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na notícia:
Projeto
que cria Ancinav tem apoio no Planalto.
Debate
sobre audiovisual privilegia cinema.
Programa
discutiu lei do audiovisual.
Documentaristas
apóiam projeto de lei do MinC.
Azares
de um ministério.
Projeto
depende da aprovação de Conselho.
Mídia
exagera contra conselho, diz intelectual.
Abert
- Nota à Imprensa.
Ecad
diz que projeto do MinC é inconstitucional.
Projeto
de criação da Agência do Audiovisual recebe
novas críticas.
Ancinav
tem sua primeira discussão pública na ABTA 2004.
Ziller
não vê conflitos entre futura Ancinav e a Anatel.
Pacto
inexistente.
Gil
propõe retirar artigo polêmico de seu projeto.
Preâmbulo
sobre o projeto de fiscalizar cinema e audiovisual.
Gil
defende diálogo sobre o audiovisual.
Ministério
da Cultura obtém apoio e sai do isolamento.
Ministério
da Cultura muda pontos do projeto da Ancinav.
"Estamos
prontos a conversar", diz Central Globo.
Pobre
argumento.
Texto
oficial do MinC é idêntico ao "vazado".
MinC
se defende em nota assinada por Gil.
CBC
apóia o projeto de criação da Ancinav.
Aprocine
também manifesta apoio ao projeto do MinC.
Estatização
do cinema e da TV.
Governo
quer controlar conteúdo da internet.
Agência
do Cinema teme bloqueio de suas atividades.
Projeto
provoca polêmica desde o governo FHC.
MinC
recua, mas não desiste de regular as TVs.
MinC
e CSC definem mais 60 dias para projeto ficar pronto.
Proposta
do MinC abre debate sobre marco regulatório.
Para
exibidores, diálogo começa agora.
Proposta
do MinC prevê taxação da verba publicitária
para TV.
MinC
diz que proposta do governo sairá em 30 dias.
Nova
lei para o audiovisual é duramente criticada.
Setores
recebem com surpresa proposta de nova lei.
Ministérios
já debatem minuta da Lei Geral do Audiovisual.
TVs
não terão cotas de tela, mas celebrarão
compromissos.
Governo
colocará telecom sob as regras do audiovisual.
Regras
para controle de coligação poderão ser
criadas.
Radiodifusão
e telecom estão juntas em proposta de lei.
Governo
quer cópias e legendagens feitas no Brasil.
Regra
dos 3% para programadoras pode ir a 6%.
Proposta
prevê novos fundos e um "prêmio adicional de
renda".
Ancinav
deve limitar poderes do Ecad sobre direitos.
Política
audiovisual
Projeto
que cria Ancinav tem apoio no Planalto.
Informação:
TELA VIVA News - 18/08/2004
Sérgio Sister
Em
meio ao bombardeio, a tropa continua, aparentemente, unida.
Um dos mais próximos assessores do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva assegurou esse noticiário nesta quarta-feira,
18, que o ministro Gilberto Gil, da Cultura, “tem todo
o apoio do governo” para prosseguir no projeto que cria
a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav),
atualmente em consulta pública. As autoridades, diz a
fonte, estão convencidas da complexidade dos novos problemas,
principalmente em relação à atividade audiovisual
na área de telecomunicações. “É
para discutir mais, mas não é para parar de forma
alguma”, acrescentou a fonte. A informação
coincide com o lacônico “está tudo em paz”,
respondido pelo ministro das Comunicações Eunício
Oliveira na terça, 17, ao ser questionado como estava
a questão da Ancinav. O Ministério das Comunicações
foi um dos que teceu críticas mais duras ao texto proposto
pelo Ministério da Cultura.
Outro
funcionário bem posicionado no governo confirmou o apoio,
ressaltando, inclusive, que o projeto passou antes pelo crivo
do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Esse mesmo
funcionário acredita que o ministro Gil tenha mesmo sido
escolhido para encaminhar a proposta por ser um ícone
da cultura brasileira que, mesmo contestado, consegue colocar
a discussão no seu eixo.
A
expectativa é que os ânimos em relação
ao projeto que cria a Ancinav fiquem mais calmos até
as vésperas do fim da consulta pública (início
de outubro). Por enquanto, o bombardeio tem vindo de setores
afetados tecnicamente (e tributariamente) pelo projeto, como
o de exibição e distribuição.
<Topo>
ANÁLISE
Debate
sobre audiovisual privilegia cinema.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 18/08/2004
Esther Hamburger
Especial para Folha
A
polêmica em torno da criação da Agência
Nacional do Audiovisual continua, nos jornais, na TV e na internet.
O "Roda Viva" (Cultura) de anteontem discutiu o assunto
com o secretário-executivo do Ministério da Cultura,
Juca Ferreira.
Um
olhar minimamente distanciado estranha o tom -histérico-
dos protestos contra a tentativa de regular o chamado quarto
poder, esfera estratégica da vida atual, em que ainda
vigora o estado de natureza hobbesiano.
Sem
subscrever o projeto, mas na contracorrente dessa gritaria geral,
o mero conflito público entre executivo e meios de comunicação
que as proposições instauraram me causa alívio.
Afinal, os interesses dos dois poderes são essencialmente
diferentes. Melhor assim.
Causou
preocupação, há alguns meses, o flerte
entre segmentos governamentais e midiáticos, como se
fosse iminente um acordo de cavalheiros, em que se trocaria
cobertura política dócil por investimento público
em empresas de informação. Aí, sim, estaria
a sociedade civil nas mãos de uma aliança que
ameaça os princípios básicos da democracia.
Reconhecido
o conflito como elemento inerente ao assunto, trata-se de garantir
os princípios de uma negociação que contemple,
acima de tudo, os direitos dos cidadãos.
A
falta desse lastro na cidadania é multimídia e
é visível em diversos aspectos que precisam ser
urgentemente corrigidos. Talvez o primeiro deles seja a promiscuidade
entre outro poder relevante nesse jogo, o Legislativo, e a mídia.
O fato de, estranhamente, uma parcela significativa dos parlamentares
serem acionistas de concessionárias de radiodifusão
arranha a isenção que se esperaria de quem é
responsável por fazer e aprovar leis.
A
lista é imensa, complexa e diversificada. Alguns segmentos
dessa ampla área do audiovisual estão endividados,
oferecendo ocasião ideal para que o poder público
negocie confortavelmente condições que potencializem
a produção nacional. Outros crescem e podem continuar
nesse movimento se não forem interrompidos.
O
debate sereno -e oportuno- sobre a necessária regulamentação
da produção e circulação de conteúdos
em salas de exibição, na televisão aberta
e a cabo e na internet não diz respeito somente ao cinema.
As emissoras de TV estão pouco visíveis no debate
público.
Esther
Hamburger é antropóloga e professora da ECA-USP
<Topo>
POLÍTICA
CULTURAL
Programa
discutiu lei do audiovisual.
"Roda
Viva" vira bate-boca em torno de "Homem-Aranha".
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 18/08/2004
O
"Roda Viva" (TV Cultura) sobre a nova lei do audiovisual
teve até bate-boca, mantendo o clima quente das discussões
em torno das regras recentemente propostas pelo Ministério
da Cultura.
O
entrevistado de anteontem foi Juca Ferreira, secretário-executivo
da pasta e um dos idealizadores do texto de criação
da Ancinav (Agência Nacional do Audiovisual) -que regulamenta
o mercado de cinema e TV e cria taxas para o setor. No programa,
ao vivo, ele ficou no centro de um "tiroteio", já
que quase toda a bancada de entrevistadores era formada por
representantes do mercado contrários às propostas.
Houve
bate-boca entre Ferreira e Rodrigo Saturnino, diretor da distribuidora
Columbia. No centro da discussão, estava o "Homem-Aranha",
lançado pela empresa no Brasil com 650 cópias.
Ferreira usou esse exemplo para mostrar como uma produção
estrangeira pode ocupar cerca de um terço das 1.800 salas
de cinema do país. Se a lei for aprovada, haverá
uma taxação para filmes lançados em mais
de 200 salas.
"Quer
fazer assim? Vai pagar uma taxa para o desenvolvimento do audiovisual
brasileiro", disse Ferreira. Saturnino respondeu que um
lançamento nesses moldes estará inviabilizado
no país caso a nova lei entre em vigor e que salas de
pequenas cidades serão prejudicadas, já que não
iriam receber grandes lançamentos.
Um
interrompia o outro, e Ferreira chegou a se dirigir ao apresentador
Paulo Markun: "Peço que garanta a minha palavra".
<Topo>
AUDIOVISUAL
Documentaristas apóiam
projeto de lei do MinC.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 16/08/2004
A
ABD (Associação Brasileira de Documentaristas
e Curtas-metragistas) manifestou apoio ao projeto do Ministério
da Cultura de criar a Agência Nacional do Cinema e do
Audiovisual em nota que diz: "Entendemos que as propostas
partem de uma consulta ampla aos diversos setores da atividade
e refletem uma demanda histórica da maior parte desses
setores". E acrescenta: "Observamos com felicidade
na proposta a visão estratégica de que é
necessário garantir condições de competitividade
para o conteúdo brasileiro, no país e no exterior".
<Topo>
ALCINO
LEITE NETO
Azares
de um ministério.
Informação:
Folha de São Paulo - Opinião - 16/08/2004
O
Ministério da Cultura foi vítima de dois infortúnios
ao divulgar seu projeto de regulação do mercado
e produção de cinema no Brasil e de criação
da Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual).
Primeiro,
anunciou o projeto quase ao mesmo tempo em que o governo difundia
outro plano: o de um indefensável Conselho Federal de
Jornalismo. Segundo, não pôde evitar que o projeto
da Ancinav fosse imediatamente relacionado a um paper escrito
pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães,
cujo nome seria "Subdesenvolvimento e Cultura". O
texto foi tomado como o fundamento ideológico do projeto
de lei e sobretudo do seu controverso artigo 43, segundo o qual
competiria à Ancinav dispor sobre o conteúdo dos
produtos audiovisuais.
O
paper estaria circulando de maneira reservada no governo, mas
um outro texto do diplomata, de nome parecido e com um conteúdo
aparentemente igual, "Macunaíma: Subdesenvolvimento
e Cultura", pode ser lido com toda a liberdade no site
www.desempregozero.org.br.
A
reflexão de Pinheiro Guimarães -que foi vice-presidente
da Embrafilme na gestão Celso Amorim (1979-1982)- é
ambiciosa e pretensiosa. Ele deseja traçar um diagnóstico
geral da cultura brasileira a partir da idéia de que
nossas elites têm uma consciência colonizada, buscando
sempre implantar no país, de modo imitativo, os modelos
das Grandes Potências (em maiúsculas no texto),
sobretudo dos Estados Unidos. Defende então que se desenvolva
dispositivos que possam reduzir a "vulnerabilidade ideológica"
do país à influência estrangeira e que permitam
ao Brasil criar uma identidade cultural própria.
Por
um instante pensamos que o diplomata e sua pena burocrática
foram tomados pelo espírito de Glauber Rocha, mas, quando
nos deparamos com as suas conclusões, verificamos que,
na verdade, ele encarnou Policarpo Quaresma. Algumas das idéias
pertinentes do texto são eclipsadas por deduções
excêntricas, como achar que um maior tempo na escola levaria
os alunos a reduzirem seu interesse pela TV.
Mas
não é o nacionalismo antiquado do paper, muito
menos a sua análise esquemática com veleidades
de interpretação do Brasil, que mais incomodam
um leitor contemporâneo. É a idéia de que
somos por essência uma sociedade subserviente e imatura,
propensa à manipulação, que merece portanto
ser tutelada pelo Estado. É também o sentimento
um tanto autoritário de que os meios audiovisuais e de
comunicação, se deixados ao deus-dará,
só reproduzem a degradação cultural e o
espírito colonizado. Impressiona que tal raciocínio
ainda sobreviva no meio petista. Faz tempo que o PT trocou seu
trabalho de conscientização política dos
cidadãos pelo marketing eleitoral maciço.
Sobram
boas intenções e falta dialética ao esquerdismo
(tão anos 60) de Pinheiro Guimarães. Ele presume
que a autonomia cultural se possa realizar sem que tratemos
de superar as relações estruturais de dependência
econômica do país. O paper é um sintoma
da esquizofrenia deste governo: enquanto a Casa Civil e o Planejamento
ficam insuflando regulações e bolando batalhas
contra a dominação estrangeira, a Fazenda libera
o mercado brasileiro para as excitantes aventuras do capital
financeiro transnacional.
Todos
sabemos que é preciso estabelecer critérios à
exibição e à produção de
cinema no Brasil -e o próprio embaixador formula, por
vezes, propostas objetivamente relevantes para isso. Mas quem
confiará agora num projeto de lei que, a pretexto de
nos livrar do "Homem Aranha", parece fazer parte de
uma teia de surpresas retrógradas?
Alcino
Leite Neto é editor de Domingo.
<Topo>
AUDIOVISUAL
Antes
de ser encaminhado ao Congresso, especialistas do governo e
civis terão 60 dias para avaliar o texto
Projeto
depende da aprovação de Conselho.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 15/08/2004
Produção,
distribuição e exibição de filmes
(e outros conteúdos audiovisuais) no cinema, nas TVs,
no celular -o projeto de lei do MinC (Ministério da Cultura)
para a criação da Ancinav (Agência Nacional
do Cinema e do Audiovisual) introduz novas regras em todo o
mercado.
O
ponto mais questionado do texto -que dava à Ancinav o
poder de interferir na programação das TVs (artigo
43)- será retirado, antes mesmo do envio ao Congresso
Nacional, conforme anunciou o Ministério da Cultura.
Sobra
então para a criação de tributos a liderança
das reclamações dos setores atingidos. A venda
de bilhetes de cinema tem taxação de 10%; vídeo,
9%; anúncios publicitários em TV, 4%.
Como
o objetivo geral do projeto é desenvolver a indústria
nacional de cinema, os filmes brasileiros ficam excluídos
da taxação sobre lançamentos, que estipula
pagamento de R$ 600 mil para estréias acima de 200 cópias.
O
pagamento de direitos autorais por músicas executadas
em filme está sujeito a mudanças também,
de acordo com o projeto. O Ecad (Escritório Central de
Arrecadação de Direitos), órgão
privado que hoje centraliza em nome dos compositores todas as
cobranças, perderia para a Ancinav o controle sobre as
obras audiovisuais e cinematográficas.
O
Ecad rejeita os artigos do projeto que se referem a isso, afirmando
que a submissão dos direitos de autor a uma autarquia
federal é inconstitucional.
Antes
de ser levado ao Congresso, o projeto necessita da aprovação
do Conselho Superior de Cinema, formado por nove ministros e
nove representantes da sociedade civil (profissionais das áreas
de cinema e TV).
O
conselho tem 60 dias para avaliar e propor sugestões
ao texto, que está disponível no site do MinC
(www.cultura.gov.br).
Como alguns conselheiros atuam em setores atingidos pelas medidas,
o debate mais parece queda-de-braço. (SA E PAS)
<Topo>
GOVERNO
E IMPRENSA
Wanderley
Reis diz que setores do PT podem ter laivos autoritários,
mas que algum controle é positivo
Mídia
exagera contra conselho, diz intelectual.
Informação:
Folha de São Paulo - Brasil - 15/08/2004
Marta Salomon
Da Sucursal de Brasília
O
cientista político Fábio Wanderley Reis, 66, já
animou um encontro de empresários com o então
presidente Fernando Henrique Cardoso três anos atrás
por escrever que Luiz Inácio Lula da Silva, caso eleito,
poderia não terminar seu mandato, tão grandes
as turbulências.
Surpreendido
com o desempenho de um ano e meio de governo Lula, o doutor
por Harvard (EUA) e professor emérito da UFMG (Universidade
Federal de Minas Gerais) vê agora exagero nas reações
às propostas de controlar a imprensa e a produção
cultural do país, desde que o controle se limite a conter
eventuais abusos dos jornais e a garantir qualidade aos produtos
culturais financiados com verba pública.
"Não
há como escapar de um esforço de construção
institucional complexo", afirma.
Folha
- O sr. está entre os que vêem inspiração
autoritária nas recentes propostas do governo?
Fábio
Wanderley Reis -
Eu acho que há um pouco de exagero na reação.
Não descarto a possibilidade de que pela cabeça
desta ou daquela liderança petista mais apegada à
inspiração ideológica inicial do partido,
o socialismo etc., haja lá seus laivos autoritários.
