais radical no caso de Márcia
Goldschmidt, da Band, que aparece no ranking da baixaria publicado
por CartaCapital, feito com base no total de denúncias
fundamentadas desde o início da campanha, por conta de
um programa que nem existe mais. Explica Marcelo Parada:
–
A Márcia, até o ano passado, apresentava um programa
chamado Hora da Verdade que tinha quadros que as pessoas achavam
inadequados. Mas há um ano ela faz um programa só
voltado para relacionamentos.
Na
visão de Luis Erlanger, da Globo, a presença de
novelas da emissora no ranking da baixaria é uma espécie
de consagração:
–
Por ser a mais vista, é natural que a programação
da TV Globo esteja entre as citadas. Mas o universo das pessoas
que se manifestam é tão inexpressivo que chega
a ser consagrador para a Globo em termos de qualidade. Já
recomendamos à comissão que busque mecanismos
para obter resultados mais legítimos e representativos.
As
emissoras reagem até com fair-play à inclusão
de programas de sua grade no ranking. O que elas não
aceitam é a pressão feita por Fantazzini junto
aos anunciantes.
A
campanha afirma contabilizar alguns sucessos nessa área.
Segundo o deputado, Casas Marabraz, a prefeitura de Fortaleza,
a escola de idiomas Wizard, a Secretaria da Fazenda do Distrito
Federal, o Centro Auditivo Telex e o jornal Folha de S.Paulo
assumiram compromisso com a campanha. Por se tratarem de permutas
comerciais, esses dois últimos anunciantes não
tinham conhecimento que suas marcas estavam sendo veiculadas
em programas apelativos, incluídos no ranking.
A
campanha não obteve sucesso em inúmeras outras
investidas – em especial junto às Casas Bahia,
o maior investidor em mídia do País (R$ 378 milhões
em 2003). A empresa diz que negocia anúncios “independente”
da grade de programação e que, “enquanto
anunciante não tem o poder de cercear a liberdade nem
praticar qualquer tipo de ingerência sobre a programação
das emissoras que atuam como concessão federal”.
A
pressão sobre os anunciantes já rendeu a Fantazzini
duas representações contra o seu mandato na Câmara.
Pedidos de cassação, em última instância.
Diz Dennis Munhoz, da Record:
–
A partir do momento em que um cidadão, utilizando papel
timbrado da Câmara, manda ofício para os nossos
anunciantes sugerindo – praticamente intimando –
as pessoas a não colocar mais publicidade nos programas
X, Y ou Z ele está causando sérios prejuízos
à emissora. O deputado Fantazzini não tem nada
que se meter em uma relação particular entre duas
empresas, que não envolve verba pública, nenhuma
parceria com o Estado. Ele tem que se lembrar que foi eleito
pelo povo. Não foi eleito para combater a Record. Lógico
que não vamos ficar quietos. Somos uma emissora comercial.
Vivemos do mercado publicitário.
Acrescenta Marcelo Parada, da Band:
–
Esse deputado é um mascote das senhoras de Santana. Na
década de 80, quando as senhoras de Santana vieram a
público pedir controle da tevê, elas foram massacradas
por essas mesmas pessoas da esquerda. Ele adota uma posição
macarthista, ele quer estabelecer o que é bom e ruim…
Ao nosso ver, ele extrapolou da função dele. Ele
tenta intimidar empresas legitimamente constituídas a
anunciar numa empresa legitimamente constituída. O mandato
dele não foi conferido para isso.
Fantazzini
parece não se abalar:
–
A função da Comissão de Direitos Humanos
da Câmara é promover e defender os direitos humanos.
E denunciar quem viola os direitos humanos. E nós estamos
fazendo isso. A campanha não é minha, é
da Comissão de Direitos Humanos, e se é da Comissão
de Direitos Humanos, é da Câmara. Acho que deram
um tiro no pé. Há 60 entidades da sociedade civil
que são parceiras da campanha. E mais: vivemos num país
livre. A liberdade de expressão não é só
das emissoras de tevê. O cidadão também
tem direito. Eu não posso dizer que um programa é
uma porcaria? Eu não posso ligar para o anunciante e
dizer: em vez de anunciar nesse programa, que não vale
nada, anuncie num programa decente? É meu direito.
Enquanto
miram unidas em Fantazzini, as emissoras seguem divididas em
outras questões fundamentais, que dizem respeito à
crise pela qual passa o setor de mídia. A fundação
da Abra, que reúne Record, Bandeirantes, SBT e RedeTV!,
confirma a natureza de algumas divergências. Expõe
Amilcare Dallevo:
–
A Globo paga o BV (bonificação de volume) para
as agências no começo do ano, o cara da agência
troca o barco, compra um outro avião a jato, e a Globo,
dando 50% de audiência, recebe 80% das verbas publicitárias.
As outras quatro redes ficam com o resto. Você pega um
programa bom, como o Vila Maluca, zero de baixaria, você
vai à agência e ela diz: “Já coloquei
todo o dinheiro na Globo”. A única pressão
que faz diferença para anunciante é o BV.
Munhoz,
da Record, reconhece que a fundação da Abra enfraquece
o segmento. Mas diz que não houve alternativa:
–
Infelizmente, só nos restou esse caminho. Procuramos
a Abert, a Globo, colocamos as nossas exigências para
retornar, que seria uma mudança estatutária na
Abert. Mudar o poder de decisão, dar mais agilidade às
redes... Infelizmente, eles não concordaram. Queriam
manter o status quo.
A
Globo prefere não comentar as declarações
do presidente da RedeTV! e nem mesmo a criação
da Abra. “A TV Globo é afiliada à Abert
e, assim sendo, a opinião da Abert sobre o assunto reflete
a da emissora”, diz Luis Erlanger. E a opinião
da Abert é a seguinte, segundo Alexandre Jobim:
–
A Abra não causa nenhum impacto. Não muda absolutamente
nada para a Abert. Oficialmente, desconhecemos a Abra. Não
temos o que falar. Não nos diz respeito.
Jobim
não aceita a crítica que a entidade defende os
interesses da Globo em primeiro lugar. Para ele, Record e RedeTV!
entraram em choque com a Abert pela defesa que a entidade fez
de uma linha de crédito do governo para as empresas de
comunicação.
–
Record e RedeTV! eram contra a ajuda do governo à mídia
por entenderem que essa ajuda beneficiaria a Globo.
Para
administrar a Abra, que será presidida por João
Carlos Saad, da Band, os seus quatro principais associados estabeleceram
um conselho com poder de veto isolado. Ou seja, a associação
só vai poder se manifestar sobre qualquer assunto desde
que haja a concordância dos quatro. Fantazzini que se
cuide.
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