Gil
desiste de prazo para criar agência.
Informação:
Folha de São Paulo - Ilustrada - 30/09/2004
Silvana Arantes Da reportagem local
Luiz
Fernando Vianna
Da sucursal do Rio
O
ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem que não
fará mais previsões do envio ao Congresso do projeto
de criação da Ancinav (Agência Nacional
do Cinema e do Audiovisual). Segundo Gil, a proposta só
seguirá depois que todos os focos de polêmica estiverem
superados.
"Estamos
aperfeiçoando o projeto, com a participação
de todos os setores. Ontem [terça-feira] mesmo estive
tratando do assunto com o vice-presidente das Organizações
Globo, João Roberto Marinho", disse o ministro,
que fez palestra na Finep (Financiadora de Estudos e Projetos),
no Rio de Janeiro.
Até
o início da semana, o MinC (Ministério da Cultura)
mantinha a previsão de concluir no dia 6/10 as discussões
do anteprojeto pelo Conselho Superior do Cinema (integrado por
nove ministros e 18 especialistas em cinema e TV). Na seqüência,
o projeto de lei seria submetido ao Congresso.
Ontem,
o prazo de discussões com os representantes civis no
conselho, que se reuniram em Brasília com equipe do MinC,
foi estendido por mais um mês (até 6/11). Na reunião,
foi discutido o capítulo do anteprojeto que trata das
competências da Ancinav.
O
secretário do Audiovisual do MinC, Orlando Senna, entende
que a maioria do conselho decidiu pela aprovação
das atribuições da agência previstas no
texto, incluindo a regulação das TVs.
Regulação
da tv
"A regulação sobre todo o setor, incluindo
a televisão, é a razão por que a Ancinav
está sendo criada. Senão, ficava sendo a Ancine
[Agência Nacional do Cinema, criada por medida provisória
em setembro de 2001, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002)]", disse Senna.
O
cineasta e diretor da TV Globo Roberto Farias, membro titular
do conselho, disse à Folha: "Isso não está
completamente decidido. É um ponto muito controverso,
sobre o qual ainda vai haver discussões".
Segundo
Senna, paralelamente às discussões dos membros
civis do Conselho Superior do Cinema, os ministros que integram
o órgão "estão analisando possíveis
sombreamentos da Ancinav com o Ministério das Comunicações
e com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)".
O
secretário diz acreditar que o projeto será encaminhado
neste ano ao Congresso. "Duvido é que o Congresso
possa pautar para este ano seu exame e votação."
Ontem,
o diretor da Ancine (agência a ser substituída
pela Ancinav) João Eustáquio da Silveira classificou
o anteprojeto do MinC como "autoritário", em
entrevista publicada no jornal "O Globo".
Velha
discussão
"É uma volta a uma velha discussão. Estou
discutindo questões novas", disse Gil. "O projeto
não é autoritário, não deve ser
autoritário e, se algo parece autoritário, vamos
tirar", afirmou.
Para
Gil, o propósito da nova agência é fortalecer
toda a indústria cinematográfica. "Precisamos
do desenvolvimento das várias linguagens audiovisuais
brasileiras, do cinema de invenção ao grande cinema,
passando pela televisão."
Gil
afirmou não ter posição fechada sobre a
idéia de criar para o setor musical outra agência
reguladora. "Acho extraordinário que as pessoas
se reúnam para discutir isso, mas é preciso ver
se o setor tem uma complexidade que exija uma agência".
Ontem
foram entregues aos conselheiros do cinema cerca de 350 sugestões
apresentadas na consulta pública do anteprojeto. As propostas
somam 200 páginas.
A
consulta está disponível até amanhã
no site www.cultura.gov.br/projetoancinav,
onde o Ministério da Cultura divulga também duas
versões do anteprojeto de criação da agência.
A
primeira versão, entregue aos conselheiros do cinema
no dia 6 de agosto, havia vazado pelo site "Pay TV"
quatro dias antes, desencadeando uma onda de críticas
dos setores atingidos.
Além
do suposto desejo de controle no conteúdo da produção
audiovisual, representantes do mercado cinematográfico
questionaram as taxações previstas para o financiamento
da indústria cinematográfica brasileira, que afetam
a venda de ingressos de cinema (10%), os títulos em vídeo
e DVD (9%) e o lançamentos de filmes estrangeiros (R$
600 mil, para estréias acima de 200 cópias).
Diante
das críticas, o MinC fez uma revisão do texto,
que também está disponível no site. Foram
retirados ou tiveram sua redação alterada artigos
criticados como "intervencionistas", como o 43, que
previa a possibilidade de controle da programação
das TVs por parte da Ancinav.
A
revisão, segundo o MinC, teve o objetivo de afastar as
"incompreensões" sobre a natureza do projeto.
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