Mas há matizes muito importantes no assunto. O ponto
sensível da coisa tem a ver com até que ponto
a liberdade de imprensa é cerceada. Obviamente existe
algum perigo quanto a isso. O valor que representa uma imprensa
livre, independente, afirmativa, aguerrida e combativa obviamente
é algo da maior importância, como parte de um arsenal
de garantias institucionais da democracia. Mas existe a possibilidade
de a imprensa também de repente atropelar direitos civis.
Folha - Na sua opinião, a imprensa livre não seria
um valor absoluto, como disse o ministro Luiz Gushiken (Secretaria
de Comunicação e Gestão Estratégica)?
Reis
- Não, estou querendo dizer que existem justificativas
para a busca de algum tipo de controle, algum tipo de regulação
da imprensa. Basta pensar no que aconteceu no caso Alceni Guerra
(ex-ministro da Saúde do governo Collor, acusado de corrupção)
ou da Escola Base (cujos donos, em 94, foram alvo de falsa acusação
de abusar sexualmente dos alunos). São casos de erros
dramáticos. E não há uma ressonância
correspondente na correção, é natural que
seja assim.
Folha - A Justiça não dá conta de lidar
com erros como esses?
Reis
- Acho que fica muito claro que não basta o recurso à
Justiça contra eventuais abusos ou erros da imprensa.
Ora, se falamos em controlar até o Judiciário,
por que não tratar de que haja algum tipo de controle
também da imprensa?
É possível fazer paralelo com a autonomia da universidade.
A gente tem uma briga perene pela autonomia da universidade,
para assegurar a chamada liberdade de cátedra, que o
Estado não interfira no que é ensinado. Mas não
significa que o Estado deva estar fora do controle de qualidade.
Folha - No caso da criação da Ancinav (Agência
Nacional de Cinema e Audiovisual), com supostos poderes sobre
o conteúdo da produção cultural do país,
o sr. também encontra justificativa para a mão
mais forte do Estado?
Reis
- Isso aí certamente é menos justificado do que
no caso da preocupação com eventuais erros da
imprensa e suas conseqüências. Na melhor das hipóteses,
eu conseguiria imaginar como algo positivo do ponto de vista
doutrinário, filosófico etc., que houvesse algum
controle de qualidade no caso de haver financiamento público.
O Estado põe dinheiro público, sei lá,
para financiar um filme ou o que quer que seja, é natural
que haja algum exame, algum acompanhamento, alguma garantia
de que você tenha produção de boa qualidade.
É algo muito diferente disso e perigoso a tentativa de
orientar quanto ao conteúdo e há um pouco disso
no projeto, uma certa preocupação nacionalista,
de conteúdo social, algo dificilmente defensável.
Folha - Há uma mesma lógica para as duas propostas
e outras igualmente recentes, como aquela que proíbe
a divulgação do conteúdo de grampos telefônicos?
Reis
- Quanto aos grampos, a preocupação de que não
haja divulgação precoce de investigações
vai na mesma direção do que eu dizia a respeito
dos eventuais erros da imprensa. Eu acho que a denúncia
da tentativa de mordaça envolve um certo exagero porque
aí sim haveria um perigo. Os direitos civis estão
sendo afetados, sem a menor dúvida, quando precipitadamente,
este ou aquele membro do Ministério Público sai
divulgando indícios.
Em geral, juntando as iniciativas, a agência, o conselho,
a única maneira de ver uma intenção comum
seria naquela direção de que eu falei no início.
A idéia de que você teria num governo petista pessoas
imbuídas de uma ótica autoritária, de inspiração
socialista stalinista, buscando o exercício de alguma
coisa que acabaria sendo totalitária. Mas é difícil
pretender que isso seja o caso da agência, tendo em vista
o conjunto de pessoas que estão envolvidas.
Folha - Pessoas, no caso, é o ministro Gilberto
Gil?
Reis
- Eu acho difícil atribuir ao Gil, por exemplo, esse
tipo de motivação. Eu definitivamente não
quero excluir a possibilidade, inclusive isso é um fato,
existe esse tipo de mentalidade em muita gente ligada ao PT.
A gente tem experiência de ver certas práticas
com relação à educação. Houve
denúncias de totalitarismo. Provas de seleção
de professores por múltipla escolha em que a resposta
certa era uma resposta percebida como ideologicamente certa
pelos autores do teste. Coisas desse tipo, algo inaceitável.
Pode haver um pouco dessa motivação nas iniciativas,
mas é bom atentar para os matizes e não dá
para jogar tudo no mesmo saco.
A
coisa acaba podendo ser resumida em algo que pegue a essência
da coisa. No geral, você teria necessidade para garantir
a democracia, os direitos civis etc, não há como
escapar de um esforço de construção institucional
complexo. A idéia dos freios e contrapesos, em que você
cria entidades diversas, contrapõe um poder ao outro
etc etc e cria uma séria de instâncias em que umas
controlam as outras.
Folha - Entrariam aí tanto a agência como
o conselho?
Reis
- Claro, como parte desse jogo institucional complexo.
Folha - E pode servir para impor censura?
Reis
- Pois é, existe risco por aí. Mas a maneira de
neutralizar isso seria ver a coisa debatida de maneira apropriada,
eventualmente o conselho ter representação diversificada.
O que dá para dizer num nível genérico
é que não se pode abdicar de um esforço
de construção institucional complexo. A coisa
é a complicada e a resposta tem de ser necessariamente
complicada também.
Folha - Não haveria contradição
entre a política econômica liberal do PT e a ação
intervencionista no domínio cultural e da opinião?
Reis
- Acho que na verdade isso acaba sendo parte de uma certa síndrome
a que um governo petista estaria necessariamente exposto nessas
circunstâncias. Por um lado, ele evidentemente é
suspeito aos olhos da direita, dos setores mais conservadores
da sociedade, inclinados a ver totalitarismo em muita coisa,
porque afinal de contas o PT é o herdeiro das suspeitas
que havia anteriormente com relação ao risco de
revolução. Por outro lado, cobra-se do PT, no
espectro da esquerda, a fidelidade a um certo ideário
da esquerda. Então o PT acaba preso por ter cão
e por não ter cão.
Folha - Três anos depois de pensar que Lula poderia não
terminar o mandato caso eleito, o sr. se surpreendeu com o desempenho
de um ano e meio de gestão petista?
Reis
- Eu te confesso que sou surpreendido positivamente. Porque
eu tinha muito temor em relação a que um desses
lados dessas suspeitas em relação ao PT, o lado
mais à direita, prevalecesse, e a gente tivesse muito
mais turbulência. Nesse sentido, a moderação
que o PT mostrou em aplacar as suspeitas dos meios financeiros
está sendo bem-sucedida. Bem ou mal há alguma
perspectiva de o Brasil ter crescimento estável.
<Topo>
NOTA
Á IMPRENSA.
PROJETO DA ANCINAV.
Informação:
ABERT - 13/08/2004
Manifestando sua preocupação com os termos da
proposta de criação da Agência Nacional
do Cinema e do Audiovisual - ANCINAV, divulgados pela imprensa
e pelo próprio Ministério da Cultura, a diretoria
da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão - ABERT, reunida em reunião extraordinária
no dia 11 do corrente, deliberou firmar posição
contrária a qualquer iniciativa que venha representar
embaraço ou interferência estatal na criação
artístico-cultural e nas liberdades de expressão
e editorial.
A
ABERT, que tem entre seus quadros 214 emissoras de televisão
e não foi chamada em nenhum momento para a discussão
do tema, registra sua perplexidade diante da proposta apresentada
que confunde os conceitos técnicos de conteúdo
e plataforma e rechaça, com veemência, a relativização
da liberdade que constitui dogma intocável da Constituição
Federal. A diretoria da entidade entende ser uma volta ao obscurantismo
de triste memória a pretensão governamental de
regular, organizar, planejar, administrar, dirimir conflitos
e aplicar penalidades na produção de cinema e
audiovisual, interferindo até mesmo em peças publicitárias
bem como programas de cunho jornalístico e esportivo
de emissoras de televisão.
A
ABERT, que considera a proposta uma séria ameaça
à liberdade de expressão jornalística,
artística e cultural, na contramão do espírito
que norteou o constituinte de 1988, confia que o Governo Federal
em suas várias instâncias e em homenagem à
biografia de seus integrantes, haverá de ampliar a discussão
sobre a ANCINAV com a sociedade para que seja lançada
a necessária luz sobre o tema e reveja, afinal, estes
conceitos para não permitir que seja ferida a cidadania.
<Topo>
RUÍDO
Ecad
diz que projeto do MinC é inconstitucional.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 13/08/2004
Pedro Alexandre Sanches
O
Ecad (Escritório Central de Arrecadação
de Direitos) chegou a temer que a extinção da
instituição estivesse contemplada no polêmico
projeto de lei de criação da Ancinav, feito pelo
Ministério da Cultura.
O
projeto veio atingindo a central de arrecadação
só no que se refere à cobrança de direitos
autorais por trilhas sonoras de filmes. Durante entrevista à
Folha, o ministro e compositor Gilberto Gil afirmou que a extinção
do Ecad não foi cogitada.
"Não
trabalho para que o Ecad desapareça, não vejo
necessidade", disse, completando: "Não vejo
também necessidade nenhuma de o Ecad se colocar receosamente
em relação a outras formas de movimentação,
que façam o que o Ecad não faz".
Seu
discurso vai além: "Tantas instituições
humanas são extintas e desaparecem, são recicladas,
reaparecem no futuro. Não tem que ter medo. Se o Ecad
desaparecer, qual é o problema?".
Confrontada
com esse depoimento, a superintendente do Ecad, Glória
Braga, se diz tranqüila quanto à disposição
mantenedora do ministro. Mas vai ao ataque quanto ao já
disposto no projeto, afirmando que o órgão preparará
documento afirmando que aquele trecho é inconstitucional.
"O projeto quer retirar do âmbito privado e levar
ao de uma agência estatal a administração
de bens que são propriedade dos compositores. Eles é
que têm que dizer como querem administrar."
"Gil
diz que não está entrando na esfera do Ecad, mas
está. Será que ele está sabendo qual é
a extensão desse negócio?", pergunta Braga,
que admite que também não leu o texto na íntegra.
Sobre
um suposto caráter abusivo da cobrança de direitos
em cinema, contra-ataca, rebatendo indiretamente argumentos
de donos de cinemas: "Estou respaldada pela lei e por decisões
judiciais. Abusivo é quem não cumpre a lei há
15 anos".
<Topo>
Projeto
de criação da Agência do Audiovisual recebe
novas críticas.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 13/08/2004
Nova
bateria de notas oficiais distribuídas por sindicatos
da indústria de cinema e profissionais da área
reforça as críticas ao projeto de lei do MinC
(Ministério da Cultura) para a criação
da Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual),
mas apóia o objetivo de incluir a participação
da TV nas ações de desenvolvimento do cinema nacional.
"Não
se trata de só atacar. Fundamentalmente, é necessário
que as lideranças trabalhem para melhorar o projeto",
diz André Sturm, presidente do Sicesp (Sindicato da Indústria
Cinematográfica do Estado de São Paulo), que divulgou
nota ontem. Sturm é também membro do Conselho
Superior de Cinema, encarregado de avaliar oficialmente a proposta
do MinC, antes que ela seja encaminhada ao Congresso.
Ampliação
A nota do Sicesp diz: "Defendemos a ampliação
do marco regulatório criado pela medida provisória
2.228 [que instituiu a atual Ancine, Agência Nacional
do Cinema, em setembro de 2001] para todo o setor audiovisual".
O
mesmo ponto consta da nota divulgada anteontem pela Abraci (Associação
Brasileira de Cineastas), depois de assembléia com os
associados do Rio de Janeiro: "Sempre defendemos a ampliação
do marco regulatório inaugurado pela medida provisória
2.228".
O
tom crítico das manifestações também
é coincidente. A nota do Sicesp afirma: "Somos contra
qualquer projeto que possa conduzir a um dirigismo centralizador
estatal sobre o conteúdo e a dinâmica das relações
econômicas do setor".
Liberdade
de expressão
O texto da Abraci diz: "Em qualquer hipótese declaramos
que estaremos sempre em defesa da liberdade de expressão,
contra qualquer tipo de censura".
Entre
os signatários do documento da Abraci, estão os
cineastas Cacá Diegues e Roberto Faria, que, assim como
Sturm, é titular do Conselho Superior de Cinema.
O
Sicav (Sindicato da Indústria do Cinema e Audiovisual),
do Rio de Janeiro, divulgou nota conjunta com os sindicatos
dos distribuidores do Rio e de São Paulo, a Abraplex
(Associação Brasileira de Operadoras de Multiplex),
a Feneec (Federação Nacional de Empresas Exibidoras
Cinematográficas) e a Abracine (Associação
Brasileira de Cinema), entidade de exibidores presidida por
Luiz Severiano Ribeiro, outro membro do Conselho Superior de
Cinema.
Diz
a nota: "As entidades abaixo signatárias vêm
a público manifestar nossa preocupação
quanto à forma como foi conduzido o encaminhamento do
projeto de lei que cria a Ancinav. Entendemos que os princípios
e fundamentos da lei em questão podem conduzir a um dirigismo
centralizador estatal sobre o conteúdo e a dinâmica
das relações econômicas do setor".
(SA)
<Topo>
Política
audiovisual
Ancinav tem sua primeira discussão pública na
ABTA 2004.
Informação:
TELA VIVA News - 06/08/2004
Alguém tinha que colocar a bola em campo e começar
a jogar o jogo da complexa e antiga discussão sobre a
legislação da comunicação social
e do audiovisual no país. Com essa posição,
Manoel Rangel, assessor especial do Ministério da Cultura,
sintetizou o momento de intensos debates e trocas de opiniões
sobre o polêmico projeto que cria a Agência Nacional
do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), atualmente em consulta
pública. A pauta do debate deveria ter sido sobre a regulamentação
de TV por assinatura, mas o calor das discussões sobre
a Ancinav acabou transformando o debate de encerramento da ABTA
2004, realizado nesta quinta, 12, em São Paulo, em um
princípio de uma discussão que pode ser muito
maior. O encontro reuniu Evandro Guimarães, vice-presidente
de assuntos institucionais das Organizações Globo;
Marcos Bitelli, advogado especialista em comunicação;
Murilo Ramos, professor da UnB e pesquisador de políticas
de comunicação; Francisco Valim, presidente da
Net Serviços e da ABTA; Pedro Jaime Ziller de Araújo,
presidente da Anatel e; Manoel Rangel. Em comum, apenas uma
idéia: há um problema a ser resolvido. Mas as
visões sobre o problema são divergentes.
Problema
em comum
Murilo
Ramos abriu a discussão com a constatação
de que nada se fará no conjunto de regras para a TV por
assinatura, de forma específica, e para a comunicação
social, de modo geral, se não houver uma combinação
com todos os setores, sendo a televisão o principal deles.
"A Lei do Cabo só surgiu por um processo de convergência
de interesses, mas parece ter sido um caso único na história.
O projeto da Ancinav se propõe a fazer uma coisa muito
maior e mais profunda, mas o bombardeio que o texto vem recebendo
na mídia mostra que ou ele estava mal combinado com o
outro lado, ou definitivamente os grupos de mídia foram
surpreendidos". Para o pesquisador, talvez o modelo francês
que está sendo proposto pelo Ministério da Cultura,
"com a separação da atividade regulatória
da infra-estrutura e do audiovisual", não seja a
mais adequada. "Hoje tendo a achar o modelo britânico,
de uma Ofcom, um ente regulador único, melhor".
Evandro
Guimarães, da Globo, reforçou sua posição
"de vários anos", segundo suas próprias
palavras, em defesa do conteúdo, da cultura e dos interesses
nacionais, "expressos na Constituição",
em relação à perspectiva da globalização
e da entrada dos meios de telecomunicações na
seara da comunicação. "Existe uma preocupação,
e não vejo nada de errado em defender esses interesses,
que, aliás, não são defendidos apenas pelas
Organizações Globo", disse o executivo. Em
relação ao projeto da Ancinav, Evandro Guimarães
reconhece a complexidade da iniciativa, mas pondera que ela
peca em diversos pontos ao dar margem para uma regulação
indevida e excessiva. "Deveria ser um projeto de fomento,
de estímulo nesse primeiro momento", disse.
