Informação:
TELA VIVA
News - 06/10/2004
Fernando
Lauterjung e Samuel Possebon
O
Ministério da Cultura recebeu centenas (mais de 400)
de contribuições ao projeto que pretende criar
a Ancinav, cuja consulta pública vai até o início
de novembro. Uma, entretanto, tem um caráter especial.
Trata-se de um contra-projeto apresentado na segunda, dia 4,
e que é assinado por nomes importantes da cadeia audiovisual
nacional e, mais importante ainda, teve ativa e significativa
participação da Globo em sua elaboração.
É esse também o projeto alternativo pedido pelo
ministro Gilberto Gil ao cineasta Luiz Carlos Barreto como contribuição
ao debate.
O
projeto apresentado pretende, na verdade, substituir o texto
proposto pelo Ministério da Cultura, já que é
um texto completo, com 103 artigos e anexos.
Em
essência, a proposta enxuga enormemente as atribuições
da futura Ancinav, tira qualquer tipo de controle de concentração
sobre a televisão, elimina a taxação das
salas de cinema, locação de filmes, contratação
de publicidade para TV, não inclui a necessidade de formalização
de um pacto para que a produção audiovisual independente
tenha espaço na televisão, torna a Ancinav um
órgão fiscalizador, sem poder de regular a exploração
do mercado audiovisual. As palavras da proposta levada ao MinC
são medidas cuidadosamente. Expressões como combater,
fortalecer, zelar ou controlar são usadas raramente.
Já as palavras fomentar e estimular aparecem com freqüência.
Entre
algumas das mudanças importantes deste anteprojeto proposto
em relação ao projeto do Ministério da
Cultura estão:
1)
Ancinav será apenas um órgão fiscalizador,
e mesmo assim com poder de punição bem menor (a
maior multa passa a ser de R$ 2 milhões, contra R$ 25
milhões propostos pelo MinC);
2)
As ações regulatórias da Ancinav só
podem ficar restritas à fiscalização, não
à exploração da atividade;
3)
Sumiram os artigos que falavam em combate à concentração
ou abuso de poder econômico na exploração
da atividade audiovisual ou em zelo aos princípios constitucionais
da Comunicação Social. Ou seja, não será
a Ancinav a zelar pelo cumprimento das obrigações
da Constituição;
4)
A Ancinav não pode mais pedir documentos às empresas;
5)
Todo o Título II da proposta do Ministério da
Cultura, que regulava a exploração da atividade
audiovisual por empresas de telecomunicações e
radiodifusão foi retirado;
6)
É proposta a exclusão da Condecine sobre venda
de ingressos de cinema e sobre locação de home-vídeos;
7)
Também não há mais a proposta de cobrar
4% da verba publicitária para TV a título de Condecine.
Mas, pela proposta entregue, anunciantes que investirem em publicidade
de obras audiovisuais independentes podem ter abatimento de
até 4% do valor no Imposto de Renda;
8)
As mudanças nas regras referentes aos direitos autorais
para exibição pública afetariam só
o setor de cinema, onde haveria um limite do percentual de receita
a ser cobrado pela entidade arrecadadora (na proposta do MinC
essa mudança pega também a televisão);
9)
Não há mais a progressão nos valores da
Condecine por total de cópias. Os longas pagariam, pela
proposta entregue, sempre R$ 3 mil, independente do total de
cópias;
10)
Não há referência à questão
da regionalização da produção nem
obrigações de cotas de produção
independente (ainda que livremente pactuadas) na TV.
Trata-se
de uma proposta que atende plenamente aos interesses das emissoras
de TV, já que tira delas qualquer possibilidade de controle.
Não é, portanto, algo que vá muito além
do que faz a Ancine hoje.
A
proposta também atende aos exibidores e distribuidores,
os principais afetados pela pesada taxação das
cópias proposta pelo Ministério da Cultura.
Participaram
da discussão do projeto pessoas físicas que têm
relações com entidades setoriais. São signatários
do documento, que não pretende ser a última nem
a única contribuição desse grupo, Aníbal
Massaini, Diler Trindade, Bruno Wainer, Jorge Peregrino, Carlos
Eduardo Rodrigues, Leonardo Monteiro de Barros, Cesar Pereira
da Silva, Luiz Carlos Barreto, Luiz Severiano Ribeiro, Marco
Aurélio Marcondes, Paulo Thiago, Roberto Farias, Valmir
Fernandes, Wilson Feitosa, Wilson Borges, Zelito Viana e Rodrigo
Saturnino Braga.
