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Informação:
TELA VIVA
News - 27/10/2004
A
estratégia do governo em relação à
nomeação de Plínio de Aguiar Júnior
para o cargo de conselheiro da Anatel é de alto risco
e pode comprometer o funcionamento da agência no futuro,
segundo especialistas ouvidos por esse noticiário.
Basicamente,
o que o governo fez foi indicar o nome de Plínio de Aguiar
para complementar o mandato de Antônio Carlos Valente,
que terminaria no dia 4 de novembro. A indicação
foi aprovada em sabatina na Comissão de Infra-estrutura
e posteriormente em plenário. Mas no dia 19, o senador
José Sarney, na qualidade de presidente da Casa, simplesmente
informou o Senado que a aprovação havia sido para
um mandato de cinco anos.
Com
base nessa mensagem de José Sarney, o governo deve nomear
Plínio de Aguiar, apenas após o dia 4 de novembro,
para todo um mandato completo até 2009, e não
apenas para uma complementação.
Diferentes
fontes consultadas por este noticiário se disseram "estarrecidas"
com a falta de senso político do governo ao dar essa
interpretação à votação realizada
na Comissão de Infra-estrutura. O risco, segundo estas
fontes, é alguém alegar, no futuro, a nulidade
da nomeação do conselheiro para um mandato para
o qual não foi efetivamente indicado, e nem sabatinado
pelo Senado: “não estou questionando a capacidade
do futuro conselheiro, que tem plenas condições
de exercer o mandato, mas sim essa estratégia maluca
para colocá-lo na marra em um mandato de cinco anos”,
diz uma fonte com trânsito junto aos parlamentares. Um
consultor vai mais longe: “se o Plínio for nomeado
nestes termos, alguém poderá, no futuro, entra
na Justiça e questionar o mandato do conselheiro e, por
tabela, decisões das quais participou. É uma temeridade.
Isso tudo faz parte do descaso com que o Executivo vem tratando
as agências reguladoras”. O raciocínio é
simples: uma empresa que se sentisse descontente com uma decisão
de Aguiar poderia usar essa fragilidade jurídica como
arma. Em geral as empresas evitam entrar em conflito com a Anatel,
mas em um ambiente de enfraquecimento político da agência,
isso pode acontecer. Isso para não falar na possibilidade
de questionamentos vindos da sociedade.
Finalmente,
há quem veja no atraso da nomeação do conselheiro
uma estratégia do ministro Eunício de Oliveira
para inviabilizar a ida de Plínio de Aguiar para a Anatel:
“não há dúvida de que o ministro
não engoliu a indicação, feita ostensivamente
pelo deputado do PT carioca, Jorge Bittar. Acredito que ele
gostaria de ver na Anatel alguém mais próximo
de seus interesses, talvez o secretário executivo, Paulo
Lustosa, sem as ligações petistas de Plínio
Aguiar”, sugere outra fonte.
Resumo
A
Comissão de Infra-estrutura do Senado aprovou por unanimidade
(21 votos) o parecer da senadora Serys Slhessarenko (PT/MT)
favorável à indicação do nome de
Plínio Aguiar. Esse parecer é claro ao dizer que
o mandato apenas complementa o mandato do ex-conselheiro Antônio
Valente. Segundo informações de fontes da Casa
Civil, o argumento pelos cinco anos estaria no parecer emitido
na Comissão de Constituição e Justiça
do Senado sobre o assunto. De acordo com a secretaria desta
comissão, este parecer não existe, até
porque os processos de indicação de conselheiros
de agências reguladoras não passa por esta comissão,
indo direto ao plenário. Uma outra curiosidade é
que o parecer da senadora Slhessarenko ainda não está
disponível no site do Senado. Mas o documento fornecido
pelo gabinete da senadora de fato não traz nenhuma referência
a um mandato de cinco anos.
Algumas
fontes avaliam que teria sido mais prudente ao governo simplesmente
mandar uma nova mensagem ao Congresso e submeter Aguiar a uma
nova sabatina e votação, ou simplesmente ter esperado
para fazer todo o processo depois de novembro.
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