Marcos
Bitelli, considera que o problema maior por trás da questão
é a imprecisão com que o assunto Comunicação
Social é tratado na Constituição. "A
proposta da Ancinav é na verdade a proposta de uma 'Anacomda',
a Agência Nacional da Comunicação e do Direito
Autoral. Só que não existe sustentação
na Constituição para que isso seja feito, pois
a definição do setor de Comunicação
Social é ampla e não prevê a figura de uma
agência que está sendo criada". Para o advogado,
talvez o governo devesse se preocupar em efetivamente criar
um programa de apoio à Cultura, com "dotação
orçamentária e programas de governo" em lugar
de iniciar com uma proposta estruturada da maneira como o projeto
da Ancinav está.
Manoel
Rangel arrematou a polêmica lembrando que esse debate
está sendo colocado agora em consulta pública,
e que "é parte de uma discussão que vem desde
o governo Fernando Henrique", que todos os setores serão
invariavelmente ouvidos e que quem decidirá como e se
alguma agência será criada é o Congresso
Nacional. "Entendemos que existe a necessidade de uma proposta
como essa, que há uma demanda social ampla e nunca nos
furtaremos ao debate nem deixaremos de ouvir ninguém".
Concluída a discussão, a TV por assinatura, que
involuntariamente foi o primeiro setor a conseguir trazer esse
debate a público, viu-se como parte de um problema muito
maior, muito mais amplo.
<Topo>
Política
audiovisual
Ziller não vê conflitos entre futura Ancinav e
a Anatel
Informação:
TELA VIVA News - 06/08/2004
O presidente da Anatel, Pedro Jaime Ziller de Araújo,
que participou de debate de encerramento da ABTA 2004 sobre
os próximos 10 anos de regulamentação de
TV por assinatura, não se mostra preocupado com a perspectiva
da criação da Ancinav, uma agência para
o audiovisual que regule também a transmissão
de conteúdos por empresas de telecomunicações.
Questionado se não veria a Ancinav como uma agência
potencialmente conflituosa com as atribuições
da Anatel, Pedro Jaime Ziller disse que não. “Não
vejo conflito por uma razão muito simples: a agência
não foi criada. Há uma proposta do governo que
está em discussão pública e será
discutida pelo Congresso”.
<Topo>
CLAUDIA
ANTUNES
Pacto
inexistente.
Informação:
Folha de São Paulo - Opinião - 13/08/2004
O projeto que cria a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual
deve ter falhas jurídicas, disposições
economicamente inviáveis e até segundas intenções
políticas, como dizem seus críticos, mas o ministro
Gil tem razão quando acusa os que usam adjetivos retumbantes
como "stalinista" e "autoritário"
para desqualificar a iniciativa de pretenderem enterrar outra
vez o debate sobre a regulação do setor.
A
disputa eleitoral e medidas governistas de partidarização
da máquina federal favorecem a politização
extrema da discussão, mas esse viés se impõe
com facilidade por causa da dificuldade brasileira de lidar
com a noção do que é um bem público
-noção que supõe um pacto em que cada parte
cede um pouco em seus interesses e metas de curto prazo para
viabilizar a vida em sociedade.
Mesmo
privatizados, serviços como telefonia e energia elétrica
são ainda públicos e sua gestão deve, em
tese, equilibrar os interesses dos usuários e a viabilidade
econômica das empresas. Não haveria por que ser
diferente com as concessionárias de radiodifusão,
foco da oposição mais forte ao projeto da agência,
uma autarquia especial cujos dirigentes teriam mandato e estabilidade.
Pode
ser que, esgotada a polêmica, chegue-se à conclusão
de que a regulação é desnecessária,
até por não acreditarmos em nossa capacidade de
criar regras e garantir implementação justa. Mas,
de fato, estaremos, como disse Gil à Folha, na "contramão
da história" do que já fizeram "as catedrais
do capitalismo".
Para
quem gosta de analogias externas, vale lembrar a criação,
na Grã-Bretanha, no final do ano passado, do Office of
Communications, que assumiu a regulação da radiodifusão
(rádio e TV) e das telecomunicações, antes
feita por cinco entidades diferentes. Uma das prioridades do
escritório é a relação com os cidadãos:
por causa de reclamações de espectadores e ouvintes,
neste ano foram multadas emissoras que difundiram conteúdo
sexual em horário impróprio, e a Fox News foi
repreendida por atacar a BBC sem ouvi-la.
<Topo>
AUDIOVISUAL
Item
controla as TVs
Gil
propõe retirar artigo polêmico de seu projeto.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 12/08/2004
Silvana Arantes
O
ministro da Cultura, Gilberto Gil, decidiu propor a retirada
do mais polêmico ponto do projeto de lei que cria a Ancinav
(Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual) -o artigo
43, que confere à agência o poder de "dispor
sobre a responsabilidade editorial e as atividades de seleção
e direção da programação" das
TVs.
"Queremos
eliminar um foco de mal-entendidos e começar a discussão
em bom tom", diz o secretário-executivo do ministério,
Juca Ferreira, explicando a decisão de Gil.
Desde
que o projeto do ministério vazou pelo site "PayTV",
na segunda passada, o artigo 43 foi criticado por seu suposto
caráter dirigista e intervencionista e por abrir caminho
à censura da programação das TVs.
Apesar
das críticas, o MinC decidiu manter o artigo 43 no documento
entregue oficialmente, no fim da semana, aos membros do Conselho
Superior de Cinema, que terão dois meses para avaliar
e propor alterações no projeto, antes que ele
seja enviado ao Congresso. O texto tem, no total, 141 artigos,
em 43 páginas, e 16 páginas de "exposição
de motivos".
O
ministro apresentará oficialmente a proposta de retirada
do artigo 43 na próxima reunião do conselho, formado
por nove ministros e nove representantes da sociedade civil.
O encontro ainda não tem data definida. Mas os conselheiros
civis, que são profissionais das áreas de cinema
e de TV, devem ter reunião com equipe do Ministério
da Cultura após o encerramento do 32º Festival de
Gramado (16/8 a 21/8).
O
MinC também decidiu disponibilizar em seu site (www.cultura.gov.br)
o texto integral do projeto de lei, com espaço para os
internautas fazerem comentários e propostas. A divulgação
no site do ministério estava prevista para ocorrer a
partir de hoje. Com essa medida, o ministério pretende
mostrar que está "aberto a todos os canais, para
uma reflexão madura", como afirma Ferreira.
<Topo>
CONTARDO
CALLIGARIS
Preâmbulo
sobre o projeto de fiscalizar cinema e audiovisual.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 12/08/2004
Na
rua, esbarro nos restos de um assalto. Na roda de curiosos que
espera a chegada de uma viatura da polícia, ferve um
debate. Há o partido da cesta básica: só
voltaremos a ser donos de nossas ruas quando, enfim, todos tiverem
o que comer. E há o partido da bala básica: não
adianta oferecer desculpas, criminoso é criminoso, mate
logo.
Conclusão
majoritária: o problema é duplo, faltam as cestas
e faltam as balas nos revólveres da polícia.
No
dia seguinte, um amigo, que se prepara para ser professor e
está terminando seu estágio, comenta que uma coisa
é óbvia em matéria de disciplina: não
adianta que um professor mande alunos para a diretoria a cada
aula. O que adianta é a qualidade do ensino. A mesma
turma é infernal com um professor duríssimo, mas
pouco preparado, e ordeira com outro professor, que nunca levanta
a voz, mas transmite uma matéria interessante.
Relaciono
a observação do amigo com a conversa na roda do
assalto. Se tomarmos a disciplina escolar como exemplo, podemos
perguntar: como é mantida a ordem que permite uma boa
convivência social? A ameaça de expulsão
e a merenda escolar são indispensáveis, mas não
bastam. É necessário um outro tipo de alimento,
mais "espiritual".
Olho
pela minha janela: torres, edifícios, casas, as antenas
dos prédios da Paulista. Somos muitos, diferentes e amontoados
num espaço exíguo. O que faz com que a gente consiga
conviver? Certo, a polícia acaba reprimindo os que são
excluídos a tal ponto que lhes falta o mínimo
para viver (conviver é o último de seus problemas).
A polícia também cuida dos que não são
excluídos, mas não querem saber de convivência.
No
entanto, não é por medo da polícia que
não enveneno o cachorro da vizinha, que late a noite
inteira (o cachorro, não a vizinha). Não é
por medo da cadeia que trabalho em vez de inventar um esquema
fraudulento.
O
que torna possível a convivência é outra
coisa. É um patrimônio comum de coisas humildes
e sublimes, chatas e bonitas, banais e extraordinárias:
vozes do rádio, imagens da televisão, filmes,
livros nas bibliotecas e nas livrarias, quadros nas salas e
nas galerias, jornais nas bancas, poesias e romances lidos ou
que ninguém leu e ficam no fundo das gavetas, orçamentos
do mês, bate-papos noturnos de internautas, conversas
nos botecos, jogos de cartas, torcidas de futebol e receitas
de bolo.
Esse
saco de gatos, que se chama cultura, é também
um saco de normas, hábitos e costumes que praticamos
sem perceber. A sociedade é complexa, e ninguém
saberia compilar o código dessas regras, mas, sem elas,
viveríamos num pesadelo, em que só a repressão
nos defenderia da barbárie.
O
professor que cativa seus alunos pela qualidade de sua aula
está cultivando-os, fornecendo-lhes o necessário
para uma convivência social possível.
Em
suma, conviver exige inclusão (pão para todos),
repressão normativa e riqueza de uma cultura compartilhada.
Os
bons governos administram a repressão necessária
(que não pode ficar nas mãos dos cidadãos),
promovem a inclusão (tarefa assistencial) e, quanto à
riqueza cultural, limitam-se a fomentá-la, pois sabem
que é graças a ela que a sociedade se auto-regula
(com acento sobre "auto"), é graças
a ela que a ordem social pode dispensar a repressão.
Essas
funções do bom governo devem ser mantidas separadas.
Por exemplo, não se recusa assistência médica
a um preso nem cesta básica à família indigente
de um assassino.
Ora,
o Ministério da Cultura acaba de formular um "rascunho"
de lei para criar uma Agência Nacional do Cinema e do
Audiovisual. O preâmbulo, que expõe os motivos
do projeto, manifesta uma ótima compreensão da
função da cultura. É dito que o cinema
e o audiovisual definem "padrões de comportamento
social" e são "a forma mais rápida e
eficiente" de circulação dos "valores
éticos, históricos, políticos e sociais
cultivados" pelo povo.
No
entanto, uma vez reconhecida a relevância da cultura na
vida da nação, o projeto quer demonstrar que é
fundamental criar "meios de controle e fiscalização
das atividades cinematográficas e audiovisuais".
É
como se um inspetor pedagógico, ao se dar conta de que,
numa aula, os alunos se interessam e se cultivam, confundisse
fomentar com reprimir e anunciasse: "Vocês gostaram
muito das aulas sobre a era Vargas; a partir de amanhã,
quem, numa redação, disser que Vargas não
era bonito ficará sem caderno. Na recidiva, tirarei a
caneta também". Na aula seguinte, ninguém
prestará atenção. Na bagunça, só
sobrará o recurso da disciplina.
O
redator do preâmbulo imagina que, controlando e fiscalizando
a produção cultural, seja possível instalar
nos cidadãos os hábitos e costumes desejados (por
ele). Parece pensar: "Se há normas, devo ser eu
quem as dita".
Ora,
como a história cansou de mostrar, não se controla
a produção cultural; quem quer controlá-la
e fiscalizá-la só consegue torná-la clandestina
ou matá-la.
Esse
é o meu preâmbulo. O governo deixou 60 dias para
que a sociedade civil discuta o "rascunho". Como sou
civil e faço parte da sociedade, quero contribuir.
<Topo>
Ministro
reforça proposta de regulação e diz que
"monopólios e oligopólios são naturalmente
combatidos"
Gil
defende diálogo sobre o audiovisual.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 11/08/2004
Pedro Alexandre Sanches
Silvana Arantes
Sob
bombardeio de críticas à divulgação
de seu projeto de lei para a criação de uma Agência
Nacional do Cinema e do Audiovisual, o ministro da Cultura,
Gilberto Gil, anda medindo as palavras.
"Dominar
é uma palavra excessiva", diz, buscando outra, para
expressar a extensão das habilidades do músico
Marcus Suzano na manipulação de ritmos eletrônicos
e acústicos. Suzano é um de seus parceiros na
concepção do novo show "Eletracústico",
que Gil apresenta de sexta a domingo, em São Paulo, e
deve virar o primeiro disco do ministro-artista.
A
seguir, os "dois" -artista e ministro- discorrem em
enfáticas palavras sobre os vários campos de batalha
em que hoje habitam.
Folha
- Como acha tempo para criar, ensaiar e fazer novo show?
Gilberto
Gil
- Os ensaios fiz em março e abril, em finais de semana,
no Rio. É algo simples, com quatro músicos, bem
reduzido em relação a bandas bem maiores com as
quais venho trabalhando. Tem uma dimensão sonora muito
moderada, modesta. A proposta era trazer elementos da música
eletrônica, me ocorreu então chamar o trabalho
de "Eletracústico", pois acho legítimo
que o setor popular possa se apropriar de nomenclaturas eruditas.
Folha - O público estranhará um Gil mais eletrônico?
Gil
- A dosagem é suportável para uma expectativa
conservadora. Não chega a cometer violências contra
o modo clássico de apresentação dos meus
repertórios. A concepção não dá
impressão de radicalidade pendente a um lado diferente
daquele em que estou.
Folha - O projeto de lei do ministro é "suportável
para uma expectativa conservadora"? Nessa esfera, o sr.
está sob bombardeio.
Gil
- Mas não de toda a expectativa conservadora, só
de parte dela. Houve setores que disseram que a proposta é
inaceitável, toda ela. Outros, não, disseram que
há correções e ajustes a serem feitos,
textos que precisam ser mais bem escritos para contemplar exatamente
o princípio defendido. Acham que há propostas
que devam ser retiradas, mas defendem o geral, a regulação
como algo necessário.
Folha - Um de seus pólos opositores é
Cacá Diegues, cineasta brasileiro conhecido por representar
na tela a MPB e o negro.
Gil
- Não sei. Ele não me disse isso. Ao contrário,
disse: "Estou totalmente solidário com você".
O que ele publica no jornal "O Globo" é o que
ele publica no jornal "O Globo". Ele não me
disse que é um opositor nem acho que seja.
Folha - É um projeto radical?
Gil
- Radical em que sentido? É uma tentativa de interpretação
dos desejos e necessidades do conjunto do audiovisual no Brasil,
das relações entre o produto estrangeiro e o produto
brasileiro. Trata-se de proteger o produto brasileiro e de lhe
dar condições de equilíbrio e competitividade,
ou não. O documento busca regular um setor que demanda
cada vez mais regulação. Segue uma tendência
nacional e internacional da economia, de dizer que é
importante que os governos ofereçam à sociedade
marcos regulatórios. Condenar a iniciativa de regulação
me parece um pouco na contramão da história.
Folha - A necessidade citada no projeto de combater
monopólio e oligopólios na comunicação
lhe parece radical ao interferir no território das comunicações?
Gil
- No capitalismo moderno, tenho impressão de que oligopólios
e monopólios são naturalmente combatidos. A livre
competitividade e a equalização das oportunidades
para o mundo produtivo são coisas desejáveis.
Folha - A Globo é um opositor?
Gil
-
A Globo quer ser monopolista e oligopolista? Se quer, isso é
com eles, não comigo. O MinC não trabalha com
esse pressuposto, não pode. Trabalha com um pressuposto
de que ninguém deve ser monopolista e oligopolista.
Folha - O projeto é essencialmente petista, ao
mexer em temas como monopólio, ou, como acusam os opositores,
ao ser intervencionista, autoritário, dirigista?
Gil
- Não
acho. Isso é PT? Onde se combate mais monopólio
e oligopólio do que nos EUA, com leis antitruste e com
vigilância constante? Onde se regula mais a atividade
econômica do que nas grandes catedrais do capitalismo?
Folha - Seria, então, um choque de capitalismo?
Gil
-
É isso o que a gente quer. Se não conseguimos
expressar exatamente isso em algumas formulações,
vamos então sentar juntos e formular adequadamente nossa
concordância de princípios. Por isso acho um pouquinho
precipitado, açodado e desatento condenar integralmente
a proposta.
Folha - O projeto é autoritário, dirigista,
intervencionista? Por conseqüência, o ministro o
é?