A
expectativa é que o Ministério da Cultura trabalhe
essa proposta como mais uma das recebidas, ainda que haja nomes
de peso e a participação da Globo no documento.
Política
audiovisual
Grupo apresenta proposta para aumentar arrecadação.
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TELA VIVA
News - 06/10/2004
A proposta alternativa para o projeto de lei que cria a Ancinav
entregue esta semana por personalidades e empresários
do setor audiovisual encabeçados por Luiz Carlos Barreto
ao Ministério da Cultura traz também um amplo
conjunto de sugestões para novas fontes de receita e
de formas de desoneração do mercado de cinema
e audiovisual. Propõe-se, por exemplo, mudanças
nas leis de incentivo para que as empresas tributadas pelo lucro
presumido tenham incentivos fiscais ao investirem em obras audiovisuais
nacionais. Também se propõe que a arrecadação
das loterias ao Fundo Nacional da Cultura sejam destinados também
ao mercado audiovisual.
Outra
idéia é aproveitar a legislação
que permite a realização de concursos e sorteios
com cobrança para que se inclua nesses mecanismos o financiamento
de obras audiovisuais, e não apenas ações
filantrópicas. O grupo propôs o fim da arrecadação
de tributos na cadeia de produção, distribuição
e exibição de obras audiovisuais, especialmente
o fim de ICMS, IPI e imposto de importação sobre
equipamentos e insumos, fim do ISS, PIS e Cofins sobre a produção
de filmes, fim do PIS e da Cofins sobre o licenciamento e exibição
(nesse caso também se pede a isenção de
ISS), isenção de IPI, ICMS, Pis e Cofins sobre
a comercialização de home-vídeos e fim
do IR sobre vendas no exterior.
Uma
outra proposta é que haja dedução direta
do IR pelo anunciante pela publicidade contratada para obras
audiovisuais nacionais.
Uma
das propostas também defendida é a criação
do ticket cultural (como são os ticket alimentação
existentes), dando vantagens tributárias a empresas que
os adotarem.
Outra
proposta é criar uma dotação orçamentária
para o Funcinav e também reverter parte dos recursos
do Fundo Nacional de Universalização das Telecomunicações
(Fust, que já soma mais de R$ 3,5 bilhões) para
a produção audiovisual. Por fim, entre as propostas
colocadas ao MinC para aumentar a arrecadação
está a cobrança de Condecine sobre a venda de
aparelhos de DVD, televisão, home-theaters, videocassetes
e congêneres.
Política
audiovisual
Proposta alternativa à Ancinav não ajuda TV paga.
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TELA VIVA
News - 06/10/2004
O projeto alternativo para a criação da Ancinav
entregue ao Ministério da Cultura esta semana e que é
endossado por uma série de personalidades e empresários
do setor audiovisual (tendo forte atuação da Globo
em sua elaboração) traz dois paradoxos curiosos.
Primeiro, mantém alguns dos pontos mais criticados pelo
setor de TV paga, como o aumento de 3% para 6% no percentual
de recolhimento sobre remessas ao exterior pelas programadoras
internacionais e obrigação de legendagem e dublagem
no Brasil. O paradoxo está no fato de ser a própria
Globo acionista de operações de TV paga. Já
o item da proposta da Ancinav colocada pelo MinC que impede
a exclusividade de programação não está
nessa contra-proposta entregue esta semana.
O
segundo paradoxo é o fato de não haver mais a
parte que impunha regras à exploração da
atividade audiovisual por empresas de telecomunicações.
Esse era um ponto que atendia, em parte, aos interesses das
emissoras de TV, já que assegurava uma blindagem contra
a entrada das teles. A avaliação é de que
essa blindagem não poderia ser colocada sem a criação
de regras também para a televisão.
Há
ainda um possível paradoxo no documento em relação
à questão dos direitos autorais. Pela proposta
do MinC, haveria uma limitação de 1% sobre o faturamento
das empresas exploradoras da atividade audiovisual no que se
refere à cobrança pela exibição
pública de obras musicais. Pela proposta apresentada
esta semana pelo grupo de empresários, esse limite só
valeria para a exploração cinematográfica.
A explicação é o fato de que algumas emissoras
de TV, especialmente a Globo, que participou da elaboração
do documento, já têm um acordo considerado satisfatório
com o Ecad e não precisariam de uma mudança desse
tipo.
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