Gil
-Isso
não faz sentido. O tropicalismo não era isso,
minha trajetória nunca foi isso. Que regulação
queremos? Não menos que o necessário, não
mais que o suficiente. Quem tem que determinar o necessário
e o suficiente é a sociedade mais o governo. O papel
do governo é buscar a convergência com um marco
regulatório que dê conta de todas essas colocações
de interesse.
Folha - Como se sente ao ser tachado de autoritário?
Gil
-
Não sinto nada. Absolutamente nada. Sinto que não
sou, que não estou sendo. Preciso fazer convergir os
interesses, criar regras que protejam a todos, que dêem
espaço a todos. O que tenho pedido é que os queixosos
explicitem suas queixas. Que digam o que chamam de autoritário,
senão, vira jargão político. Jargões
qualquer um pode usar, mas venham explicar, dizer por que é
dirigista, stalinista. É isso que precisa ser feito agora,
não só jogar uma pecha no ar e dizer: se colar,
colou. Isso não é sério.
Folha - Para o sr., a reação da Globo
ao projeto está nas regras do jogo? Ou é uma atitude
autoritária?
Gil
- Não
sei. Acho que não responde a uma visão ampla,
me parece não contemplar nem a própria inserção
daquele grupo econômico na discussão do projeto.
Ela, de certa forma, bloqueia o diálogo e o processo
de discussão. É como se a Globo tivesse dito:
"Essa proposta não discutimos". Ao contrário,
tem que discutir. Nós fomos lá, tudo isso tem
sido posto na mesa o tempo todo. Assim como a Globo disse que
há aparências de intervencionismo, -que não
há-, poderíamos dizer que há uma intenção
de sustar o diálogo, uma rejeição absoluta
por parte da Globo (ri). Nosso pressuposto é de que a
Globo vai, junto com todos nós, trabalhar dentro das
regras da convivência democrática, do diálogo,
do aperfeiçoamento das instituições.
Se
equalizar tudo isso, provavelmente aqui ou ali interesses serão
minimamente contrariados. A indisposição para
a mínima contrariedade é antidemocrática.
Quando tenho de acordar cedo para trabalhar, podendo, numa dimensão
hedonista, ficar na cama até 11h e contemplar a preguiça,
é a regulação que me contraria. Faço
isso, todos fazemos uma regulação natural nas
nossas vidas, criando o espaço ético para o outro.
É o espaço do outro que vem ocupar parte do meu
e vice-versa.
Folha - O ministro defende o software livre, o artista estréia
show patrocinado pela Microsoft. Isso é contraditório?
Gil
- Não
vejo incompatibilidade nenhuma (ri). Um está de um lado,
o outro, do outro. A Microsoft faz software proprietário,
vai ser vendido. O software livre é o software livre.
Um está interessado em vender. O outro, interessado em
dar. Não vejo problema. Acho que podem conviver, acho
que devem. Quem quer dar de graça não pode tirar
liberdade de quem quer vender. E quem quer vender não
pode tirar liberdade de quem quer dar de graça.
Folha - Quem vende não está gostando do projeto
de lei?
Gil
- Ah, bom, aí é problema de quem vende, ora (ri).
Não é nosso. Por que é que quem vende tem
que achar que quem não vende não tem direito de
não vender? O que é que dá direito a quem
vende de achar que todo mundo tem que vender? Não vejo.
Isso é autoritarismo. É isso.
Folha - Caetano Veloso já disse que Gilberto
Gil é o Lula do Lula. O sr. hoje está à
esquerda de Lula?
Gil
- Parece cada vez mais que ele tem razão. O governo Lula,
todo ele, está à esquerda e à direita do
Lula, o tempo todo, ele inclusive.
Folha - A prisão recente de Mano Brown, que estava
com um amigo que portava maconha, faz lembrar episódio
parecido com Gilberto Gil em 1976. O que o artista e o que o
ministro pensam desse episódio?
Gil
- Ainda é anacronismo, né? Ainda estamos lidando
com essa questão, já podia não ser assim.
Foi em nome de um poder conferido pela lei, mas ainda anacrônico.
Essas coisas já podiam estar no campo da regulação
automática, feita pelos cidadãos, pelas regras
naturais da sociedade, e não mais pela rígida
cristalização da criminalização.
Ainda não é assim, vamos esperar que seja no futuro.
Nós trabalhamos para isso.
Folha - Responderam o ministro e o artista como um só?
Gil
-
Os dois (ri).
<Topo>
POLÍTICA
CULTURAL
Profissionais
de cinema defendem projeto de lei que cria Agência do
Audiovisual, para regular também a TV
Ministério
da Cultura obtém apoio e sai do isolamento.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 11/08/2004
Silvana Arantes
O
MinC (Ministério da Cultura) começa a deixar de
ficar isolado na defesa de seu projeto de lei que cria a Ancinav
(Agência Nacional do Cinema e Audiovisual).
O
projeto, ainda não enviado ao Congresso, foi divulgado
na semana passada, sob fortes críticas de setores atingidos
pela previsão de novas taxas (distribuidores e exibidores
de cinema) e pela possibilidade de submissão ao controle
e fiscalização de conteúdos pela futura
agência (caso das empresas de televisão).
Manifestações
de apoio à proposta do ministério, sem excluir
a necessidade de seu aperfeiçoamento, começaram
a circular anteontem, em forma de notas oficiais e de mensagens
nas listas de discussão de profissionais de cinema na
internet.
"Apoiamos
sobretudo os mecanismos que visam a garantir a distribuição
mais democrática dos espaços e dos recursos -quer
em relação às diversas regiões do
país, quer em relação aos agentes do processo
com menor capacidade financeira e menos trânsito na mídia",
diz nota da Aprocine (Associação dos Produtores
e Realizadores de Filmes de Longa-Metragem de Brasília).
O
cineasta e montador Eduardo Escorel comenta na lista de discussão
da Abraci (Associação Brasileira de Cineastas):
"Se há detalhes que podem ser discutidos e aspectos
que podem ser aprimorados, se a redação de certos
artigos pode ser tornada mais clara, nada disso afeta o essencial:
a substância do projeto é excelente, atende o interesse
do cinema brasileiro e vem ao encontro de antigas reivindicações
do setor".
O
atendimento a reivindicações de parcela da indústria
cinematográfica no país é também
o aspecto destacado na nota divulgada por Geraldo Moraes, presidente
do CBC (Congresso Brasileiro de Cinema): "A criação
da Ancinav e a regulamentação do setor audiovisual
representam uma histórica demanda do cinema brasileiro".
Moraes,
no entanto, não tem autorização das 54
entidades associadas ao CBC para aprovar, em nome de todas,
o texto do MinC. "Quem se manifestou foi o presidente do
CBC. É a opinião de uma pessoa, assim como a do
Cacá [Diegues] ou a do [Arnaldo] Jabor [cineastas contrários
ao projeto]", diz Valmir Fernandes, presidente da Cinemark
e da Abraplex (Associação das Operadoras de Multiplex),
que integra o CBC.
Na
semana passada, a Abraplex, em conjunto com a Feneec (Federação
Nacional dos Exibidores de Cinema) e a Abracine (Associação
Brasileira dos Exibidores de Cinema), divulgou nota em que "repudiam
o brutal aumento de carga tributária [previsto no projeto
de lei]" e condenam "o violento intervencionismo e
a exagerada regulação em um segmento que tem dado
provas de desenvolvimento nos últimos anos".
Moraes
afirma que, junto com Fernandes, irá estudar "um
sistema de consulta a todas as entidades" filiadas ao congresso,
para que opinem sobre cada artigo do projeto de lei individualmente.
Hoje,
o Sicesp (Sindicato da Indústria Cinematográfica
de São Paulo) se reúne para avaliar se assinará
conjuntamente com o Sicav (Sindicato da Indústria Cinematográfica
e Audiovisual), do Rio de Janeiro, carta sobre o tema.
O
cineasta Paulo Thiago, que preside o Sicav e preparou o documento
depois de assembléia dos associados, diz que a intenção
é de "diálogo com o governo".
"Ninguém
está aqui nem para confrontos estudantis nem para adesismo.
Não somos ingênuos de acreditar no "laisser-faire".
Há 40 anos defendemos regulação. Mas queremos
uma regulação que não seja um tiro no pé",
diz.
<Topo>
Ministério
da Cultura muda pontos do projeto da Ancinav.
Informação:
AESP - Associação
das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 11/08/2004
O Globo - O País
- Audiovisual
O
Ministério da Cultura divulgou ontem o texto do projeto
de lei que cria a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual
(Ancinav) debaixo de críticas do setor. A versão
final da proposta é bastante parecida com a que vinha
circulando na internet. No entanto, um dos dispositivos mais
polêmicos, o artigo 43, foi modificado. Antes, o artigo
dava poderes à agência para regular e fiscalizar
a linha editorial e a programação de emissoras
de rádio e televisão. Agora, o dispositivo apenas
menciona que essa responsabilidade será tratada nos termos
do que estabelece a Constituição.
Ontem,
durante aula sobre cultura digital e desenvolvimento na Universidade
de São Paulo (USP), o ministro da Cultura, Gilberto Gil,
rebateu as críticas recebidas nos últimos dias.
Gil argumentou que a imprensa tem bombardeado o projeto, mas
que poucos o leram com a merecida atenção:
—
Xenófobo, autoritário, stalinista, burocratizante,
centralizador, leviano, estatizante, elitista, controlador,
intervencionista, concentracionista, soviético. Desde
quinta-feira, jornais, revistas e emissoras de TV do país
amplificaram e multiplicaram estes e outros termos semelhantes
para qualificar ou desqualificar a proposta de criação
da Ancinav. Não é possível que o que está
proposto naquele projeto esteja divorciado de tudo o que foi
conversado com esses diversos setores. Vamos sentar, juntos
e publicamente, para fazer os reparos que precisam ser feitos
— afirmou o ministro.
Gil
se queixou ainda de reportagens que lhe atribuíram até
o intuito de controlar a internet.
—
Todos sabem que fui perseguido pelo governo militar, que tive
minha obra censurada. Pode o perseguido tornar-se um perseguidor?
Eu não! — afirmou Gilberto Gil.
O
ministro responsabilizou setores contrariados como responsáveis
pela polêmica.
—
Como uma proposta encaminhada e elaborada deste modo e que ainda
passará pelo Congresso pode ser desqualificada e chamada
de stalinista? Eu pergunto: Quem está demonstrando na
prática um apego atávico à democracia e
quem está sendo autoritário? — disse Gilberto
Gil.
Apesar
de alvo de críticas de profissionais ligados ao cinema
e ao audiovisual, o artigo 63 do projeto foi mantido na íntegra.
Ele cria uma nova taxa para todos os setores, da produção
à exibição.
Congresso
Brasileiro de Cinema apóia projeto
O presidente do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), Geraldo
Moraes, afirmou que a criação da Ancinav e a regulamentação
do setor audiovisual representam uma demanda histórica
do cinema nacional e por isso contam com o apoio do CBC.
A
Associação dos Produtores e Realizadores de Filmes
de Longa-metragem de Brasília também divulgou
nota a favor da iniciativa do ministério de propor uma
lei geral do audiovisual e a criação da Ancinav,
assinada pelos diretores Manfredo Caldas e Marcio Curi.
<Topo>
OUTRO
LADO
"Estamos
prontos a conversar", diz Central Globo.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 11/08/2004
Informado
sobre os comentários do ministro Gilberto Gil à
cobertura da Globo sobre o projeto de lei do Ministério
da Cultura para a criação da Ancinav (Agência
Nacional do Cinema e Audiovisual), o diretor da Central Globo
de Comunicação, Luís Erlanger, afirma:
"A
crítica à proposta e à forma de apresentá-la
não é só da Globo. Principais representantes
do setor de cinema e audiovisual e os principais veículos
de mídia impressa expressaram opinião contrária
ao projeto, da qual a Globo compartilha.
"Não
temos nenhuma informação sobre qualquer comentário
do ministro, mas estamos prontos a conversar com ele sempre
que desejar".
<Topo>
Pobre
argumento.
Informação:
Folha de São Paulo - Opinião - 11/08/2004 Clóvis Rossi
O
argumento mais repetido em defesa do tal CFJ (Conselho Federal
de Jornalismo) diz que existem conselhos similares para advogados,
médicos e outros profissionais e, portanto, deve haver
também para jornalistas. Pena que nenhum dos que usam
o argumento parou para examinar se os conselhos similares ao
CFJ produziram bons efeitos.
Não
é preciso muita esperteza para perceber que os resultados
não são bons, para dizer o menos. No caso dos
advogados, basta lembrar que a grande maioria dos formados não
passa no Exame da Ordem, o que significa que as escolas estão
despejando no mercado profissionais com imenso déficit
de formação.
Pior
ainda: alguém aí é capaz de dizer que a
administração de justiça no Brasil é
minimamente eficiente, elogiável, louvável? Ou,
posto de outra forma, a existência de um conselho semelhante
ao proposto CFJ nem chegou perto de defender a sociedade no
seu direito à justiça.
No
caso dos médicos, já está entrando em debate
a criação de um exame similar ao feito pela Ordem
dos Advogados do Brasil, o que evidencia que há desconfianças
também em relação à qualidade da
formação desses profissionais.
E,
de novo, é escandalosamente óbvio que o direito
à saúde não é exatamente uma característica
do Brasil. Ou, posto de outra forma, a sociedade não
está sendo defendida pelo fato de existir um conselho
que supervisiona os médicos.
Seria
preciso um grau de presunção fenomenal para supor
que, no caso do jornalismo, o CFJ faria o que os conselhos das
outras profissões não fizeram ou, no mínimo,
não puderam evitar.
Tanto
quanto o direito à saúde ou à justiça,
o direito a uma informação veraz só será
alcançado se e quando a própria sociedade for
vigorosamente atrás de cada um deles.
Estruturas
burocrático-corporativas podem até ter a melhor
das intenções, mas os fatos provam que não
defendem nem os profissionais nem a sociedade.
<Topo>
POLÍTICA
CULTURAL
Texto
oficial do MinC é idêntico ao "vazado".
Informação:
Folha de São Paulo
- Ilustrada - 10/08/2004
Silvana Arantes
Contrariamente
ao que o MinC (Ministério da Cultura) havia afirmado,
não há nenhuma diferença entre o texto
do projeto de lei para a criação da Ancinav (Agência
Nacional do Cinema e Audiovisual) distribuído aos membros
do Conselho Superior de Cinema na última sexta-feira,
em São Paulo, e o documento que vazou pelo site "PayTV",
na segunda anterior.
Para
tentar conter a onda de reações negativas ao projeto
divulgado extra-oficialmente, o MinC convocou entrevista coletiva
na quinta-feira à tarde, em que o secretário-executivo
da pasta, Juca Ferreira, afirmou que o texto vazado era "um
rascunho", uma "proposta preliminar", que ainda
sofreria alterações no ministério.
À
Folha, a equipe do MinC afirmou que o texto oficial não
previa a taxação de anúncio publicitário
em TV (4%), como consta no documento vazado. A previsão,
no entanto, está no projeto oficial.
Na
sexta, depois de distribuir o projeto de lei a 12 membros (titulares
e suplentes) representantes da sociedade civil no Conselho Superior
de Cinema, o assessor especial do MinC Sérgio Sá
Leitão tergiversou sobre a comparação entre
os dois textos: "Não nos cabe qualquer posicionamento
em relação ao texto que vazou".
Exposição
de motivos
Além do projeto de lei, que comporta 141 artigos em 43
páginas, os conselheiros receberam uma exposição
de motivos de 16 páginas, em que se faz um resumo das
principais mudanças efetuadas pelo projeto na regulação
do setor audiovisual e uma justificativa de seus objetivos.
A
incorporação da televisão ao escopo de
regulação e fiscalização da futura
agência é defendida pelo "caráter estratégico"
dos conteúdos que o veículo divulga. "A televisão
contribui para determinar não só aquilo que se
vê do mundo, mas também como se vê",
afirma o texto.
O
documento cita que "países em desenvolvimento, como
Índia, China e Coréia, cuidam de preservar os
interesses nacionais neste setor [audiovisual]", depois
de afirmar que "as atividades cinematográficas e
audiovisuais são determinantes para a vida cultural do
país, incidindo sobre todas as manifestações
artísticas e determinando os projetos e as condições
em que a nacionalidade os realizará".
Referindo-se
reiteradas vezes ao caráter estratégico da produção
audiovisual no plano cultural, que se sobreporia à sua
importância como atividade econômica, o texto diz
que "a criação de uma Agência Nacional
do Cinema e Audiovisual é condição para
remediar um ambiente de fortes restrições à
presença de agentes econômicos locais e do conteúdo
nacional no mercado interno brasileiro".
Emenda
constitucional
Mais adiante, informa que o governo deve se dedicar também
à preparação de uma "Lei Geral do
Audiovisual, não descartando a eventual necessidade de
uma emenda constitucional que reveja o conceito de comunicação
social e o estenda para toda atividade cinematográfica
e audiovisual".
Na
forma como está, o projeto de lei da Ancinav faz alterações
na Lei de Direitos Autorais (9.610) e nas leis Rouanet (8.313)
e do Audiovisual (8.685), além de revogar a medida provisória
2.228, que criou a Ancine (Agência Nacional do Cinema),
em 2001.
A
mudança na Lei de Direitos Autorais passa a considerar
os filmes como uma obra em si, impedindo a cobrança de
direitos autorais sobre suas partes. Ou seja, fica vetada a
possibilidade (hoje em vigor) de o Ecad (Escritório Central
de Arrecadação de Direitos) recolher direitos
autorais das trilhas sonoras de filmes exibidos no cinema.
Em
contrapartida, a lei estabelece o recolhimento de 1% ou 2% (a
redação é dúbia) da renda bruta
das bilheterias para o pagamento de direitos autorais e conexos
(relativos à obra).
Mudança
introduzida na Lei do Audiovisual abre a possibilidade de uso
de incentivo fiscal pelas emissoras de TV, que ficam autorizadas
a investir, com benefício de dedução do
Imposto de Renda, na produção de filmes e na co-produção
de telefilmes e minisséries, que, no entanto, devem ter
produtores independentes. Na Lei Rouanet, o incentivo fiscal
estende-se aos documentários.
Sanções
No capítulo relativo às sanções
que poderão ser aplicadas pela Ancinav são citados
valores de R$ 500 a R$ 25 milhões, sem especificar as
infrações a que se aplicariam. Além de
aplicar multas, a Ancinav tem o poder também de restringir
direitos, suspender atividades temporariamente e declarar inidoneidade.
Nos
mercados de cinema e TV, afetados pelo projeto de lei, a análise
e discussão do texto é intensa. Ontem, produtores
se reuniram no Rio de Janeiro. Desde a semana passada, exibidores
e distribuidores realizam reuniões sucessivas para apresentar
propostas alternativas ao texto.
<Topo>
Política
audiovisual
MinC
se defende em nota assinada por Gil.
Informação:
TELA VIVA News - 09/08/2004
O
Ministério da Cultura divulgou nesta segunda, 9, uma
nota de esclarecimento sobre a criação da Ancinav.
A nota, assinada pelo ministro Gilberto Gil, diz que a minuta
do anteprojeto de criação da Agência Nacional
de Cinema e Audiovisual, divulgada com exclusividade por este
noticiário e já apresentada aos membros do Conselho
Superior de Cinema, foi elaborada ao longo dos últimos
14 meses, "através de um processo democrático
e transparente de consulta e debate com diferentes segmentos
da sociedade civil".
A
nota diz ainda que o governo federal está disposto a
redefinir os artigos que possam sugerir autoritarismo e que
não houve e não haverá imposições
de qualquer ordem. Além disso, o MinC diz que a minuta
do anteprojeto de criação da Ancinav continua
aberta às contribuições de todos os setores
interessados na questão do audiovisual e que "a
versão final será debatida e aprovada pelo Conselho
Superior de Cinema, a partir das sugestões encaminhadas
nos próximos 60 dias, e depois enviada ao Congresso,
para novo debate", sugerindo que a minuta deve realmente
virar projeto de lei, e não uma medida provisória.
Ataques
O
MinC se defende dos ataques que vem recebendo na mídia
dizendo que "muitas das críticas feitas até
agora referem-se a questões que a minuta do anteprojeto
não aborda". E observa que a proposta da Ancinav
"parte do princípio de que é necessário
separar o tratamento legal e institucional que se dá
às redes físicas e às plataformas tecnológicas,
de um lado, e às atividades de produção
e difusão de conteúdo audiovisual, de outro, estabelecendo
que a nova agência tenha um papel complementar ao hoje
exercido pela Anatel".
<Topo>
Política
audiovisual
CBC
apóia o projeto de criação da Ancinav.
Informação:
TELA VIVA News - 09/08/2004
O Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), através de seu
presidente, Geraldo Moraes, manifestou o apoio da entidade ao
projeto que cria a Ancinav, que chegou esta semana aos membros
do Conselho Superior de Cinema e que foi divulgado com exclusividade
por esse noticiário na semana passada. “Trata-se
de um desejo histórico do cinema brasileiro já
manifestado em diversas ocasiões, inclusive congressos
da entidade”, diz o presidente do CBC.
A
manifestação de apoio foi feita através
de uma nota oficial entregue na tarde desta segunda-feira, 9,
durante uma reunião com Juca Ferreira, secretário
executivo do Ministério da Cultura, e Orlando Senna,
secretário do audiovisual, na companhia de um grande
grupo de cineastas. Na nota, o CBC destaca como importante no
texto da proposta a criação da Ancinav; o papel
“insubstituível do Estado no desenvolvimento cultural”;
o “estabelecimento de marcos regulatórios que contemplem
a criação e a difusão do conteúdo
brasileiro e a produção independente” como
fatores estratégicos para o desenvolvimento do País;
um processo de transição da Ancine para a Ancinav
que não interrompa as atividades da atual agência
e ainda aproveite a experiência por ela adquirida no desempenho
de suas funções; e o compromisso do CBC em participar
ativamente da discussão e do aprimoramento do projeto
de lei a ser submetido ao Congresso Nacional, dentro do prazo
de 60 dias proposto pelo MinC.
O
CBC é composto por mais de 50 entidades representativas
dos diversos setores do audiovisual brasileiro.
Varejo
e atacado
Na
opinião de Geraldo Moraes, a discussão de determinados
pontos do projeto, que certamente afetam algum dos segmentos
específicos, pode prejudicar o avanço que o projeto
representa como um todo. Para Moraes, a interpretação
de que o projeto seria “autoritário” não
tem o menor sentido, na medida em que seus idealizadores estão
abertos à discussão da sociedade e do próprio
Congresso Nacional: “o que não podemos é
perder a chance de regulamentar o audiovisual, uma coisa que
sempre quisemos fazer, e até agora ninguém teve
coragem de propor”, afirmou Moraes.
<Topo>
Política
audiovisual
Aprocine
também manifesta apoio ao projeto do MinC.
Informação:
TELA VIVA News - 09/08/2004
A Associação dos Produtores e Realizadores de
Filmes de Longa-Metragem de Brasília (Aprocine) também
se manifestou sobre a proposta de criação da Ancinav
em nota oficial. Na opinião da associação,
“é hora de as lideranças responsáveis
pelos diferentes segmentos da produção audiovisual,
seja qual for a área de atuação, seja qual
for a região do País, se posicionarem em respaldo
a essas iniciativas que vêm ao encontro de nossas históricas
cobranças de um estado mais presente e responsável”.
Na nota assinada pelos diretores da associação,
Manfredo Caldas e Márcio Curi, é lembrado que
a regulamentação não significa a imposição
de filtros artísticos ou ideológicos ao processo
cultural, mas “ao contrário, para por fim à
ditadura do marketing que se instalou desde que, sob o álibi
das leis de incentivo e cultura, o governo negligenciou o seu
papel e permitiu que vigorassem apenas as (supostas) ‘leis
de mercado’ em questões que afetam de forma gravíssima
o futuro do Brasil como nação e como sociedade
livre democrática e solidária”.
<Topo>
Estatização
do cinema e da TV.
Informação:
AESP - Associação
das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 09/08/2004
O
Estado de S.Paulo - Editoriais - Audiovisual.
"Dirigismo
cultural" é uma expressão insuficiente para
definir os estragos que o anteprojeto de 141 artigos do Ministério
da Cultura, criando a Agência Nacional do Cinema e do
Audiovisual (Ancinav) para controlar a produção
cinematográfica, a programação e as concessões
de emissoras de televisão, poderá fazer na liberdade
de artistas e produtores culturais e no direito de todos a entretenimento
e cultura. Dado a conhecer graças a um vazamento na internet
pelo site PayTV, o anteprojeto é, como definiu o cineasta
Cacá Diegues em artigo no Globo, "autoritário,
burocratizante, concentracionista e estatizante, tirando de
uma vez do horizonte do cinema brasileiro a possibilidade de
sua auto-sustentabilidade, pois ele nunca mais deixará
de depender do Estado, viverá eternamente da boa vontade
e da iluminação dos sabichões ministeriais
encarregados de decidir que filmes devem ser feitos no país".
A
reação do diretor de Deus é brasileiro
ecoa a indignação da comunidade "audiovisual",
que levou o governo não a recuar, mas a admitir discutir
por mais um mês mudanças no projeto, em particular
no que se refere ao artigo 43. Como foi redigido, este permitirá
que os cinco membros da Ancinav, que terá o papel (com
mais poder) da Agência Nacional de Cinema (Ancine) hoje,
decidam sobre a "responsabilidade editorial" de emissoras
de TV, em cuja programação o Ministério
da Cultura passaria a intervir, se o projeto de lei for aprovado
sem modificações.
Também
circula na internet o arrazoado que serviu de base a mais essa
tentativa governamental de avançar com mão grande
sobre a criação artística e cultural no
País. Intitulado Subdesenvolvimento e cultura, o texto,
da lavra do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães - eminência
parda da política externa do atual governo e a quem se
atribui também a inédita substituição
de três dos quatro juízes brasileiros acreditados
na Corte Internacional de Haia -, atribui à indústria
cultural dos EUA culpa pelo que ele chama de "vulnerabilidade
ideológica" da sociedade brasileira, responsável,
por sua vez, pela "consciência colonizada" das
elites dirigentes, que gera manifestações de impotência
e baixa auto-estima do povo. Daí, ele tira a conclusão
de que cabe ao Estado substituir a cultura exógena por
outra, autóctone, "combatendo a hegemonia cultural
de qualquer origem no Brasil".
Esse
raciocínio é que inspirou o parágrafo XIV
do artigo 4.º do anteprojeto da Lei Geral do Audiovisual,
que define como papel do Estado "fomentar a participação
diversificada de obras cinematográficas e videocinematográficas
de outra nacionalidade no mercado brasileiro". Como se
fosse possível a este governo (ou a qualquer governo)
determinar do alto de sua sapiência de que filme, telenovela
ou minissérie o povo deve gostar - o sonho megalomaníaco
do burocrata stalinista Jdanov que manteve os súditos
do império soviético ignorantes da moda e das
manifestações de arte e cultura "capitalistas"
do Ocidente, mas não imunes à sedução
das mesmas, o que os fazia disputar camisolas de jérsei
e tênis comuns como se fossem o ouro do Alasca.
O
vezo stalinista se faz apresentar logo na introdução
do texto de 44 páginas, que submete cinema e televisão
aos valores éticos e sociais determinados pelo governante
de plantão; à valorização de tendências
artísticas, culturais ou regionais determinadas pelo
gosto dos políticos no poder; e, como já havia
determinado antes o secretário de Comunicação
da Presidência, Luís Gushiken, ao fixar critérios
para financiamento de produções artísticas
por empresas estatais, a "vínculos com finalidades
públicas relevantes". Tudo isso evidentemente seria
determinado pelo burocrata carimbador de plantão, nomeado
pelo "comissário do povo" da ocasião.
Em seu detalhamento caprichoso e leviano, o projeto também
taxa em 10% os ingressos de cinema, aumentando-lhes o preço
e afugentando o pobre de uma das poucas diversões baratas
com que ainda conta.
A
divulgação, no mesmo dia, desse projeto e do projeto
de criação do Conselho de Jornalismo é
uma prova assustadora do dinamismo do Projeto de Poder do PT.
Vamos ver se o Congresso está consciente da ameaça
que ronda a democracia brasileira.
<Topo>
Governo
quer controlar conteúdo da internet.
Informação:
AESP - Associação
das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 09/08/2004
O
Estado de S.Paulo - Nacional - Internet
Ministério
da Cultura pretende atuar nessa área, além dos
setores tradicionais
Renato
Cruz
A
polêmica criada pela proposta de Lei do Audiovisual não
deve se limitar aos setores tradicionais. Com a transformação
da Agência Nacional de Cinema (Ancine) em Agência
Nacional de Cinema e do Audiovisual (Ancinav), o Ministério
da Cultura quer ampliar seus poderes e regulamentar o conteúdo
para internet e celular, disputando espaço com o Ministério
das Comunicações e a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel). "A sobreposição
é inevitável", afirmou o coordenador de Cultura
Digital do Ministério da Cultura, Cláudio Prado.
O
Ministério da Cultura entra, com a sua decisão,
na disputa entre as operadoras de telecomunicações
e as emissoras de TV pelo mercado da convergência digital.
Em um documento chamado Valorização da Produção
Cultural Brasileira, entregue ao presidente Lula em 6 de julho,
a Rede Globo critica a entrada das operadoras de telecomunicações
na produção de conteúdo, competindo com
as empresas de comunicação social, sem ter que
se submeter à mesma regulamentação.
"A
discussão é muito mais ampla", afirmou Prado.
"Nos dois mercados existe um jogo de velhas práticas
monopolistas. E a herança dos monopólios se vê
ameaçada pela tecnologia que eles geraram." O representante
do ministério fala com entusiasmo das possibilidades
da rede mundial. "A internet é um fenômeno
da cultura digital, uma instituição do século
21, sem poder central e anárquica, que gerou uma confusão
que agora está vindo à tona."
Essa
descentralização deve dificultar o próprio
objetivo do ministério de regulamentar o conteúdo
na rede, reconheceu Prado. Se uma empresa de internet ficar
descontente com as regras, poderia facilmente mudar seus servidores
para outro país e continuar atendendo ao mercado brasileiro.
"Só se resolve com acordos internacionais."
O
jornalista Samuel Possebon, da revista especializada Tela Viva,
chamou a equipe de Cláudio Prado de "Ministério
da Contracultura" e de "divisão hippie do Ministério
da Cultura". Prado - que conheceu o ministro Gilberto Gil
no exílio, em Londres, e, nos anos 1970, foi produtor
de shows dos Mutantes e Novos Baianos - aceita a identificação
com tais ideais, mas não o estereótipo.
Artesanato
- "A imagem que ficou marcada para muitos é a do
hippie vendendo artesanato na rua e fumando maconha", disse
Prado. "Não é isso. Houve maturação
da vontade de um mundo melhor, como em Imagine, do John Lennon.
O sonho acabou coisa nenhuma."
Ele
vê na banda Grateful Dead, dos anos 60, que incentivava
fãs a gravarem shows e trocarem entre si cópias
das gravações, o conceito de software livre, por
exemplo. O software livre pode ser usado e modificado gratuitamente.
O sistema operacional Linux é desenvolvido programadores
no mundo.
Em junho, Gil participou do lançamento no Brasil do Projeto
Creative Commons, do americano Lawrence Lessig, professor da
Universidade de Stanford, que leva à produção
cultural conceitos do software livre.
<Topo>
POLÍTICA
CULTURAL
Impasse
na criação do novo órgão regulador
do audiovisual ameaça interromper o trabalho do já
existente.
Agência
do Cinema teme bloqueio de suas atividades.
Informação:
Folha de São Paulo
- Ilustrada - 09/08/2004
Silvana Arantes
A
Ancine (Agência Nacional do Cinema), que regulamenta e
fiscaliza o setor, ficará com sua capacidade de agir
bloqueada a partir de dezembro, caso não sejam nomeados
ainda neste ano novos diretores para o órgão.
A agência é responsável pela aprovação
de projetos de produção de longas-metragens nas
leis federais de incentivo e pela fiscalização
de normas como a que prevê um número de dias obrigatório
para a exibição de filmes brasileiros no cinema
(cota de tela), entre outras atribuições.
Sem
substituição
Desde o ano passado, um dos quatro cargos da diretoria colegiada
da Ancine está vago. A diretora Lia Gomenssoro renunciou
em outubro de 2003. O Ministério da Cultura deixou de
indicar um substituto, porque preparava o projeto de extinção
da agência e de criação de sua substituta,
a Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual),
com a atribuição de regular também as TVs.
O
projeto do governo para a criação da Ancinav,
divulgado extra-oficialmente na semana passada, tornou-se alvo
de intensa polêmica e críticas de setores atingidos,
como as empresas de televisão, os distribuidores e exibidores
cinematográficos.
Na
tentativa de administrar as críticas, o MinC (Ministério
da Cultura) informou na última sexta-feira que realizaria
hoje uma reunião com a Casa Civil, na qual deverá
ser definido prazo mínimo de dois meses para a avaliação
e discussão do projeto pelo Conselho Superior do Cinema,
composto por nove ministérios e nove representantes da
sociedade civil.
A
intenção inicial do MinC era formalizar o projeto
de criação da Ancinav (na forma de medida provisória
ou como projeto de lei para trâmite em regime de urgência)
no próximo dia 16. O ministro Gilberto Gil faria o anúncio
público do conteúdo do projeto na solenidade de
encerramento do 32º Festival de Gramado, programada para
o dia 21.
Mandato
A extensão do prazo pelo MinC pode afetar o funcionamento
da Ancine (criada em setembro de 2001 pela medida provisória
2.228), que terá mais uma vacância em sua diretoria
a partir de dezembro, quando vence o mandato de Augusto Sevá.
Se
não houver nomeações de novos diretores
antes disso, restarão na Ancine apenas dois diretores,
número insuficiente para garantir a tomada de decisões
por "maioria simples de votos", como prevêem
as regras de funcionamento da agência.
Como
nomeações de diretores de agência reguladora
devem ser submetidas à aprovação do Senado,
o prazo de substituição é, na prática,
mais curto.
O
diretor-presidente da Ancine, Gustavo Dahl, nomeado pelo presidente
Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), diz que a agência
"não entra no mérito do projeto [do MinC
para a criação da Ancinav], a menos que seja consultada".
Dahl
afirma, porém, que "a partir de seu trabalho e da
disposição para colaborar, a Ancine espera demover
o ministro Gilberto Gil da intenção de extingui-la".
De
acordo com o texto oficioso do projeto do governo, a agência
reguladora passaria a exercer exclusivamente atribuições
de regulação e fiscalização, deixando
de atuar no fomento da produção nacional e perdendo
a função de aprovar projetos nas leis de incentivo
fiscal. O Ministério da Cultura recuperaria a tarefa
de aprovar projetos nas leis de incentivo fiscal e de representar
o Brasil em eventos internacionais.
<Topo>
Projeto
provoca polêmica desde o governo FHC.
Informação:
Folha de São Paulo
- Ilustrada - 09/08/2004
A
Ancine (Agência Nacional do Cinema) foi criada em 2001
por medida provisória pelo governo Fernando Henrique
Cardoso, a partir de estudos formulados pelo Gedic (Grupo de
Desenvolvimento da Indústria do Cinema).
Compunham
o Gedic, entre outros, o cineasta Cacá Diegues, que é
crítico à proposta de criação da
Ancinav apresentada pelo Ministério da Cultura de Gilberto
Gil; o exibidor Luiz Severiano Ribeiro, que é membro
do atual Conselho Superior de Cinema; o vice-presidente de Relações
Institucionais das Organizações Globo, Evandro
Guimarães.
A
medida de criação da Ancine excluiu proposta do
Gedic que previa a inclusão da televisão nos esforços
de fomento da produção nacional por meio da destinação
de "4% do seu faturamento publicitário para a co-produção
e aquisição de direitos de antena dos filmes brasileiros
de produção independente". A ausência
do item no texto final da medida foi atribuída à
ação de lobby das empresas de TV.
No
governo Luiz Inácio Lula da Silva, a secretaria do Audiovisual
do MinC determinou o objetivo de obter para si o poder de regular
também as TVs e obrigá-las a contribuir com o
financiamento do cinema brasileiro. Tenta fazer isso com o projeto
da Ancinav. (SA)
<Topo>
MinC
recua, mas não desiste de regular as TVs.
Informação:
Folha de São Paulo
- Ilustrada - 07/08/2004
Silvana Arantes
Cineastas
e produtores que compõem o Conselho Superior de Cinema
reivindicaram do MinC (Ministério da Cultura) dois meses
de prazo para avaliar o projeto de criar a Ancinav (Agência
Nacional do Cinema e do Audiovisual).
O
texto, que regula a atividade de todo o setor audiovisual, incluindo
TVs abertas, foi entregue aos conselheiros em reunião
ontem em São Paulo, agendada desde a semana passada.
O MinC pretendia obter a aprovação do projeto
por todo o Conselho (há nove ministros no grupo, além
dos nove representantes civis) no dia 16.
Mas
o vazamento do projeto pelo site "PayTV", na segunda,
desencadeou críticas das empresas de TV, de distribuidoras
e exibidoras de cinema. O projeto afirma que o poder público
tem o dever de "combater o abuso do poder econômico"
ao regular as atividades cinematográficas e audiovisuais.
O
texto diz que a Ancinav poderá estabelecer "restrições,
limites ou condições à exploração
de atividades cinematográficas e audiovisuais, visando
a competição efetiva e a diversidade de fontes
de informação" e prevê que as TVs firmem
anualmente "um compromisso público" para exibição
de longas brasileiros de produção independente
e regional.
Donos
de cinema e distribuidores de filmes foram afetados pela previsão
de taxar a venda de bilhetes e o lançamento de filmes
acima de 200 cópias.
A
Folha apurou que no Ministério da Cultura existe a suspeita
de que o vazamento do texto ocorreu por meio do Ministério
das Comunicações.
Ontem
o MinC acenou que deverá dar dois meses para o debate,
como pedem os conselheiros civis. Os ministros do conselho receberam
o projeto anteontem e pediram 30 dias.
Os
conselheiros civis viram no novo prazo do MinC "um passo
atrás", mas não sinal de desistência.
"Eles ainda parecem firmes em suas posições",
disse Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da Globo Filmes. "Estamos
num intervalo, mas o tema ainda é sério",
disse o exibidor Luiz Severiano Ribeiro.
O
ministro Gilberto Gil (Cultura) disse ontem não crer
na "modificação total" do texto, "resultado
de um ano e meio de consultas amplas feitas a vários
setores". Gil minimizou o vazamento. "Acho até
bom, porque vamos discutir aberto. Eles [os críticos]
vão ter de ser sinceros. Muitos deles, que não
querem regulação, querem que tudo fique como está,
vão ter de dizer que querem que tudo fique como está
ou vão ter de dizer como querem que mude".
A
Folha apurou que, em conversa telefônica com o cineasta
Cacá Diegues, na quinta, Gil autorizou o cineasta a divulgar
que haveria até 90 dias para debater o projeto do MinC,
mas pediu que Diegues expressasse publicamente seu desejo de
"manter as coisas como estão".
Ontem,
Diegues publicou no jornal "O Globo" artigo em que
classifica o projeto de "redutor, xenófobo e autoritário".
Colaborou
Isabelle Moreira Lima
<Topo>
Política
audiovisual
MinC e CSC definem mais 60 dias para projeto ficar pronto.
Informação:
TELA VIVA News - 06/08/2004
O primeiro resultado da reunião do Conselho Superior
de Cinema (CSC) na tarde desta sexta, 6, em São Paulo,
foi a definição de um prazo ainda maior para que
o projeto de lei que criará a Ancinav seja analisado
e aprovado. Segundo o assessor chefe do Ministério da
Cultura, Sérgio Sá Leitão, os conselheiros
representantes da sociedade civil do CSC pediram na reunião
60 dias para discutir o projeto. Houve então um "pacto"
entre o Ministério da Cultura e os representantes civis
para que em no máximo dois meses o projeto esteja pronto
e fechado. O assessor chefe disse ainda que a Casa Civil e o
MinC se reunirão na segunda-feira, 9, para definir uma
agenda para o projeto.
O
MinC reiterou que repudia qualquer tipo de controle editorial
sobre os meios de comunicação e que se houver
qualquer artigo que dê a entender essa possibilidade,
ele será reescrito. Os membros do CSC querem também
ter o regimento interno do conselho pronto o mais rápido
possível. Na segunda, 9, MinC e Casa Civil discutem a
agenda do anteprojeto de lei e também o regimento do
CSC. A reunião desta sexta começou com uma apresentação
geral do secretário Juca Ferreira (Cultura), condenando
o vazamento do projeto.
Manoel
Rangel, assessor especial do MinC, descreveu então os
detalhes da proposta. Daqui para frente, reuniões deverão
discutir cada capítulo do projeto. Sérgio de Sá
Leitão adiantou que alguns conselheiros se mostraram
contra as taxações de seus respectivos setores
e que querem garantias de que a arrecadação da
Condecine ficará no setor audiovisual.
Novos
setores
O
secretário do audiovisual do Ministério da Cultura,
Orlando Senna, afirmou a este noticiário que, mesmo não
fazendo parte do CSC, o setor das trelecomunicações
deve ser ouvido pelo MinC. Ainda segundo o secretário,
a versão do projeto entregue aos representantes civis
do CSC nesta sexta e aos representantes do governo na quinta,
5, é muito semelhante à versão tornada
pública por este noticiário na segunda, 2, com
"pequenas correções de texto".
Apresentação
Alguns
conselheiros do CSC ouvidos por este noticiário após
a reunião afirmaram que a reunião foi apenas uma
apresentação do projeto para que se defina como
será o debate daqui para frente. Portanto, nenhum tema
foi debatido profundamente.
<Topo>
Política
audiovisual
Proposta do MinC abre debate sobre marco regulatório.
Informação:
TELA VIVA News - 06/08/2004
Não são só críticas que existem
hoje ao projeto do Ministério da Cultura de criação
da Ancinav, divulgado com exclusividade por esse noticiário
na segunda, dia 2, e que em 60 dias ganhará uma forma
final de projeto de governo. “A criação
da Ancinav não é algo que esteja sendo debatido
só agora. É algo que vem de muito tempo. E a criação
da agência precisa vir juntamente com a regulação
das novas mídias digitais e da televisão. Trata-se
de uma necessidade social”, diz Geraldo Moraes, presidente
do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), entidade que congrega
diversas associações representativas do setor
de cinema. “Esse projeto representa a primeira vez em
que a questão geral do audiovisual é colocada
em discussão sob um mesmo guarda-chuva, e isso é
importante. Claro que há pontos que são complicados
e precisarão ser revistos, mas não se pode deixar
que o desentendimento sobre dois ou três artigos prejudique
o debate sobre a criação de um ambiente regulatório
tão necessário”.
Marco
Altberg, presidente da Associação Brasileira de
Produtores Independentes de TV (ABPI-TV), ressalta que são
necessárias mudanças no ambiente regulatório
da televisão. “Independentemente do documento em
si que foi tornado público, o que está em questão
é finalmente a possibilidade de que se criem regras claras
para a TV aberta comercial brasileira, o que não existe
hoje”, diz. “É claro que o texto tem pontos
que receberão críticas, mas o debate público
serve para corrigir isso. O importante é que se pense
em um ambiente regulatório bom para todo mundo”,
diz Altberg.
“A
própria televisão já reconheceu, no caso
das novas mídias, que uma discussão sobre um ambiente
regulatório melhor é necessária”,
diz Geraldo Moraes. Recorde-se que no dia 5 de julho a TV Globo,
em conjunto com a PUC de São Paulo e dezenas de apoiadores,
entregou ao presidente Lula um documento com o resumo do seminário
“Conteúdo Brasil”, realizado no início
do ano. No documento, dizia-se que “a camada do conteúdo
está regulamentada apenas para as mídias que usam
as infra-estruturas tradicionais: rádio, televisão
convencional, jornal e revista. Mas quem ‘transmite’
uma estação de televisão ou um jornal pela
internet não é obrigado a seguir nenhuma regulamentação.
Isso é uma assimetria, que deve ser estudada e que pode
levar à criação de um novo marco regulatório”.
O
texto entregue a Lula dizia ainda: “Deve haver uma regulamentação
para que o conteúdo divulgado por elas seja produzido
por grupos controlados por brasileiros. É preciso que
haja uma distinção clara: uma coisa é a
propriedade das empresas de telecomunicações;
outra é controle das empresas que produzem conteúdo,
que deve estar em poder de brasileiros. É uma questão
de isonomia de tratamento e de respeito à Constituição”.
A íntegra do documento está disponível
para download em http://www.paytv.com.br/arquivos/documento-globo-puc.pdf
Reuniões
O
Congresso Brasileiro de Cinema reunirá em Brasília,
na segunda, dia 9, a sua base de entidades representativas para
debater os pontos do documento proposto pelo Ministério
da Cultura e tirar uma posição comum “no
que for possível”, diz Geraldo Moraes. Em seguida,o
CBC reúne-se com o MinC para apresentar suas posições.
<Topo>
Política
audiovisual
Para exibidores, diálogo começa agora.
Informação:
TELA VIVA News - 06/08/2004
Um dos setores mais críticos às propostas que
aparecem no texto de lei de criação da Ancinav
é o de exibidores. Para Luiz Severiano Ribeiro, representante
do setor no Conselho Superio de Cinema, “agora é
que começa o diálogo”. Severiano deu a declaração
ao deixar, como membro do CSC, a reunião realizada nesta
sexta, 6, com o Ministéruio da Cultura, em São
Paulo. Em nota oficial anterior à reunião, a FENEEC
(Federação Nacional dos Exibidores de Cinemas),
ABRACINE (Associação Brasileira dos Exibidores
de Cinemas) e ABRAPLEX (Associação Brasileira
das Empresas Multiplex) disseram discordar totalmente da forma
como foi conduzido o processo de criação da Ancinav;
repudiaram “o brutal aumento de carga tributária,
insuportável para o setor de exibição”,
que, segundo as associações, não poderá
arcar com o ônus da construção de novas
salas nem honrar os compromissos existentes de cota de tela
para o filme nacional; e alegaram que a taxação
sobre o número de cópias de lançamentos
prejudicará a distribuição e, por conseqüência,
os exibidores de cidades de pequeno e médio porte. Os
exibidores pedem para que o projeto de criação
da Ancinav seja encaminhado ao Congresso “para ser avaliado
de forma democrática, discutindo-se todos os pontos e
envolvendo as demais Agências Reguladoras”.
<Topo>
Política
audiovisual
Proposta do MinC prevê taxação da verba
publicitária para TV.
Informação:
TELA VIVA News - 05/08/2004
As emissoras de televisão, especialmente a Globo, estão
mostrando, por meio de seus noticiários, forte descontentamento
com a proposta de legislação para o audiovisual
que está sendo analisada pelos ministérios que
compõem o Conselho Superior de Cinema e que deverá
ser encaminhada ao Congresso Nacional. Reportagem desta quinta,
5, do jornal O Globo é dura com relação
ao assunto, assim como a cobertura da rádio CBN (também
das Organizações Globo).
Fato
é que a proposta que foi aos ministérios inclui
no seu artigo 70 a cobrança de Condecine, no percentual
de 4%, sobre toda contratação de publicidade de
prestadoras de serviços de radiodifusão de sons
ou imagens ou de serviços de telecomunicações
que explorem a atividade audiovisual, mesmo no caso de permutas.
É permitido apenas o desconto de comissões de
agência. Como quase 100% das receitas das emissoras de
TV vêm da receita publicitária, a proposta praticamente
estabelece a cobrança dos 4% sobre a receita bruta das
TVs. Vale lembrar que antes da Ancine ser criada, em 2001, a
proposta era para a criação de uma Ancinav e também
se previa a cobrança de 4% da receita bruta das TVs.
Só que na ocasião, a taxação deveria
ser aplicada diretamente na co-produção de obras
audiovisuais e na compra de direitos sobre obras brasileiras.
A artilharia das emissoras foi tão violenta que na última
hora conseguiram que o texto da medida provisória fosse
alterado, transformando a Ancinav em Ancine e deixando de lado
qualquer ingerência sobre a receita dos radiodifusores.
A
proposta atual de criação da Ancinav joga esses
recursos dos 4%, que são taxados do anunciante, na conta
da Condecine, que serve para alimentar os fundos setoriais Fiscinav
(fiscalização) e Funcinav (fomento).
<Topo>
Política
audiovisual
MinC diz que proposta do governo sairá em 30 dias.
Informação:
TELA VIVA News - 05/08/2004
O Ministério da Cultura convocou nesta quinta, 5, uma
entrevista coletiva para explicar alguns pontos do projeto de
lei para a criação da Ancinav. Segundo Juca Ferreira,
secretário executivo, o texto que está sendo discutido
é, na verdade, o trabalho do MinC, mas que ainda não
reflete uma posição do governo. “Hoje houve
uma reunião com os nove ministros que compõem
o Conselho Superior de Cinema. Nessa reunião decidiu-se
que o CSC terá mais 15 dias para se manifestar, a partir
de amanhã, e que ao final de 30 dias será então
formatado o projeto final, aí sim um projeto do governo,
que o presidente da República decidirá quando
enviar ao Congresso”. Segundo o MinC, ainda não
está definido se o texto irá na forma de medida
provisória ou simples projeto de lei ao Congresso. “A
tendência é que seja um projeto de lei, mas isso
será decidido posteriormente pelo CSC e pela Casa Civil”,
diz Sérgio Sá Leitão, assessor chefe do
Ministério da Cultura.
Na
reunião entre os ministérios que compõem
o Conselho Superior de Cinema, a reação ao projeto
do MinC foi técnica. Segundo apurou esse noticiário,
as principais questões a serem debatidas daqui para frente
partirão do Ministério da Justiça e do
Ministério das Comunicações, por conta
de possíveis sobreposições de atribuições.
Mas não houve nenhuma oposição contundente
ao texto.
O
Ministério da Cultura entende que o ajuste regulatório
proposto é necessário dada a evolução
tecnológica dos meios, à falta de regras para
o mercado audiovisual e também como forma de preservar
os interesses nacionais, mas que a proposta ainda sofrerá
muitas alterações. “Essa não é,
aliás, a Lei Geral do Audiovisual. É uma lei de
criação da Ancinav, que precisará de suporte
regulatório. A Lei Geral do Audiovisual virá em
2005”, diz Juca Ferreira. O secretário executivo
reafirmou que o texto, assim que estiverem consolidadas as posições
do governo, ficará disponível no site do MinC
na Internet.
“O
ministro Gilberto Gil também quer que esse assunto seja
discutido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social, e já falou com o ministro Jacques Wagner sobre
isso”.
Pressões
Orlando
Senna, secretário do audiovisual, entende que o projeto
enfrentará pressões por envolver setores diversos.
Em relação às restrições
colocadas aos exploradores estrangeiros do mercado audiovisual
(por exemplo, a Condecine de R$ 600 mil para filmes estrangeiros
com mais de 200 cópias), Orlando Senna afirma que essa
é uma maneira de proteger o mercado brasileiro e que
“a MPAA, desde a década de 70, sempre se opôs
a qualquer iniciativa de regulamentação da entrada
do conteúdo externo no Brasil”, ressaltando que
não será surpresa se isso acontecer agora. “Seguimos,
na verdade, uma recomendação da própria
Organização Mundial do Comércio que diz
que não se deve privilegiar um único país
na importação de qualquer produto, inclusive o
audiovisual”, diz Senna.
A Globo também foi duramente atacada pelo MinC na coletiva,
pelo tom “stalinista” dado à matéria
do jornal O Globo desta quinta, 5, “sem ouvir o MinC e
tirando os artigos de contexto”.
<Topo>
Nova
lei para o audiovisual é duramente criticada.
Informação:
AESP - Associação das Emissoras de Rádio
e Televisão do Estado de São Paulo - 05/08/2004
O Globo - O País
- Audiovisual
Monica
Tavares e Arnaldo Bloch
A
proposta do governo para a Lei Geral do Audiovisual já
provoca polêmica e foi classificada de intervencionista
e estatizante por especialistas que tiveram acesso ao texto.
O documento, que circulou ontem na internet antes de seu encaminhamento
oficial, causou indignação também na classe
cinematográfica e nos segmentos de exibição,
distribuição e de confecção de cópias.
Elaborado
sob o comando do Ministério da Cultura, o texto já
divide o governo: a primeira avaliação no Ministério
das Comunicações é de que o anteprojeto
de lei apresenta diversos pontos conflitantes com a Lei Geral
de Telecomunicações (LGT).
A
proposta — que afetará, além de produtores
e distribuidores de cinema, emissoras de televisão e
empresas de TV por assinatura — prevê a criação
da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav)
em substituição à Agência Nacional
do Cinema (Ancine), que será extinta.
O
texto será discutido hoje em reunião dos nove
ministros integrantes do Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual.
Amanhã, será encaminhado a representantes da sociedade
civil e, no dia 16, analisado por todo o Conselho.
“A
pior legislação sobre cinema que já se
fez”
Um técnico da área ouvido pelo GLOBO acha que
o papel da Ancinav deve ser de fomento e não o de “organizar”
o setor, como está previsto em trechos fundamentais do
anteprojeto. Outro especialista vê a proposta de universalização
do acesso às obras cinematográficas obscura e
pouco detalhada. O poder dado à Ancinav no que toca a
aspectos econômicos também foi criticado, sob a
argumentação de que que a Secretaria de Direito
Econômico e o Conselho Ad-inistrativo de Defesa Econômica
(Cade) já têm a função de regular
o mercado e assegurar a competição.
O
deputado Miro Teixeira (PPS-RJ), ex-ministro das Comunicações,
disse estar certo de que não haverá qualquer espécie
de controle de conteúdo na proposta de lei do governo.
—
Qualquer intervenção no sentido de controle do
Estado seria um passo muito perigoso. Este era o espírito
que existia no governo — disse o deputado.
No
segmento de cinema, há quem não partilhe desta
certeza, como é o caso de Rodrigo Saturnino Braga, representante
dos distribuidores:
— Na minha cabeça existe a hipótese, ainda,
de isto ser um balão de ensaio. Vamos dar uma chance
a esta hipótese... Mas, se o texto oficial coincidir
com este que está sendo veiculado, estaremos diante da
pior legislação sobre cinema que já se
fez no Brasil. Se isso for verdade e for aprovado na forma que
está apresentado, o cinema no Brasil vai virar uma atividade
para a classe A. A restrição ao número
de cópias vai matar as salas de pequenas cidades. Dos
dois laboratórios de cópias que temos, e que vêm
investindo com base na ampliação do mercado, um
vai morrer. E a taxação de ingressos, só
admissível em países com circuito consolidado,
no Brasil é danosa — disse ele.
O
cineasta Paulo Thiago, presidente do sindicato da indústria
cinematográfica, queixa-se, sobretudo, da agenda prevista
pelo Minc:
— É preciso cuidado para não transformarmos
isso numa guerra antes de sê-lo. Mas o encaminhamento
do texto não faz sentido. Levou oito meses sendo gestado
e subitamente é mandado para o Conselho Superior e temos
apenas uma semana... Depois já vai para o Congresso.
Precisamos ao menos de um mês para avaliar um projeto
que mexe assim com todos os segmentos e que impõe taxas
e novas limitações... estou convocando já
uma reunião do sindicato dos produtores para segunda-feira.
Diretor
da Globofilmes e membro do Conselho, Carlos Eduardo Rodrigues
não economiza munição.
— O projeto onera muito o setor, encarece os ingressos
e inibe a publicidade. Em outras vertentes, interfere na liberdade
de expressão e programação. Além
disso, pune o sucesso: os grandes filmes com lançamento
mais aberto que estão fortalecendo nosso cinema vai privar
as salas menores e mais distantes de filmes mais distribuídos.
Isso porque os filmes com mais de 200 cópias vão
ter que pagar R$ 600 mil de taxa...
“Isso
já era esperado, é difícil mexer nessas
coisas”
Outro conselheiro, o diretor e produtor Roberto Farias, acha
natural a polêmica:
— Isso já era esperado, é difícil
mexer nessas coisas. O problema é que o texto vazou na
certa através de Brasília, porque os participantes
da sociedade civil no Conselho ainda não receberam nada.
Mas não é um texto definitivo, é uma proposta
que ainda vai ser colocada em discussão.
Alguns
artigos polêmicos
Art.
4: O Poder Público, no que se refere às atividades
cinematográficas e audiovisuais, tem o dever de:
III: criar condições para que a evolução
do setor seja harmônica com as metas de desenvolvimento
social do país;
CRÍTICA:
Isso pode ser entendido como a volta das contrapartidas sociais,
o dirigismo cultural que Cacá Diegues denunciou.
XIV:
fomentar a participação diversificada de obras
cinematográficas e videofonográficas de outras
nacionalidades no mercado brasileiro;
CRÍTICA:
Usar dinheiro público para trazer mercadoria estrangeira
pode criar reações. Entre não impor barreira
ao produto estrangeiro e estimulá-lo há uma grande
diferença.
Art.
8: No exercício da regulação das atividades
cinematográficas e audiovisuais, o Poder Público
observará a exigência de mínima intervenção
na vida privada, assegurando que:
III:
o proveito coletivo gerado pelo condicionamento deverá
ser proporcional à privação que ele impuser;
CRÍTICA:
Quem definiria isso? Pode ferir as liberdades constitucionais.
IV:
Haverá relação de equilíbrio entre
os deveres impostos aos exploradores das atividades e os direitos
a eles reconhecidos.
CRÍTICA:
Quem regularia? O texto sugere algo impossível.
CONSELHO
DIRETOR: será composto por cinco diretores e decide por
maioria simples.
CRÍTICA:
A cultura ficará entregue à decisão de
três pessoas. Esse artigo pode sofrer críticas
de autoritarismo cultural.
PARÁGRAFO
ÚNICO: Quando a publicidade puder colocar em risco a
segurança do País, ou violar segredo protegido
ou a intimidade de alguém, poderá o Conselho Diretor
realizar reuniões em caráter reservado, devendo
os registros correspondentes ser mantidos em sigilo.
CRÍTICA:
O texto sugere que possa haver sessões secretas de um
grupo restrito decidindo os destinos da cultura nacional.
Art.
32: A Ancinav deve garantir o tratamento confidencial das informações
técnicas, operacionais, econômico-financeiras e
contábeis que solicitar aos exploradores de atividades
cinematográficas e audiovisuais.
CRÍTICA:
Isso pode ferir a Constituição pois o sigilo comercial,
fiscal e bancário só pode ser quebrado mediante
decisão da justiça. Conceder essa prerrogativa
a um grupo de cinco pessoas certamente vai gerar contestação
jurídica.
Art.
43: À Ancinav compete, no que respeita à regulação
e fiscalização da exploração de
atividades cinematográficas e audiovisuais pelas prestadoras
de serviços de radiodifusão de sons e imagens,
dispor especialmente sobre:
I:
a responsabilidade editorial e as atividades de seleção
e direção da programação, em articulação
com o Ministério das Comunicações;
CRÍTICA:
É a parte mais polêmica do texto: aos cinco executores
do órgão competirá dispor sobre a responsabilidade
editorial do setor. É uma tutela explícita que
fere a Constituição.
<Topo>
Política
audiovisual
Setores recebem com surpresa proposta de nova lei.
Informação:
TELA VIVA News - 03/08/2004
Foi grande a repercussão do projeto de lei geral do audiovisual,
sobretudo entre radiodifusores. O teor do documento, que está
sendo discutido pelos diversos ministérios que compõem
o Conselho Superior de Cinema, foi divulgado com exclusividade
por esse noticiário na segunda, 2. ele será tornado
público para os demais membros do CSC no final de semana
e deve ir a Congresso em seguida, após os comentários
serem incorporados.
A
preocupação central de representantes do setor
de radiodifusão é que o texto soa demasiadamente
restritivo, até mesmo "autoritário",
segundo uma fonte. Mas as leituras ainda são preliminares
e os próprios radiodifusores reconhecem que é
preciso entender com mais cuidado o que está sendo feito
e como será a tramitação do projeto.
Outras
fontes do mercado audiovisual ouvidas por esse noticiário,
contudo, entendem que a proposta em debate atende à principal
preocupação do setor de radiodifusão, que
é trazer as telecomunicações para a esfera
de abrangência de uma legislação sobre conteúdo.
Houve
quem estranhasse a idéia de extinguir a Ancine, que é
uma gência já existente e em funcionamento. Outras
pessoas consideraram que a idéia do Ministério
da Cultura é ousada, mas necessária desde a criação
da agência de cinema.
Não
é a lei geral
Fontes
bem informadas dos ministérios envolvidos na questão
ressaltam, contudo, que essa não é a proposta
de lei geral do audiovisual. É na verdade um primeiro
passo nesse sentido, mas existe a necessidade de um projeto
mais amplo. A amplitude do projeto deve-se a uma série
de pontos pendentes na regulamentação atual de
audiovisual, sobretudo a questão dos serviços
de telecomunicações e da fiscalização
de direitos autorais.
<Topo>
Ministérios
já debatem minuta da Lei Geral do Audiovisual.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
Samuel Possebon
A
proposta de Lei Geral do Audiovisual que está sendo elaborada
pelo governo promete muita polêmica, discussão
e afetará muito mais do que o setor de audiovisual como
hoje ele é conhecido. As telecomunicações,
a radiodifusão e a TV por assinatura são parte
intensa do projeto. Este noticiário teve acesso à
versão que está circulando para comentários
por vários ministérios em Brasília. O texto,
elaborado pelo Ministério da Cultura, está sendo
avaliado pelos ministérios que compõem o Conselho
Superior de Cinema (CSC), que farão seus comentários
técnicos. Em seguida, será a vez do próprio
CSC avaliá-lo e comentá-lo, e só então
ele será encaminhado pela Presidência da República
ao Congresso. A minuta a que nossa reportagem teve acesso é
de um projeto de lei e ainda está sujeita a alterações,
mas dá uma boa idéia da abrangência do que
está sendo desenhado. Todas as partes envolvidas nessa
primeira rodada de discussões devem encaminhar seus comentários
até o final da semana que vem, segundo apurou este noticiário.
Nova
agência
Um
dos pontos mais polêmicos do projeto é que ele
cria a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav)
e extingue a Agência Nacional de Cinema (Ancine), assim
como a medida provisória que a criou (MP 2.228-1). À
Ancinav, segundo a minuta de projeto de lei, compete "adotar
as medidas necessárias para o atendimento do interesse
público e para o desenvolvimento do cinema e do audiovisual
brasileiros". Cabe a ela, entre uma série de funções,
regular as atividades cinematográficas e audiovisuais,
propor ao MinC e ao Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual
as medidas necessárias à "observância
dos princípios constitucionais e legais relativos à
comunicação social" e, ainda, a "apreciar
(...) os comportamentos suscetíveis de configurar violação
das normas legais aplicáveis à exploração
das atividades audiovisuais, inclusive a produção,
a programação, a distribuição, a
exibição, a veiculação e a operação
de conteúdos audiovisuais por prestadoras de serviços
de telecomunicações...".
A
relação entre programadoras e distribuidoras de
conteúdo audiovisual também será regulada.
A redação da minuta dá a entender que essa
regulação se dará não apenas no
mercado de TV por assinatura, mas em qualquer ponto do mercado
audiovisual. Segundo o texto, será função
da nova agência, conforme a proposta do Ministério
da Cultura, propor ao Cade a instauração de processos
por infração à ordem econômica e
ainda "regular a relação de programadoras
e distribuidoras de conteúdo audiovisual para promover
a competição e a diversidade de fontes de informação,
em especial nos casos em que haja controle dos meios de distribuição
e da programação pela mesma pessoa e suas coligadas,
controladas ou controladoras".
Veja
a íntegra da Lei Geral do Audiovisual que está
sendo elaborada pelo governo no endereço www.paytv.com.br/arquivos/nova_lei_av.pdf
<Topo>
Política
audiovisual
TVs não terão cotas de tela, mas celebrarão
compromissos.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
O
projeto de Lei Geral do Audiovisual que está sendo discutido
dentro do governo e que em breve deve ir ao Congresso Nacional
não compra briga com as emissoras de televisão
em relação ao problemático tema das cotas
de tela. Mas o assunto não está esquecido. De
acordo com a minuta que está em debate, e que ainda deve
sofrer alterações, os mecanismos de cota de tela
para exibição de obras cinematográficas
brasileiras em salas de cinema deve ser mantido. Será
criado também um mecanismo de cota de distribuição
para home-video, ou seja, as distribuidoras de vídeo
doméstico, em qualquer suporte, conforme regulamentação
posterior, deverão distribuir um percentual definido
de títulos nacionais.
Já
as empresas de radiodifusão e as prestadoras de serviços
de telecomunicações que explorem a atividade audiovisual
deverão celebrar, anualmente, "compromisso público,
a ser firmado entre a Ancinav e o Ministério da Cultura,
para a exibição de obras cinematográficas
brasileiras de longa metragem, obras cinematográficas
e videofonográficas brasileiras destinadas ao público
infantil e juvenil, bem como as obras cinematográficas
e videofonográficas brasileiras de produção
independente e de produção regional". Pela
proposta do governo, os anunciantes que patrocinarem a programação
objeto do compromisso terão benefícios.
Segundo
a proposta, as empresas de radiodifusão e de telecomunicações
deverão destinar à Ancinav três minutos
diários, não contínuos, para a publicidade
de obras cinematográficas brasileiras, conforme regulamentação.
A
Ancinav também regulamentará a aplicação
dos inventivos da Lei do Audiovisual (8.685/93), cujos artigos
1º e 3º valerão até 2010. Vários
artigos dessa lei são, inclusive, alterados pela proposta
de Lei Geral do Audiovisual em debate no governo.
<Topo>
Política
audiovisual
Governo colocará telecom sob as regras do audiovisual.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
A proposta de Lei Geral do Audiovisual que está sendo
discutida dentro do governo e que em breve vai ao Congresso
Nacional deixa claro que cabe à União, por meio
do Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual e da Ancinav
disciplinar a atividade cinematográfica e audiovisual
observando os artigos 5º (inciso IV, V, X, XIII e XIV),
220, 221, 222, 223 e 224 da Constituição. Ou seja,
a proposta de lei atende ao pleito dos grupos de mídia
nacionais, especialmente da Globo, que é quem primeiro
levantou a bandeira, de colocar todas as atividades audiovisuais
vinculadas às mesmas regras constitucionais.
A
proposta de lei geral também reforça, como deveres
do poder público, a obrigação de fazer
cumprir os princípios constitucionais de preservação
da cultura e da língua, valores éticos e sociais.
Também cabe ao poder público o fortalecimento
da produção independente e regional das obras
cinematográficas e audiovisuais, o combate ao abuso de
poder econômico e o zelo pela "independência
dos exploradores de atividades cinematográficas e audiovisuais".
Segundo a minuta, "na disciplina das relações
econômicas das atividades cinematográficas e audiovisuais
observar-se-ão, em especial, os princípios constitucionais
da soberania nacional, da diversidade e da preservação
do patrimônio cultural brasileiro, da função
social da propriedade, da vedação ao monopólio
e ao oligopólio dos meios de comunicação
social, da liberdade de iniciativa, da livre concorrência,
da defesa do consumidor, da redução das desigualdades
regionais e sociais e da repressão ao abuso do poder
econômico".
Em
vários momentos a minuta cita a questão da concentração
econômica e do monopólio/oligopólio como
questões a serem corrigidas pela atividade regulatória
no campo audiovisual. A minuta repete vários mecanismos
já usados na Lei Geral de Telecomunicações,
como dizer que , no exercício da regulação
das atividades, "a liberdade será a regra",
sendo que as restrições deverão ser feitas
em benefício apenas do interesse público.
Vale lembrar que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, manifestou
em diferentes ocasiões a intenção de trazer
o setor de telecomunicações, no que diz respeito
ao seu papel de agente do mercado audiovisual, para um ambiente
regulatório comum aos demais meios de comunicação.
A
proposta também fala em universalização
do acesso às obras cinematográficas e audiovisuais.
Novo
conselho
O
atual Conselho Superior de Cinema passará a se chamar
Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual, e é ele
quem propõe a política nacional do cinema e do
audiovisual, sendo o Ministério da Cultura o órgão
responsável pela execução e aplicação
dessa política. Essa é uma das mudanças
que estava prevista desde o ano passado, quando o presidente
Lula anunciou algumas mudanças na política de
audiovisual. A surpresa é que, até agora, imaginava-se
que a mudança nas atribuições da Ancine
(que passaria a ser Ancinav) e a mudança no Conselho
Superior de Cinema seriam, inicialmente, feitas por medida provisória,
sendo a criação de um "marco regulatório"
para o audiovisual um projeto para depois. A existência
de uma minuta de Lei Geral do Audiovisual sugere que o governo
trabalha com a hipótese de fazer todas as discussões
de uma só vez, o que depende da aprovação
do projeto pelo Congresso.
A
Ancinav, pela proposta do Ministério da Cultura, será
sediada em Brasília e terá cinco diretores com
mandatos de quatro anos, não coincidentes.
<Topo>
Política
audiovisual
Regras para controle de coligação poderão
ser criadas.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
Ao
contrário da medida provisória 2.228-1, que criou
a atual Ancine, a minuta do projeto de lei geral do audiovisual
não é farto em definições, conforme
o texto a que esse noticiário teve acesso e que está
sendo discutido dentro do governo para em breve ser encaminhado
ao Conselho Superior de Cinema e ao Congresso Nacional. A mais
importante é, naturalmente, a definição
de atividade cinematográfica e audiovisual: segundo o
texto em discussão, são as ações
e atividades que compõe a oferta de obras cinematográficas
e audiovisuais a usuário ou grupos de usuários,
determinável ou não. Entre essas ações
estão a exploração comercial ou não
de qualquer natureza ou finalidade, por quaisquer meios, de
obras cinematográficas e outros conteúdos audiovisuais
e o provimento de bens e serviços para a produção
dessas obras. Todas as pessoas, grupos de pessoas ou empresas
que exerçam direta ou indiretamente atividade classificada
como cinematográfica ou audiovisual se sujeitarão
à lei que está sendo discutida pelo governo. A
proposta do Ministério da Cultura é clara: "a
exploração da atividade cinematográfica
e audiovisual será regulamentada pela Ancinav, inclusive
quando realizada por prestadora de serviço de telecomunicações".
Conteúdo
audiovisual, segundo a proposta que está sendo discutida
pelo governo, deve ser entendido como o produto da fixação
ou transmissão de imagens, com ou sem som, que tenha
a finalidade de criar a impressão de movimento, independente
do processo de captação, da tecnologia empregada,
do suporte utilizado inicial ou posteriormente para fixá-la
ou transmiti-la ou dos meios utilizados para a sua veiculação,
reprodução, transmissão ou difusão.
Diz a minuta que as "modalidades de conteúdo audiovisuais
serão definidas pela Ancinav em função
de sua nacionalidade, natureza, finalidade, forma, âmbito
de exploração, meio de suporte e de transmissão,
tecnologia empregada e outros atributos".
A
Ancinav trabalhará com o conceito de empresa brasileira
mais amplo, ou seja, não basta ter sede e administração
no País, mas é preciso que a maioria do capital
total e votante pertença a brasileiros. Também
é necessário que as funções editoriais
de seleção ou direção da programação,
bem como o poder de direção sobre as atividades
sociais e o funcionamento da empresa, sejam exercidos por brasileiros.
A Ancinav entenderá que o funcionamento da empresa compreende
o planejamento empresarial, a definição de políticas
econômico-financeiras, tecnológicas, de programação
(inclusive em relação ao seu empacotamento), de
distribuição, de mercado e de preços e
descontos.
E
mais, a Ancinav, pela minuta de projeto de lei em discussão,
poderá expedir regulamento sobre a apuração
de controle de transferência de controle dos exploradores
de atividades cinematográficas e audiovisuais.
Outra
definição importante é o conceito de produção
independente: trata-se daquela realizada por produtora que não
tenha associação ou vínculo direto ou indireto,
com prestadoras de serviços de radiodifusão ou
outras prestadoras de serviços de telecomunicações
exploradoras de atividades audiovisuais.
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Política
audiovisual
Radiodifusão e telecom estão juntas em proposta
de lei.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
As empresas de telecomunicações devem, desde já,
tentar entender o que vai mudar na vida delas com a proposta
de criação da Ancinav. A idéia é
efetivamente trazer essas empresas para a esfera de atuação
da nova agência no que diz respeito a qualquer atividade
que possa ser entendida como exploração do mercado
audiovisual. A tendência de que haja essa sobreposição
regulatória é grande, uma vez que os serviços
de telefonia móvel e a instalação das redes
banda larga está, cada vez mais, fazendo com que o conteúdo
audiovisual seja parte do negócio das teles. Por essa
razão, a proposta de lei geral do audiovisual traz uma
parte dedicada apenas à "exploração
de atividades cinematográficas e audiovisuais nos serviços
de telecomunicações".
O
primeiro aspecto importante é que o governo está
trabalhando, no projeto de Lei Geral do Audiovisual, com o conceito
de que radiodifusão é parte dos serviços
de telecomunicações. A questão é
controversa, mas a Constituição separa as duas
coisas em seu artigo 21. Por conta dessa separação
é que a radiodifusão nunca ficou submetida ao
controle da Anatel, por exemplo.
Segundo
a minuta de projeto de lei do governo, a Ancinav poderá
regular a exploração de atividade cinematográfica
e audiovisuais pelas seguintes categorias de serviços
de telecomunicações: "I) serviços
de telecomunicações que tenham o conteúdo
audiovisual como parte inerente ao serviço, incluindo
o serviço de radiodifusão de sons e imagens e
os serviços de comunicação de massa por
assinatura" e; "II) os demais serviços de telecomunicações
que não tenham o conteúdo audiovisual como parte
inerente ao serviço, mas que o transmitam ou ofereçam
ao usuário".
Os
serviços de TV por assinatura são os serviços
de TV a cabo, MMDS, DTH, TVA e outros da mesma natureza, diz
a minuta.
Segundo
a proposta do governo para o marco regulatório do audiovisual,
os órgãos ou entidades públicas, ao procederem
a outorga, a transferência ou a renovação
das concessões, permissões e autorizações
dos serviços de telecomunicações levarão
em conta as disposições da Ancinav acerca da exploração
da atividade audiovisual por esses serviços.
As
prestadoras de serviços de telecomunicações
que explorem a atividade cinematográfica ou audiovisual
deverão dar preferência às finalidades educativas,
artísticas, culturais e informativas, deverão
promover a cultura nacional e regional e estimular a produção
independente e deverão observar a regionalização
da produção cultural, artística e jornalística
"conforme percentuais estabelecidos em lei".
Segundo
o texto da minuta que está em debate no governo, a Ancinav
"visando propiciar a competição efetiva e
a diversidade de fontes de informação (...), estabelecer
restrições, limites ou condições
à exploração de atividade cinematográficas
ou audiovisuais por prestadora de serviços de telecomunicações
e suas coligadas, controladas ou controladoras".
Radiodifusão
Em
relação às empresas de radiodifusão,
caberá à Ancinav a atividade de regular e fiscalizar
no que diz respeito à responsabilidade editorial e as
atividades de seleção de programação,
em articulação com o Ministério das Comunicações,
e fazer cumprir o que está no artigo 38, alíneas
"d" e "h", e no artigo 124 da Lei 4.117/62.
São os itens da regulamentação que dispõem
sobre o percentual máximo de exibição de
comerciais e o mínimo de programação jornalística.
TV
por assinatura
Um
aspecto que promete bastante discussão da proposta de
Lei Geral do Audiovisual que circula no governo diz respeito
ao poder de fiscalização e regulação
da Anatel sobre o setor de TV a cabo. A Lei do Cabo falava que
essas atividades deveriam ser exercidas pela União. A
Lei Geral de Telecomunicações disse que essa atividade
deveria então ser exercida pela Anatel. A proposta de
Lei Geral do Audiovisual diz que a regulamentação
e a fiscalização dos artigos 3, 7, 10, 23, 25,
30, 31, 32, 35 e 38 da Lei do Cabo serão exercidas pela
Ancinav. São artigos que tratam principalmente de questões
de programação, mas que também resvalam,
por exemplo, em aspectos de qualidade técnica do sinal,
pirataria e acesso às redes.
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Política
audiovisual
Governo quer cópias e legendagens feitas no Brasil.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
De acordo com a minuta de Lei Geral do Audiovisual a que esse
noticiário teve acesso e que está sendo analisada
por diferentes ministérios nesse momento e que deve ir
ao Congresso em breve, todos os exploradores de atividades cinematográficas
e audiovisuais deverão estar registrados junto à
Ancinav, mas haverá uma regulamentação
especial sobre isso.
A
proposta do governo diz que os serviços de cópias,
dublagens, legendagem e reprodução de matrizes
de obras cinematográficas e videofonográficas
que se destinem à exploração comercial
no Brasil devem ser feitas em laboratórios instalados
no país. A medida, se for efetivada, trará grande
impacto para o mercado de TV por assinatura, que mantém
fora do Brasil boa parte da estrutura de produção
dos canais estrangeiros.
Outro aspecto interessante da legislação que será
proposta é que a titularidade das obras produzidas com
a ajuda de recursos públicos ou incentivos será
flexibilizada após oito anos da primeira exibição
comercial, ficando disponível para a rede pública
e educativa de televisão ou para os canais de acesso
público das empresas de TV por assinatura.
O
Ministério da Cultura também está pensando
no Certificado de Produto Brasileiro, que permitirá benefícios
previstos na lei e em outros instrumentos normativos. O Certificado
de Produto Brasileiro foi uma das propostas levada pela Globo
o presidente Lula ao pedir que outros setores exploradores de
atividades audiovisuais, sobretudo as telecomunicações,
fossem regulamentados.
Todos
os contratos de co-produção, cessão de
direitos, exploração comercial, exibição,
veiculação, licenciamento, distribuição,
comercialização, importação, exportação
e obras cinematográficas e "outros conteúdos
audiovisuais, em qualquer suporte ou veículo no território
brasileiro", deverão ser registrados na Ancinav
conforme regulamentação posterior.
A
contratação de programação ou canais
de programação internacional deve ser efetuada
por intermédio de empresa brasileira, que se responsabilizará
pelo conteúdo da programação, segundo a
minuta da Lei Geral do Audiovisual.
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Política
audiovisual
Regra dos 3% para programadoras pode ir a 6%.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
Pela proposta de regulamentação do audiovisual
em discussão pelo governo, haverá uma mudança
importante nas regras colocadas aos programadores estrangeiros.
De acordo com a minuta de lei em debate, a alternativa dos 3%
que existe hoje, segundo a qual os programadores internacionais
ficam isentos do pagamento da Condecine se aplicarem 3% de suas
remessas ao exterior em co-produção, fica mais
salgada. O governo pensa em aumentar para 6% o depósito
que precisa ser feito pelas programadoras para terem essa regalia.
E a liberação dos recursos exige como contrapartida
a integralização de pelo menos 50% dos recursos
aprovados pelo projeto. Ou seja, a co-produção
só poderá ter metade dos recursos bancados pelos
depósitos das programadoras.
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Política
audiovisual
Proposta prevê novos fundos e um "prêmio adicional
de renda".
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
Os recursos arrecadados pela Condecine, de acordo com a proposta
que está em debate dentro do governo para a nova Lei
Geral do Audiovisual, serão usados para o Fiscinav (Fundo
de Fiscalização da Atividade Cinematográfica
e Audiovisual) e para o Funcinav (Fundo para o Desenvolvimento
do Cinema e do Audiovisual Brasileiros).O Funcinav será
administrado pelo BNDES ou pela Finep e terá um conselho
gestor, que aprovará as normas de aplicação
dos recursos, acompanhará e fiscalizará a execução
do plano de aplicação submetido pelo Ministério
da Cultura e submeterá ao MinC proposta de orçamento
do fundo.
Os
recursos desse fundo servirão para alimentar o Programa
de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro (Prodecine),
o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro
(Prodav, que seria criado pela Lei Geral do Audiovisual), o
Prêmio Adicional de Renda (que é uma espécie
de compensação para a exibição de
obras cinematográficas nacionais de baixa rentabilidade,
também a ser criada) e outros programas do Ministério
da Cultura ligados ao setor de cinema e audiovisual. O Prêmio
Adicional de Renda, o Prodecine e o Prodav serão regulamentados
posteriormente.
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Política
audiovisual
Ancinav deve limitar poderes do Ecad sobre direitos.
Informação:
TELA VIVA News - 02/08/2004
A proposta de Lei Geral do Audiovisual em discussão dentro
do governo pretende, segundo a minuta a que esse noticiário
teve acesso, alterar vários dispositivos legais hoje
em vigor. Entre os mais importantes, estão as mudanças
na Lei do Audiovisual (8.685/93) e também as mudanças
nos artigos 68, 81, 86 e 99 da Lei 9.610/98, que trata da legislação
de direitos autorais. A mudança mais importante é
que a arrecadação de direitos autorais sobre obras
audiovisuais será regulamentada pela Ancinav, não
poderá exceder 1% da renda bruta auferida pela exibição
e não ficará sujeita a um escritório central
de arrecadação, como é hoje.
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